Os setores do comércio e serviços estão entre os que mais eliminaram empregos com o Covid-19 | Crédito: Manoel Evandro

As medidas de distanciamento social em combate ao novo coronavírus (Covid-19), que incluem a suspensão de diversas atividades econômicas, continuam afetando o mercado de trabalho no Brasil e em Minas Gerais.

Depois de, em abril, o Estado ter registrado saldo negativo de 88 mil postos de trabalho, em maio, o número foi de -33 mil, segundo os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério da Economia.

Este é o terceiro mês consecutivo que Minas apresenta déficit na geração de emprego em função da pandemia. Apenas em maio, foram 111.101 contratações contra 146.989 demissões, resultando em saldo negativo de 33.695.

Para se ter uma ideia, em março, quando os efeitos da crise do coronavírus começaram a ser sentidos no País, foram fechadas 18.984 vagas formais no Estado. Já em fevereiro e janeiro, os resultados haviam sido positivos em 26.394 e 3.931, respectivamente.

Dessa forma, no acumulado de 2020 até o quinto mês, o déficit de empregos em Minas chegou a 111.555 postos de trabalho, a partir da admissão de 601.794 profissionais e o desligamento de outros 713.349. Com o resultado, Minas Gerais tem o terceiro pior saldo do País neste exercício, ficando atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro.

Os setores mais afetados seguem sendo comércio, serviços, indústria e construção. Apenas agropecuária apresentou resultado positivo no ano.

Quando comparados com os números de 2019, os dados do emprego formal são ainda mais alarmantes. Enquanto houve saldo negativo de 33.695 empregos em Minas Gerais no mês passado, em maio do ano anterior foi registrado superávit de 18.380 vagas. Já quanto aos primeiros cinco meses, foram -111.555 postos neste ano e saldo positivo de 75.175 vagas de janeiro a maio do exercício anterior.

Na divisão por setores, conforme a nova metodologia do governo federal, o maior impacto sobre o resultado do mês de maio veio do grupo de serviços, que registrou saldo negativo de 15.368 postos de trabalho. O subgrupo de alojamento e alimentação foi o mais afetado. Na mesma época do ano passado, a atividade de serviços apresentou déficit de 189 empregos no Estado.

Já a indústria também teve grande influência sobre o resultado do mercado formal de empregos em Minas Gerais no mês passado e apurou o fechamento de 11.232 postos de trabalho. Em igual período do exercício anterior, foi registrado saldo positivo de 578 empregos no setor no Estado.

O grupo de comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas, por sua vez, registrou déficit de 8.484 vagas. Na metodologia utilizada em maio de 2019, que apresentava apenas o setor de comércio, o resultado foi de 1.374 empregos criados.

Além disso, o setor de construção registrou saldo negativo de 411 empregos formais no quinto mês deste ano, enquanto em igual período um ano antes tinha gerado 1.197 empregos no Estado.

Por fim e na outra ponta, o grupo agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura apresentou resultado positivo com 1.800 vagas criadas. Mas, em maio de 2019, o superávit chegou a 15.066 postos de trabalho.

País registra pior desempenho para mês em série

Brasília – O Brasil fechou 331.901 vagas formais de trabalho em maio, pior desempenho para o mês da série disponibilizada pelo Ministério da Economia, com início em 2010, mas em uma melhora em relação à performance fortemente negativa de abril.

Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) foram divulgados ontem. Em abril, a crise com o coronavírus levou ao encerramento de 902.841 postos, informação ajustada pelo ministério após a divulgação inicial de fechamento de 860.503 postos.

Em maio, quatro dos cinco grupos de atividades econômicas mostraram desempenho negativo, com destaque para serviços, com fechamento líquido de 143.479 vagas.

Também ficaram no vermelho a indústria geral (-96.912), o segmento de comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (-88.739 postos) e o setor da construção (-18.758).

Por outro lado, o grupo agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura foi responsável pela abertura de 15.993 vagas no período.

“O primeiro ponto a se enfatizar é a clara reação do mercado de trabalho, a clara melhora da economia e a clara melhora dos números relativos ao emprego no Brasil”, afirmou o secretário especial de Previdência e Trabalho, Bruno Bianco, em uma análise comparativa a abril.

Nos cinco primeiros meses do ano, foram encerrados 1.144.875 postos, na série com ajustes. Este foi o pior desempenho para o acumulado desde, pelo menos, 2010, conforme série disponibilizada pelo ministério.

Também representou um mergulho muito mais fundo que o registrado em igual período de dois anos em que houve crise econômica: 2015 (-243.948 vagas) e 2016 (-448.101).

Em 2019, foram criadas 351.062 vagas com carteira assinada no País no período de janeiro a maio.

O secretário de Trabalho, Bruno Dalcolmo, afirmou ser “muito difícil” saber se o próximo resultado do Caged virá positivo. “O que posso dizer é que o mercado de trabalho reagirá tão logo a economia reaja. E a economia para reagir depende da reabertura das cidades, dos comércios, dos serviços, da retomada da vida normal, ou pelo menos o novo normal”, disse. (Reuters)

Governo deve estender medida que suspende contrato

Brasília – O Ministério da Economia informou que, até 26 de junho, foram fechados 11,7 milhões de acordos no âmbito do BEM, benefício que permite redução de salário e jornada de até 70% por um período de três meses, com o pagamento de compensação parcial pelo governo aos trabalhadores, ou a suspensão do contrato de trabalho por até 60 dias, também com repasse de recursos pelo governo aos funcionários.

Agora, esse benefício será prorrogado por meio de decreto presidencial, disse o secretário especial de Previdência e Trabalho, Bruno Bianco.

A prorrogação virá tão logo o presidente Bolsonaro sancione o projeto de conversão em lei da Medida Provisória (MP) 936, que criou o benefício. A versão aprovada pelo Congresso para o texto foi a responsável por trazer essa possibilidade de extensão.

O presidente Jair Bolsonaro ainda não sancionou a MP por conta de uma questão burocrática, disse Bianco, já que o autógrafo final enviado pelo Senado foi modificado e, por isso, precisou passar pela análise de vários órgãos do governo federal.

“Nós fizemos isso em tempo recorde. Nos próximos dias, haverá a sanção pelo presidente da República e aí sim ele mesmo editará um decreto para a prorrogação”, afirmou Bianco.

Ele destacou ainda que “tudo indica” que o governo fará a prorrogação por mais dois meses da possibilidade de suspensão do contrato e por mais um mês da redução de jornada.

Não haverá renovação automática e empresas e funcionários deverão firmar novo acordo para a prorrogação.

A contrapartida será que a empresa deverá garantir o emprego pelo mesmo tempo de adesão ao programa. (Reuters)