Economia

Minas recebe 15,9 mil turistas internacionais no trimestre e fica atrás dos principais destinos do País

Baixa oferta de voos diretos e metodologia de contabilização reduzem visibilidade do fluxo estrangeiro, segundo consultor do setor
Minas recebe 15,9 mil turistas internacionais no trimestre e fica atrás dos principais destinos do País
Foto: Divulgação/ BH Airport

Minas Gerais recebeu 15,9 mil turistas internacionais entre janeiro e março de 2026, número ainda distante dos principais portões de entrada do País, como Rio de Janeiro, que no período registrou 884,4 mil e São Paulo, que teve 866,7 mil chegadas, e Rio Grande do Sul, com 764,5 mil chegadas. No mesmo período, o Brasil contabilizou 3,7 milhões de chegadas de visitantes estrangeiros.

Apesar da diferença, o Estado registrou crescimento de 9,36% em relação ao primeiro trimestre do ano passado e avanço de 30% nas chegadas em março, que passaram de 5,1 mil em 2025 para 6,7 mil neste ano.

No entanto, os dados evidenciam a baixa participação mineira no fluxo internacional, mesmo com a expansão recente. Em março, Minas registrou somente 6,7 mil entradas, enquanto o total nacional no mês chegou a mais de 1 milhão de visitantes. O contraste se repete ao longo do trimestre, refletindo a concentração dos desembarques estrangeiros em estados com maior oferta de voos diretos.

Minas ainda não é hub internacional

Segundo o consultor de turismo e hotelaria da MVS Consultoria, Maarten van Sluys, a leitura dos números exige cautela, porque o fluxo efetivo para Minas não necessariamente aparece nas estatísticas oficiais. “É preciso analisar os números da forma como eles são compilados. Sim, o aeroporto de Confins é o único aeroporto de Minas Gerais que recebe voos internacionais. E, mesmo assim, são poucos. Se não me engano, hoje são sete ou oito frequências por semana”, afirma.

Ele explica que a maior parte dos estrangeiros chega ao País por hubs com maior conectividade e só depois segue para Minas. “Se comparar com o que você tem em Guarulhos, em São Paulo, ou no Galeão, no Rio, são situações diferentes. Nós temos um cenário hoje em que quem recebe mais voos internacionais hoje no Brasil é Rio e São Paulo, a grosso modo. Mesmo quem vem para Minas entra por São Paulo ou pelo Rio”, diz.

De acordo com o consultor, esse movimento reduz a visibilidade estatística do Estado. “Então, provavelmente, esse turista internacional que está em Minas é contabilizado no Rio ou em São Paulo. Quando ele chega no Rio ou em São Paulo, ele toma um voo doméstico. Então, esse número precisa ser relativizado”, afirma.

Ele defende mudanças na forma de contabilização para refletir melhor o fluxo real. “Por isso que acredito que é necessário haver uma forma de conseguir apurar esse número pela nacionalidade no nosso aeroporto doméstico, para se buscar o destino de origem”, diz.

Na hotelaria, segundo van Sluys, o retrato é diferente porque a nacionalidade do hóspede é registrada. “A hotelaria é diferente, porque quando se faz o registro do hóspede na ficha de registro, se coloca a nacionalidade. Não se pergunta de onde ele está vindo, apenas se pergunta o meio de transporte. Mas a nacionalidade entra. Então, se a pessoa é da Polônia, da França, da Espanha, ela vai ser contabilizada como turista internacional na hotelaria”, afirma.

O turismo mineiro é majoritariamente nacional

Outro fator apontado é o posicionamento do Estado no mercado internacional. “Minas Gerais ainda não é lembrado majoritariamente como um destino com atrativos internacionais. Minas tem hoje, basicamente, cidades históricas e o turismo de negócios. Mas, se você pegar o lazer, por exemplo, Minas Gerais vive do turismo nacional, turismo doméstico e até do turismo mineiro”, diz.

Entre as nacionalidades que mais visitaram Minas no primeiro trimestre estão Portugal (6.790), Estados Unidos (1.772), Alemanha (1.446), Reino Unido (1.099) e Itália (1.085). No Brasil, o perfil é diferente, com predominância de países sul-americanos, liderados por Argentina (1.648.213), Chile (324.193), Estados Unidos (231.767), Uruguai (230.498) e Paraguai (222.474).

O Diário do Comércio procurou a Secretaria de Estado de Cultura e Turismo sobre o assunto e aguarda resposta.

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas