Economia

Minas Gerais tem saldo positivo de 78 mil vagas de emprego no 1º quadrimestre de 2026, mas ritmo desacelera

Apesar do bom resultado, houve uma queda na geração de novos postos de trabalho em comparação ao mesmo período de 2025
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Minas Gerais tem saldo positivo de 78 mil vagas de emprego no 1º quadrimestre de 2026, mas ritmo desacelera
Modelos híbridos e jornadas mais flexíveis ganham peso na atração e retenção de talentos em meio à disputa por mão de obra qualificada | Foto: Reprodução Adobe Stock

Minas Gerais registrou saldo positivo de 78 mil vagas de emprego entre janeiro e abril de 2026, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho. O resultado é menor do que no mesmo período de 2025, quando o estado teve 104 mil novos postos de trabalho criados, uma queda de 25% de um ano para o outro.

O saldo de empregos é resultado de 987.421 admissões contra 908.781 demissões no período. O setor de serviços foi o grande empregador do estado, com 38.886 contratações.

Em seguida, demonstrando leve recuperação, a indústria gerou 14.592 empregos. Agropecuária (14.523 vagas criadas) e construção (14.138 vagas criadas) tiveram desempenhos parecidos com o da indústria mineira. O comércio teve retração acentuada, com perda de 3.498 vagas nos primeiros quatro meses deste ano.

Para o doutor em economia pelo Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG, Wesley Cantelmo, a menor geração de empregos em relação ao mesmo período de 2025 pode ser explicada por um mercado de trabalho aquecido, que tem absorvido trabalhadores que estavam fora do emprego formal. A taxa de juros elevada também entra na equação e ajuda a compreender o cenário do emprego no país e no estado.

“Na verdade, é uma soma de fatores. O que a gente observa, primeiro, é que o mercado de trabalho brasileiro está realmente muito aquecido. Então, de fato, quanto mais aquecido, o avanço relativo com relação ao período anterior se torna um pouco mais difícil”, avalia.

“A gente já esperava um pouco mais de dificuldade sobre as alocações no mercado de trabalho, uma certa desaceleração, principalmente em função desse período longo de manutenção da taxa de juros em patamar bastante elevado. E o efeito da taxa de juros nesse patamar é justamente travar esse aquecimento da economia”, completa.

Saldo positivo no país

No âmbito nacional, o quadrimestre também registrou saldo positivo entre janeiro e abril de 2026, com 613.673 vagas de emprego geradas. Foram 7.183.013 admissões contra 6.549.640 desligamentos. Em abril, segundo o Caged, 85.888 empregos formais foram criados, com 2,2 milhões de contratações e 2,1 milhões de demissões. Em Minas Gerais, foram gerados 8,9 mil postos formais apenas no mês de abril.

Método do BC questionado

O economista Wesley Cantelmo traz um ponto de vista pouco discutido quando o assunto é geração de emprego: o impacto da taxa de juros no cenário, que ao afetar as empresas as torna mais vulneráveis e menos propensas a contratar. O Banco Central segue mantendo os juros altos para conter pressão inflacionária. Todavia, Cantelmo contesta esse método como forma de evitar a alta da inflação no país.

“O objetivo implícito do Banco Central é tentar reduzir o ritmo da atividade econômica. O argumento deles para conter qualquer tipo de processo inflacionário é manter a taxa de juros elevada. Eu questiono um pouco a lógica desse instrumento para conter o processo inflacionário”, comenta.

“Vemos que o efeito prático dos juros elevados é uma desaceleração da economia. E isso reflete, obviamente, no mercado de trabalho”, completa.

Serviços em alta

O setor de serviços continua sendo a mola propulsora do mercado de trabalho mineiro e nacional. A amplitude de atividades gera mais vagas de emprego e pode dar a sensação de que a indústria e a agropecuária estão mais estagnadas.

A retração em dois segmentos fortes da economia, no entanto, aponta para um problema estrutural pouco identificado e explicado.

“O fato de os serviços liderarem a geração de empregos é sintoma de um processo macroestrutural, não uma sinalização de força do setor em si. A economia brasileira tem sofrido bastante com o processo de desindustrialização. A indústria tem perdido poder relativo nas últimas décadas. Há uma tentativa de retomada, inclusive com o novo desenho de política industrial, mas que acaba sendo prejudicado, sob o ponto de vista macroeconômico, justamente por esse patamar elevado da taxa de juros”, disse o doutor em economia Wesley Cantelmo.

“Ainda que se tenha uma série de incentivos para a retomada da indústria contemporaneamente, com linhas específicas dentro da estratégia da nova política industrial, o custo do dinheiro no Brasil ainda é muito alto. Isso tem deixado tímidas, até certo ponto, as iniciativas de alocação de investimentos na expansão industrial”, finaliza.

Sobre o autor

Anderson Gonçalves

Jornalista desde 2002, especialista em Projetos Editoriais e campanhas políticas. Desde 2025 é repórter de economia e negócios no Diário do Comércio.

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