Mercado imobiliário de BH vende 12 mil imóveis no semestre, queda de 6,7%
O mercado imobiliário de Belo Horizonte comercializou 12.099 imóveis no primeiro semestre de 2026, entre unidades residenciais, pontos comerciais e lotes. O resultado representa uma retração de 6,7% em relação às 12.970 unidades vendidas no mesmo período do ano passado. Apesar da queda, o desempenho é considerado um movimento de acomodação após a forte expansão registrada pelo setor nos últimos anos.
Para o vice-presidente da Câmara do Mercado Imobiliário do Sindicato da Habitação de Minas Gerais (Secovi), Luis Lara, o resultado não indica uma perda preocupante de força do mercado. “Não vejo como uma queda preocupante, mas como um assentamento mesmo do mercado imobiliário”, afirma.
Segundo ele, o comportamento também está relacionado à base elevada dos anos anteriores. “Nosso setor vem com altas fortes nas vendas de imóveis, principalmente nos dois últimos anos, então, ficou uma coisa natural essa queda”, explica.
O cenário de juros elevados e o nível de endividamento das famílias também pesaram nas decisões de compra. “Taxa Selic alta, famílias endividadas são fatores que contribuem para uma retração também”, diz Lara.
Mesmo com a redução no volume geral de negócios, o mercado residencial manteve ampla predominância na capital, respondendo por aproximadamente 90% das unidades comercializadas entre janeiro e junho. Os apartamentos representaram a maior parcela, com 9.485 unidades vendidas, ante 10.206 no primeiro semestre de 2025, queda de 7,1%.
O comportamento das vendas variou de acordo com o padrão dos imóveis. As unidades dos padrões Super Luxo e Econômico Faixa 4 tiveram crescimento de 4,8% em ambos os segmentos, enquanto o Standard avançou 2,4%. Em contrapartida, houve retração nos segmentos Luxo (-33,2%), Alto (-25,9%), Médio (-19,3%) e Econômico (-7,9%).
Na avaliação de Lara, o desempenho dos extremos da pirâmide imobiliária tem explicações distintas. No segmento de alto padrão, a menor dependência de financiamento ajuda a sustentar as vendas mesmo em um cenário de juros elevados. “É um mercado que não precisa do crédito para comprar. É uma compra que às vezes é emocional, o cliente gostou do tipo do produto, vai lá e compra mesmo”, afirma.
Já no segmento Econômico, a demanda está mais diretamente associada à necessidade de moradia e às condições de financiamento. “É uma necessidade de moradia realmente imediata. A gente tem um déficit de moradia no País”, diz o executivo.
O Data Secovi mostra que os imóveis de menor valor têm papel central no mercado da capital. Entre 2022 e 2026, o padrão Econômico, incluindo a Faixa 4, que abrange imóveis entre R$ 400 mil e R$ 600 mil, respondeu por 62,4% das unidades comercializadas em Belo Horizonte. Já os padrões Luxo e Super Luxo, juntos, representaram 2,5% das vendas.
No primeiro semestre deste ano, aproximadamente 36,6% das unidades vendidas pertenciam aos padrões Econômico Faixas 2 e 3, com valores de até R$ 400 mil, enquanto 22,5% eram do Econômico Faixa 4. Os imóveis dos padrões Luxo, de R$ 3 milhões a R$ 5 milhões, e Super Luxo, acima de R$ 5 milhões, representaram 2,4% das unidades comercializadas.
Para Lara, a classe média tende a ser a mais afetada pelo cenário de juros elevados. “A classe média é sempre mais impactada quando se tem altas taxas de juros. Então, quando ela sente, ela recua”, afirma.
Preço do imóvel sobe mesmo com queda nas vendas
Apesar da redução no número de unidades comercializadas, o preço médio do metro quadrado aumentou. No primeiro semestre de 2026, o valor médio do metro quadrado privativo dos apartamentos passou de R$ 14.356 para R$ 14.574, alta de 1,5% na comparação anual.
No segmento Super Luxo, o preço médio chegou a R$ 19.195,14 por metro quadrado. Para evitar distorções no indicador provocadas por operações isoladas, foram excluídas do cálculo as vendas de imóveis acima de R$ 10 milhões.
A diferença de preços entre os bairros também permanece expressiva. Lourdes e Gutierrez, na região Centro-Sul, e São José, na Pampulha, registraram os maiores valores médios do metro quadrado privativo da capital, todos acima de R$ 21 mil. Na outra ponta, Pilar e Olaria, na região do Barreiro, e Madre Gertrudes, na região Oeste, apresentaram os menores preços, abaixo de R$ 3.150 por metro quadrado.
Mercado espera recuperação das vendas no segundo semestre
Embora o primeiro semestre tenha terminado com retração, a expectativa do mercado é de um desempenho mais forte na segunda metade do ano. Lara afirma que esse comportamento é recorrente no setor e está relacionado, entre outros fatores, à maior disponibilidade financeira das famílias no fim do ano e ao planejamento de mudanças de moradia.
“A gente sempre tem essa tendência de um segundo semestre melhor que o primeiro, porque há 13º e bônus de empresas. As pessoas também tendem a concluir planos pessoais”, explica.
Segundo ele, a compra de um imóvel costuma ser resultado de uma decisão construída ao longo dos meses. “Você pensa o ano inteiro e conclui lá no final: vou mudar para tal lugar. Então, a pessoa vai planejando”, afirma.
No recorte financeiro, Buritis, na região Oeste, e Lourdes e Savassi, na região Centro-Sul, concentraram os maiores volumes do Valor Geral de Vendas (VGV) no primeiro semestre. Juntos, os três bairros responderam por 9% do VGV total da capital, com movimentação de aproximadamente R$ 1,11 bilhão.
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