Economia

Mineradoras retomam operações em Congonhas e prefeitura inicia fiscalização após nuvem de poeira

Prefeitura de Congonhas fiscaliza operações e exige relatórios técnicos das empresas Vale, CSN, Ferro+ e Gerdau sobre o incidente
Atualizado em 13 de julho de 2026 • 16:09
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Mineradoras retomam operações em Congonhas e prefeitura inicia fiscalização após nuvem de poeira
Foto: Reprodução/ Prefeitura Municipal de Congonhas

As mineradoras de Congonhas, na região Central de Minas Gerais, já retomaram, segundo a própria prefeitura da cidade, as atividades que haviam sido paralisadas pelo executivo municipal após a formação de uma intensa nuvem de poeira sobre o município no domingo (12). Pela manhã, equipes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas iniciaram uma nova rodada de fiscalizações nos empreendimentos, começando pela unidade da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), para verificar se as operações foram retomadas com a adoção das medidas necessárias para evitar novos episódios de emissão de material particulado.

A paralisação das operações foi determinada pela prefeitura na tarde de domingo, depois que ventos fortes, aliados ao tempo seco e à baixa umidade do ar, favoreceram a dispersão de grandes volumes de poeira provenientes das áreas minerárias. Segundo o município, a decisão atingiu as empresas CSN, Vale, Ferro+ e Gerdau, responsáveis por mais de 96% das emissões de material particulado em Congonhas.

Durante a fiscalização realizada no domingo, a prefeitura informou que as empresas já haviam interrompido as atividades em atendimento à determinação municipal. A suspensão permaneceu válida enquanto persistiram as condições meteorológicas consideradas desfavoráveis e até que fossem restabelecidas condições operacionais seguras para a retomada dos trabalhos.

A deputada federal Duda Salabert (Psol) publicou em seu Instagram imagens da nuvem de poeira:

Interrupção foi solicitada preventivamente

No ofício encaminhado às mineradoras, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas determinou a paralisação imediata de todas as atividades com potencial de geração, emissão, arraste ou ressuspensão de material particulado, incluindo operações em frentes de lavra, vias não pavimentadas, pilhas de materiais, áreas de carregamento e descarregamento, pátios, depósitos, correias transportadoras e britadores.

O documento destaca que as empresas já haviam sido previamente alertadas pela prefeitura, por meio de ofícios anteriores, sobre a previsão de condições climáticas desfavoráveis, como ventos fortes, baixa umidade relativa do ar e ausência de chuvas, e orientadas a reforçar preventivamente os controles ambientais para evitar episódios de dispersão de poeira.

Além da interrupção das atividades potencialmente emissoras, a administração municipal determinou a adoção imediata de uma série de medidas emergenciais, entre elas a intensificação da umectação de vias, pátios e áreas operacionais, o uso contínuo de caminhões-pipa, nebulizadores e canhões de névoa, a aplicação de supressores de poeira, a suspensão da movimentação de materiais pulverulentos em áreas descobertas, a redução da velocidade dos veículos, o reforço da limpeza das vias internas, inspeções nos sistemas de despoeiramento e monitoramento permanente das condições meteorológicas.

Mineradoras precisarão prestar contas

As mineradoras também terão de prestar contas formalmente sobre o episódio. A prefeitura estabeleceu prazo máximo de 10 dias corridos, contados a partir do recebimento do ofício, para que cada empresa apresente à Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas um relatório técnico sobre as circunstâncias do caso.

O documento deverá detalhar as atividades que estavam em operação no momento da ocorrência, identificar as áreas e equipamentos com potencial de emissão de poeira, informar os horários da ocorrência, do acionamento dos protocolos de emergência e da paralisação das operações, além de relacionar todas as atividades suspensas.

As empresas também deverão comprovar as medidas preventivas, corretivas, emergenciais e mitigadoras adotadas, demonstrar o cumprimento dos planos de contingência e demais compromissos ambientais, apresentar registros operacionais, dados meteorológicos utilizados, identificação dos equipamentos empregados no controle da poeira, registros fotográficos e audiovisuais, justificativas para eventuais medidas não executadas, avaliação das causas do episódio, análise dos impactos no entorno das minas e um plano de ação corretivo com medidas, responsáveis e prazos para evitar a repetição de ocorrências semelhantes.

Segundo a prefeitura, a apresentação do relatório não afasta eventual responsabilização das empresas pelo episódio. A administração municipal informou ainda que continuará realizando fiscalizações para verificar o cumprimento das determinações e das medidas de controle ambiental durante a retomada das operações.

Procurada, a Gerdau informou que não possui atividade em Congonhas e que “não há qualquer indício de relação das suas atividades com a informação do material particulado lançado na atmosfera da cidade”. A empresa ressaltou, ainda, que “sua operação no município de Ouro Preto é distante dos limites do município de Congonhas”.

Já a Vale, confirmou em nota o recebimento de comunicação da prefeitura de Congonhas, mas ressalta que suas atividades operacionais em Viga e Fábrica já se encontravam suspensas em decorrência do extravasamento ocorrido em janeiro de 2026 e se colocou à disposição para prestar os esclarecimentos necessários.

A CSN Mineração alegou que em razão das fortes rajadas de vento ocorridas na tarde dde domingo (12), interrompeu temporariamente e preventivamente suas operações, para focar suas atividades no reforço das ações de controle de poeira, com intensificação da umectação de vias e áreas expostas por meio de sistemas de aspersões fixas e móveis, aplicação de polímeros, fechamento de vias internas e acompanhamento contínuo das condições climáticas e ambientais.

A Ferro+, do grupo J.Mendes, informou que com relação ao comunicado da prefeitura de Congonhas, adotou as providências cabíveis em sua operação, em conformidade com as orientações dos órgãos competentes. Eclareceu ainda que mantém um programa permanente de controle ambiental, com procedimentos operacionais voltados à mitigação da emissão de material particulado, especialmente durante o período de estiagem, incluindo umectação de vias e áreas operacionais, monitoramento contínuo das condições meteorológicas e adoção de protocolos específicos para situações de maior risco.

Procurada novamente, a prefeitura informou que possui uma parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) que produz um inventário de emissões atmosféricas, chamado Projeto Atmosfera. Esse projeto fez um estudo sobre as emissões atmosféricas da região e identificou que essas quatro empresas como as responsáveis por contribuir para a baixa qualidade do ar na cidade. Porém, não tem como identificar claramente de qual empresa vem a poeira, porque a cidade é rodeada por mineração. Então, segundo o município, toda vez que tem uma notificação, as quatro mineradoras são notificadas em conjunto.

Sobre o autor

Juliana Sodré

Repórter do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela PUC Minas, com especialização em Imagens e Culturas Midiáticas pela UFMG.

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