Redução de ICMS e incentivos fiscais podem tornar Minas Gerais polo de data centers
Minas Gerais pode estar perto de ser um dos polos de data centers no País. Atualmente, o Estado não possui estrutura para essa atividade, que está concentrada em São Paulo. Só que os vizinhos do Sudeste estão chegando ao seu limite de capacidade por questões energéticas. Logo, abriu-se uma oportunidade que começa a ser aproveitada.
“Já temos dois ou três projetos em andamento. Um na Zona da Mata, o projeto Leopoldina, que deve ficar pronto no final deste ano. E outro, ainda em fase de planejamento, em Uberlândia, que é gigantesco. Tem também um outro na Região Metropolitana de BH”, conta a presidente da Federação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação do Estado de Minas Gerais (Federação Assespro MG), Edna Meneses.
Incentivos
E para acelerar a atração e instalação de empresas, o Estado está trabalhando em iniciativas em que haja redução de custos dos componentes das máquinas que compõem o data center. O primeiro passo pode ser com redução de ICMS. Recentemente, o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) se reuniu para votar se daria ou não o benefício às empresas que queiram instalar data centers no País.
Como não houve unanimidade na medida, o tema ainda não tem uma definição completa. Só que Minas Gerais tenta não perder o embarque neste “trem” e pode tomar a dianteira ao criar um regime fiscal diferenciado para incentivar o setor de estrutura digital.
“Essa questão da redução do ICMS e do ISS ainda precisa ser vista em relação à reforma tributária, mas tudo indica baixo incentivo fiscal por enquanto. Ainda não tem nada aprovado, a medida provisória caducou e está sendo votada novamente no Congresso para que fique definida e as pessoas não tenham receio jurídico de investir e depois perder. Mas tudo indica que vai continuar havendo grande investimento, porque o governo precisa disso para trazer a soberania nacional, tema que tanto se fala. Uma das posições do governo é justamente incentivar o data center nacional para garantir essa soberania”, comenta Edna Meneses.
“O governo de Minas é um dos estados que está realmente buscando se destacar. É um apoio direto mesmo para esse projeto”, frisa.
Vantagens
Edna Meneses disse acreditar que o Estado oferece mais do que incentivos fiscais como diferenciais. “Temos uma posição estratégica do ponto de vista de vizinhança, pois há divisas com seis estados e o Distrito Federal, regiões com geração de energia limpa e renovável, como fotovoltaica e hidrelétrica. E o mais importante, energia mapeada”, observa a dirigente.
Esse potencial mineiro tem como principais “rivais” os estados de São Paulo e Ceará. Ela explica que a São Paulo concentra mais de 70% dos data centers. “E temos outro grande hub de data center, que é o Ceará. Mas o Ceará está longe do resto do País. Então, Minas Gerais tem sido a grande promessa”, disse a presidente da Federação Assespro MG, que imagina um futuro de destaque de Minas no setor de data centers.
“É meio complicado de responder (sobre prazos de expansão), dados os problemas que às vezes enfrentamos em relação à efetividade das construções. Mas, na velocidade que estamos vendo, imagino que nos próximos cinco anos já teremos um diferencial grande nisso”, completa.
Definições
Apesar do cenário favorável nas áreas fiscal e econômica em Minas, o mercado ainda espera que a regulação e liberação dos incentivos ocorram para que não haja estagnação da expansão dos data centers.
“Grandes players de nuvem e IA têm sido diretos: sem uma definição do Senado, o custo de capital para investir no Brasil fica menos atrativo. Isso trava decisões bilionárias que dependem de segurança jurídica de longo prazo”, explica o CMO da cloudvBOX (empresa de Sorocaba, no interior de São Paulo, que criou um sistema de data center que evita o uso de água e está mapeando negócios em terras mineiras), Pedro Diniz.
“Enquanto esse impasse não se resolve, a demanda por processamento de dados não espera, principalmente em setores estratégicos para Minas Gerais, como agronegócio, mineração, energia e defesa. É aí que a cloudvBOX enxerga uma oportunidade: nosso modelo permite que essas empresas tenham capacidade de IA e Big Data com baixíssima latência agora, sem depender do desfecho político nacional para inovar”, disse.
Questão ambiental
Outro “gargalo” que a expansão do setor de estrutura digital terá de enfrentar é o meio ambiente. O modelo de negócios precisará buscar equilíbrio com o meio ambiente. Data centers possuem grande consumo de água para resfriamento, o que pode gerar impacto hídrico. Por isso ainda há outras ponderações a serem feitas.
“Existe um outro lado dessa equação que também precisa entrar na conversa: o ambiental. O crescimento acelerado de data centers de grande porte tem levantado preocupações sobre consumo de água e pressão na rede elétrica. Com a tecnologia de resfriamento, entregamos performance sem repetir os gargalos ambientais que preocupam os locais que mais crescem”, comenta o CMO da cloudvBOX, Pedro Diniz.
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