Minas Gerais prevê R$ 436 bi de investimentos em infraestrutura logística até 2055
Minas Gerais prepara uma reestruturação da infraestrutura logística estadual com previsão de R$ 436 bilhões em investimentos até 2055. O montante integra o Plano Estadual de Logística e Transportes de Minas Gerais (Pelt-MG), elaborado pelo governo do Estado por meio da Secretaria de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias (Seinfra) e da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), lançado no ano passado.
O instrumento de planejamento estratégico é voltado para orientar investimentos públicos e privados e visa manter Minas como um dos principais hubs logísticos do Brasil nas próximas décadas. Essa é a maior revisão do planejamento desde 2007.
O objetivo é criar uma carteira técnica capaz de ampliar a previsibilidade e atrair capital privado para projetos de infraestrutura. Minas Gerais será um dos principais polos de investimentos em infraestrutura do País nos próximos anos.
O estudo prevê impactos diretos na competitividade da economia mineira. Segundo os dados apresentados pelo governo estadual, cada R$ 1 investido em infraestrutura planejada poderá gerar retorno socioeconômico de R$ 5,10 para o Estado.
O plano busca também reduzir custos logísticos e ampliar a integração entre rodovias, ferrovias, aeroportos, dutovias e hidrovias. Ao todo, o Pelt-MG priorizou 1.117 empreendimentos, dentro de um estudo que abarcou mais de 1.600 projetos, sendo 129 já contratados e 988 previstos para execução futura.
A principal aposta do governo é na continuidade e ampliação das parcerias com o setor privado. Dentre os 988 novos empreendimentos, que somam R$ 317 bilhões em investimentos, cerca de R$ 201 bilhões poderão ser estruturados por meio de concessões e Parcerias Público-Privadas (PPPs) ou investimentos puramente privados.
O modo rodoviário concentra grande parte das intervenções. Entre as ações previstas estão recuperação de estradas, duplicações e implantação de novas ligações estaduais. Já no modo ferroviário, o plano identificou mais de 8 mil quilômetros voltados principalmente ao transporte de cargas.
Além disso, estão previstos investimentos em 16 aeroportos regionais, além de 13 projetos dutoviários e duas iniciativas hidroviárias.
O plano foi construído a partir de metodologia técnica sólida utilizada em países de referência em infraestrutura, como no Reino Unido, e contou com uma série de encontros realizados em diferentes regiões do estado, com o objetivo de captar projetos e iniciativas para a área de transportes, que foram simuladas e tiveram seus impactos quantificados ao longo do desenvolvimento do plano.
Segundo a Codemge, o plano utilizou mais de 100 indicadores técnicos, além de dados de telefonia móvel, notas fiscais eletrônicas e divisão do território em 73 corredores logísticos estratégicos para mapear fluxos econômicos e necessidades de transporte.
Rodovias lideram carteira de investimentos
O modo rodoviário continuará sendo o principal responsável pela captação e distribuição dos fluxos logísticos em Minas Gerais nas próximas décadas. No Pelt-MG, as rodovias concentram a maior parte das ações previstas para o curto prazo, devido à capilaridade das rodovias pelo território.
Segundo o governo estadual, mais de 400 intervenções rodoviárias foram priorizadas, totalizando cerca de 4.582 obras distribuídas em diferentes regiões mineiras. O foco principal está na recuperação de trechos deteriorados, ampliação da capacidade de tráfego e criação de novas conexões entre polos produtivos.
Entre os projetos considerados estratégicos está o lote de concessão da Zona da Mata, citado pela Seinfra-MG como um dos maiores investimentos rodoviários em estruturação no Estado. O lote compreende um trecho de mais de 1,2 mil quilômetros (km) entre uma série de rodovias estaduais e a transferência da União para o Estado de parte de duas rodovias federais, as BR-267 e BR-354. O investimento previsto é da ordem de R$ 17,6 bilhões, sendo R$ 11,8 bilhões em obras de melhorias e ampliação, além de R$ 5,8 bilhões em serviços operacionais.
Na projeção de longo prazo, o plano prevê implantação e pavimentação de mais de 6,4 mil quilômetros de rodovias estaduais. Também estão previstos mais de 5 mil quilômetros de ampliações, incluindo duplicações e acréscimo de faixas.
Outro eixo importante é a manutenção da malha existente. O governo estima ações contínuas de recuperação em mais de 30 mil quilômetros de vias estaduais.
A ampliação da infraestrutura rodoviária busca melhorar o escoamento da produção agrícola e mineral, reduzir custos logísticos e aumentar a integração entre regiões industriais e centros consumidores.
O plano divide o território mineiro em 73 corredores logísticos e utiliza indicadores de fluxo econômico, demanda de transporte e potencial de desenvolvimento regional para definir prioridades de investimento.
Ferrovias ganham protagonismo no plano estadual
O transporte pelo modo ferroviário é considerado mais eficiente e reduz custos. Com isso, o plano pretende impulsionar este modo para dar mais competitividade ao setor produtivo e impulsionar o desenvolvimento da economia mineira, concentrando os fluxos dos grandes corredores logísticos do Estado.
O plano identificou mais de 8 mil quilômetros de projetos ferroviários prioritários voltados ao transporte de cargas, principalmente para atender cadeias ligadas à mineração, siderurgia e agronegócio.
Entre os corredores considerados prioritários estão conexões ferroviárias capazes de ampliar o acesso mineiro aos portos e reduzir a dependência do transporte rodoviário de longa distância. Entre eles está a implantação de uma ferrovia entre Anápolis (GO) até as cidades de Sete Lagoas e Prudente de Morais, na região Central do Estado, com passagem por Unaí, no Noroeste de Minas Gerais, e Pirapora, no Norte mineiro. A malha ferroviária é um dos cinco maiores projetos mapeados no Pelt-MG, com investimentos estimados em R$ 31 bilhões. O governo estadual quer a inclusão da malha na Ferrovia Centro-Atlântica (FCA).
O plano também prevê estudos para implantação de 3,5 mil quilômetros de linhas potenciais para transporte regional de passageiros, incluindo linhas a partir da Região Metropolitana de Belo Horizonte, com conexões para polos regionais próximos.
Principais números do Pelt-MG
• R$ 436 bilhões previstos em investimentos até 2055
• 1.117 empreendimentos priorizados no plano
• 988 projetos previstos para execução futura
• R$ 201 bilhões com potencial de concessões e PPPs
• Mais de 8 mil km de projetos ferroviários
• 16 aeroportos regionais contemplados
• 73 corredores estratégicos mapeados no Estado
• Retorno estimado de R$ 5,10 para cada R$ 1 investido em infraestrutura
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