A construção apresentou saldo positivo de 9.263 empregos com carteira assinada em agosto | CREDITO: CHARLES SILVA DUARTE

O saldo de empregos formais permaneceu positivo em agosto no Estado, segundo os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério da Economia.  No oitavo mês de 2020, foi registrado superávit de 28.339 vagas de trabalho em Minas Gerais, indicando o terceiro resultado positivo consecutivo, após três meses seguidos de déficit na geração de vagas, em consequência da crise imposta pela pandemia do novo coronavírus.

Ao todo foram contratados 135.161 profissionais e demitidos outros 106.822 em agosto. Dessa maneira, Minas Gerais apresentou o segundo maior saldo do mês no País, ficando atrás apenas de São Paulo, cujo superávit chegou a 64.552.

Ainda assim, Minas continua com resultado negativo no acumulado deste exercício. Nos oito meses transcorridos, foram 973.175 contratações e 1,043 milhão de desligamentos, culminando em um déficit de 69.984 vagas até o oitavo mês deste exercício. O resultado manteve o Estado com o terceiro pior resultado do período no País.

No Brasil, em agosto, foram gerados 249.388 novos postos de trabalho formal e no acumulado do ano o saldo nacional ficou negativo em 849.387.

Segundo análise da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese), o resultado positivo alcançado em agosto se deve ao cenário de retomada das atividades econômicas e da flexibilização das medidas de isolamento social em grande parte dos municípios mineiros.

“Logo que a pandemia começou, dedicamos nosso tempo integralmente a salvar vidas e estruturar o sistema de Saúde. Agora estamos trabalhando para recuperarmos os empregos que foram perdidos e que custaram a dignidade de tantos pais de família”, afirmou o governador Romeu Zema, por meio das redes sociais.

O governador destacou ainda que, mesmo com a crise provocada pela pandemia, Minas Gerais foi o segundo estado que mais gerou empregos em agosto. “Tivemos um saldo positivo de 28.339 vagas formais, graças a retomada gradual e segura dos segmentos econômicos, com o plano Minas Consciente”, completou.

Reação – Para o superintendente de Gestão e Fomento ao Trabalho e à Economia Popular Solidária da Sedese, Marcel Cardoso Ferreira de Souza, com a reabertura da economia, o mercado de trabalho tem reagido positivamente, após uma drástica redução no volume de postos de trabalho.

“Está bem claro que estão sendo oferecidos muito mais postos de trabalho do que antes, inclusive em relação ao ano passado. Esses dados são relevantes para mostrar que esta recuperação está acontecendo num ritmo até um pouco mais acelerado do que imaginávamos e o cenário é positivo para os próximos períodos em relação à economia e ao aumento de postos de trabalho”, avaliou.

Indústria impulsiona a geração de vagas

O saldo de empregos do Estado, em agosto, foi puxado pela indústria, com a geração de 10.291 postos de trabalho, a partir da admissão de 27.878 profissionais menos o desligamento de outros 17.587. Logo em seguida apareceu a construção, responsável pelo saldo de 9.263 vagas, advindo da subtração de 25.845 admitidos e 16.582 dispensados.

O agrupamento de serviços contabilizou 5.812 empregos no oitavo mês deste exercício e o comércio 4.414. A agropecuária, por sua vez, teve déficit de 1.441 empregos no período, em função do fim da colheita da safra de café.

Dentro da indústria, que puxou o resultado no mês, a indústria de transformação foi responsável pela maior parte do saldo, com 9.944 das 10.291 vagas geradas pelo setor. Apenas a indústria de produtos alimentícios foi responsável pela criação de 5.450 deste total.

Já no acumulado do ano, a maioria das atividades segue com os resultados negativos. O comércio, por exemplo, teve 41.483 vagas fechadas, a partir da contratação de 213.737 e demissão de 255.220 pessoas. De maneira semelhante, o setor de serviços apurou déficit de 40.850 postos de trabalho, com 369.702 admissões e 410.552 desligamentos.

Ainda nos oito meses de 2020, a indústria apurou saldo negativo de 13.147 vagas. Já a construção apresentou superávit de 16.911 (161.359 contratações e 144.448 demissões) e a agropecuária de 8.585 (54.572 e 45.987, respectivamente).

Brasil registra o melhor agosto em dez anos

Brasília – O Brasil abriu 249.388 vagas formais de trabalho em agosto, melhor resultado para o mês em dez anos, surpreendendo positivamente pelo segundo mês consecutivo sob o amparo do programa do governo que concede um benefício a trabalhadores que tiveram contrato de trabalho suspenso ou jornada reduzida, que deve agora ser novamente prorrogado.

Em coletiva de imprensa, o ministro da Economia, Paulo Guedes, avaliou que o programa foi o de maior eficácia na crise do coronavírus do ponto de vista de preservação de empregos e que, por isso, deveria ser estendido por mais dois meses.

A intenção foi confirmada pelo secretário especial de Previdência e Trabalho, Bruno Bianco.

“Se há uma demanda, não há porque não se fazer a prorrogação. Programa bem feito, que evita demissão, traz renda ao trabalhador, garante o emprego”, afirmou Bianco.

No fim de agosto, o presidente Jair Bolsonaro já havia assinado decreto que prorrogava para até 180 dias os prazos máximos dos acordos fechados dentro do programa. O resultado do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado ontem pelo Ministério da Economia, veio bem acima da criação líquida de 122.447 postos projetada por analistas em pesquisa Reuters.

Este também foi o melhor agosto para o País desde 2010, quando foram criadas 299.415 vagas.

Guedes avaliou que a performance corrobora a recuperação em V do Brasil após o impacto da crise com o coronavírus, em referência a uma retomada rápida após uma queda também abrupta.

Desta vez, o Caged contou com dados positivos nos cinco setores pesquisados, incluindo o de serviços, que, mais atingido pelas medidas de isolamento adotadas para frear o surto de Covid-19, seguia no vermelho até então.

“Superamos aquela fase em que eu dizia que estávamos tentando manter os sinais de preservação, os sinais vitais”, disse Guedes.

A dianteira ficou com a indústria, com abertura de 92.893 postos em agosto. Em seguida aparecem os setores da construção (+50.489), comércio (+49.408), serviços (+45.412) e agropecuária (+11.213).

No acumulado dos oito primeiros meses do ano, foram fechadas 849.387 vagas, num reflexo dos impactos sobre a atividade com a pandemia de Covid-19. No mesmo período de 2019, 593.467 vagas haviam sido abertas.

Até 18 de setembro, o BEM permitiu 18,4 milhões de acordos entre empregados e empregadores no Brasil. De acordo com Guedes, foram preservados cerca de 11 milhões de empregos com esse número de acordos, já que alguns deles foram renovados.

O custo, até o momento, é de R$ 25,5 bilhões, sendo que o orçamento total do programa é de R$ 51,6 bilhões. (Reuters)

Taxa de desemprego atinge 13,8% no País

Rio e São Paulo – O terceiro trimestre começou com 13,1 milhões de desempregados no Brasil e o menor número de pessoas ocupadas da série histórica, com a taxa de desemprego saltando para o recorde de 13,8% nos três meses até julho, uma vez que o mercado de trabalho segue sob contínua pressão com as consequências da Covid-19.

A taxa de desemprego subiu 1,2 ponto percentual em relação ao trimestre anterior e ainda ficou bem acima da taxa de 11,8% no mesmo período de 2019.

Esse é o nível mais alto da série histórica iniciada em 2012, de acordo com os dados da Pnad Contínua divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Nos três meses até julho, o Brasil contabilizava 13,130 milhões de desempregados como consequência das medidas de contenção do coronavírus, que vêm afetando a economia desde o final de março.

O número de desempregados no trimestre até julho representa alta de 2,5% em relação aos três meses imediatamente anteriores e avanço de 4,5% sobre o mesmo período do ano anterior.

Entre maio e julho, houve ainda queda de 8,1% no número de pessoas ocupadas na comparação com o trimestre imediatamente anterior, além de recuo de 12,3% sobre o mesmo período do ano passado. Com isso, o número de pessoas ocupadas chegou no período a 82,027 milhões, o menor contingente da série.

O nível de ocupação também foi o mais baixo da série, atingindo 47,1%, uma queda de 4,5 pontos frente ao trimestre anterior e de 7,6 pontos contra o mesmo trimestre de 2019.

“Temos um processo de perdas grandes no mercado de trabalho e ainda não temos nenhum indício de recuperação“, disse a gerente da pesquisa, Adriana Beringuy. “(Precisamos) esperar um pouco mais e ver se o mercado vai incorporar a melhoria nos indicadores setoriais.“

No auge da pandemia, houve um forte movimento de pessoas que estavam desempregadas ou perderam trabalho em direção à população fora da força, ou seja, aquele grupo que estava sem trabalho e não buscava uma vaga. Com a flexibilização das medidas de isolamento social, muitas pessoas estariam se encorajando a voltar a buscar uma vaga no mercado de trabalho.

A população fora da força de trabalho atingiu o recorde da série e chegou a 78,956 milhões de pessoas – mais 8 milhões em relação ao trimestre anterior e mais 14,1 milhões frente ao mesmo trimestre de 2019.

Entretanto, o aumento foi menor do que no trimestre encerrado em junho, quando o ganho foi de 10 milhões de pessoas.

“A população fora da força aumentou muito, mas em julho aumentou menos. Isso pode indicar um certo retorno das pessoas ao trabalho. Os movimentos ainda são discretos no comparativo com todo o período, mas é um indicativo”, explicou Beringuy. 

Desalento – O trimestre encerrado em julho também foi marcado por um recorde no número de pessoas desalentadas, aquelas que não buscaram trabalho, mas que gostariam de conseguir uma vaga e estavam disponíveis para trabalhar.

Esse contingente chegou a 5,797 milhões de pessoas no período, contra 5,026 milhões no trimestre até abril.

“A gente vem observando pessoas saindo do mercado para fora da força. Muitos não realizaram busca de trabalho por causa da pandemia e da emergência sanitária, e a população desalentada foi potencializada pela pandemia. É um processo que se retroalimenta”, explicou Berenguy. (Reuters)