Mercado de trabalho aquecido mantém produção industrial mineira em alta, apesar da redução de 1,7% em maio
Minas Gerais teve uma queda de 1,7% na sua produção industrial no mês de maio, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em relação a abril, que teve alta de 2,1%. Já a produção nacional teve redução de 0,2% em maio.
Apesar da queda em maio, o acumulado no ano em Minas Gerais fechou em 1,2%, enquanto o resultado nacional foi de 1,4%, mantendo uma alta.
Em relação ao mesmo mês do ano passado, Minas Gerais apresentou queda da produção de 1,1%, enquanto, no Brasil, houve crescimento de 0,2%.
Entre as 14 atividades pesquisadas no Estado, oito apresentaram queda na produção industrial em relação ao mesmo mês do ano anterior. As maiores reduções ocorreram nos segmentos de “Máquinas e equipamentos” (-22,6%) e “Produtos de metal” (-8,9%), enquanto o maior crescimento ocorreu em “Produtos do fumo” (15,8%).
Considerando o resultado acumulado no ano, oito atividades apresentaram expansão da produção, sendo as maiores variações em “Bebidas” (9,4%) e “Metalurgia” (8,0%). As principais retrações, em termos percentuais, foram em “Máquinas, aparelhos e materiais elétricos” (-13,1%), “Celulose, papel e produtos de papel” (-9,5%), “Produtos químicos” (-9,2%) e “Produtos de metal” (-9,1%).
Para a chefe da Seção de Pesquisas Econômicas do IBGE em Minas Gerais, Alessandra Coelho de Oliveira, muitos fatores internos e externos contribuíram tanto para a retração industrial em maio quanto para a manutenção positiva do acumulado do ano, mas os dados não surpreenderam.
“Em Minas Gerais, desde o início do ano, tem sido de oscilação na indústria. Nós tivemos, de dezembro para cá, janeiro e abril com resultados positivos. Fevereiro, um leve resultado negativo, e março e maio, agora, com resultados negativos também. Então, para o Estado, o comportamento tem sido essa oscilação. Não foi uma surpresa, porque não tem havido uma tendência clara, como estava ocorrendo em nível nacional. Em nível estadual, realmente não se caracteriza como uma surpresa nesse momento”, disse.
Oscilação e mercado de trabalho forte
Ela complementa afirmando que vários fatores contribuíram para essa falta de sequência dos indicativos, sejam para cima ou para baixo.
“Os resultados do ano e de maio, especificamente, são uma mistura de fatores. Temos o contexto de política monetária restritiva, com taxas de juros ainda em patamar elevado, restringindo investimento e consumo. Mas, por outro lado, o mercado de trabalho um pouco mais aquecido, com taxa de desocupação menor, contribuindo pelo lado da demanda. Somam-se ainda os fatores contextuais do mercado externo, a possibilidade de tarifas e o período eleitoral, que deixam os investidores mais cautelosos”, explica.
Dentro desse contexto, a força do emprego em alta reduz a queda brusca de consumo. “Como a taxa de desocupação está em níveis menores, existe uma massa salarial que vai sustentando essa demanda. Há esse efeito compensatório”, completa Alessandra Coelho, do IBGE.
Para o segundo semestre, o IBGE, que não faz conjecturas de cenários, afirma que “essa oscilação intensa e constante que está acontecendo em 2026 não permite ficar desenhando cenários”.
Fiemg indica incertezas
Segundo o economista da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Ítalo Spinelli, o cenário da produção industrial é incerto, mesmo com o crescimento registrado no acumulado do ano.
Para ele, fatores externos e internos podem gerar interferências que criem um cenário de cautela por parte dos empresários.
Nem mesmo o início de uma queda da taxa de juros, principalmente da Selic, deixa o setor animado de fato.
“A expectativa para o segundo semestre é de crescimento moderado, porque essa redução dos juros recente é muito pequena diante de um nível de juros ainda muito elevado, mesmo com a redução. Essa redução foi irrisória, e isso, de alguma forma, mantém um cenário muito restritivo: um crédito muito caro, que inibe investimentos e também inibe o consumo das famílias”, analisa.
As questões geopolíticas externas também podem ser determinantes para a nebulosidade do contexto econômico industrial da segunda metade de 2026.
“A incerteza é muito elevada. Havia um acordo de cessar-fogo, mas essa semana ele já foi interrompido, e as tensões voltaram. Isso afeta a dinâmica do mercado global, afeta bastante os preços de commodities e, de certa maneira, impacta fortemente a indústria mineira, sobretudo o setor extrativo, já que o minério de ferro é uma commodity principal”, explica.
“Existe uma tensão muito forte, com oscilações intensas nos preços das commodities, e a dinâmica do comércio internacional está bastante nebulosa, ainda com muita incerteza. O FMI já projetou um crescimento da economia global de 3,1%, abaixo da média observada no período anterior à pandemia”, finaliza.
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