Após Tapira, Mosaic vai paralisar produção em Uberaba devido à crise global do enxofre
O complexo de produção de fosfato da Mosaic Fertilizantes em Uberaba, no Triângulo Mineiro, entrará em hibernação gradual a partir de setembro. Já a paralisação da unidade de Tapira, no Alto Paranaíba, que já estava em vigor por 30 dias, foi prorrogada por prazo ainda não informado. As medidas, motivadas pela crise global no fornecimento de enxofre, são temporárias, mas podem gerar demissões. As informações foram divulgadas pela companhia nessa quarta-feira (8).
“A Mosaic implementou, em 8 de julho, medidas temporárias de redução de produção em parte de suas operações de fosfato no Brasil em resposta às restrições globais no fornecimento de enxofre, matéria-prima essencial para a fabricação de fertilizantes fosfatados. A decisão reflete um cenário marcado por instabilidade geopolítica, restrições em rotas marítimas internacionais, aumento da demanda global e forte pressão sobre os custos do insumo”, informa a empresa, em nota.
O enxofre é uma matéria-prima essencial para a produção de fertilizantes fosfatados. Para fabricar dez toneladas de fertilizantes DAP ou MAP, por exemplo, são necessárias aproximadamente quatro toneladas do insumo.
O Diário do Comércio procurou as prefeituras de Uberaba e Tapira para comentar a situação e aguarda retorno.
Paralisações e reduções de produção

Diante desse cenário, a companhia revisou seu plano operacional para o segundo semestre de 2026 e decidiu ajustar temporariamente a produção. Em Minas Gerais, a paralisação da unidade de Tapira, iniciada em 1º de junho e prevista para durar 30 dias, foi prorrogada. Em Uberaba, a produção será suspensa gradualmente a partir de setembro.
Nas fábricas de mistura de Candeias, na Bahia, e de Catalão, em Goiás, a interrupção começou nessa quarta-feira (8). Nessas unidades, a Mosaic prevê “possíveis impactos à força de trabalho”, condicionados à conclusão das negociações com os sindicatos.
Já nas unidades de Palmeirante, no Tocantins, e Sorriso, no Mato Grosso, a produção será reduzida, com eventuais reflexos no quadro de funcionários.
O Porto da Fospar, em Paranaguá, no Paraná, seguirá operando normalmente, com a produção de fertilizantes em andamento até o fim de setembro, quando está previsto o esgotamento dos estoques de ácido sulfúrico.
Por fim, a unidade de Cajati, em São Paulo, continuará operando com apoio de importações de enxofre para manter a produção destinada à nutrição animal.
Mudanças são temporárias, mas duração ainda é desconhecida
Em nota, a Mosaic reforça que as medidas adotadas são uma resposta temporária às condições extraordinárias do mercado e não representam mudança na estratégia de longo prazo da companhia. “A Mosaic reafirma seu compromisso com a produção de fosfato e espera retomar a plena capacidade operacional à medida que o fornecimento global de enxofre seja normalizado”, diz.
Apesar disso, a empresa pontua que a duração das restrições ainda é incerta e dependerá de fatores externos, como a estabilização dos preços do enxofre, a normalização das cadeias globais de suprimentos, a reabertura de rotas marítimas internacionais e a evolução do cenário geopolítico.
“O processo está sendo conduzido com foco na segurança, na transparência e na mitigação dos impactos para funcionários, fornecedores, clientes e agricultores. Paralelamente, a companhia avalia alternativas para o suprimento de matérias-primas e mantém diálogo com representantes sindicais, parceiros comerciais e autoridades governamentais”, encerra.
Mosaic Fertilizantes tem prejuízo de US$ 422 mi com paralisações em Minas
Em balanço divulgado em maio, a Mosaic reportou prejuízo operacional de US$ 422 milhões no primeiro trimestre deste ano, em decorrência de US$ 442 milhões em encargos relacionados à decisão de paralisar as operações em Araxá e Patrocínio, no Alto Paranaíba.
“O impacto total no primeiro trimestre foi maior devido a custos adicionais relacionados à depreciação acelerada e às despesas com instalações ociosas associadas ao encerramento dessas operações, que continuarão no segundo trimestre”, informou a companhia, em nota.
Na ocasião, embora a companhia não tenha informado o número de trabalhadores afetados pelas paralisações em Minas Gerais, o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Extração Mineral, Químicas e de Fertilizantes de Araxá e Região (Sima) estimou a demissão de cerca de 1,2 mil profissionais em razão do encerramento das atividades em Araxá.
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