Economia

Mosaic suspende operações em Tapira, no Alto Paranaíba, devido à falta de enxofre e custo da matéria-prima

Em abril, a companhia já havia paralisado operações em Patrocínio e anunciado a desmobilização do complexo em Araxá
Mosaic suspende operações em Tapira, no Alto Paranaíba, devido à falta de enxofre e custo da matéria-prima
Unidade da Mosaic em Tapira concentra mineração de fosfatados e beneficiamento | Foto: Reprodução Site Mosaic

Em razão de dificuldades globais relacionadas ao abastecimento e ao aumento expressivo no custo do enxofre, matéria-prima essencial para a produção de fertilizantes, as operações da Mosaic Fertilizantes no Complexo de Mineração de Tapira (CMT), no Alto Paranaíba, em Minas Gerais, serão suspensas, por 30 dias, a partir da segunda-feira, dia 1º de junho.

A escassez de enxofre para o setor de fertilizantes e a disparada dos preços são motivadas por um conjunto de fatores, entre eles, as guerras no Leste Europeu e no Oriente Médio e a disputa pela matéria-prima com a produção de baterias e lixiviação de minerais críticos.

No CMT, ocorrem as atividades de extração do minério fosfatado, além de beneficiamento e de expedição de concentrado fosfático para o Complexo Industrial de Uberaba (CIU), localizado na região do Triângulo Mineiro.

A decisão foi comunicada pela empresa à prefeitura local. A companhia garantiu para o Executivo municipal que, neste momento, não haverá demissões em decorrência da medida.

Procurada pelo Diário do Comércio, a Mosaic confirmou a suspensão das operações no município mineiro. Informou ainda que a produção de rocha no Complexo Mineroquímico de Catalão (CMC), em Goiás, também será interrompida temporariamente, em junho, com o objetivo de equilibrar o consumo de rocha.

Conforme a companhia, essas paralisações estão em linha com as expectativas compartilhadas no comunicado de resultados do trimestre e discutidas na teleconferência de resultados, no Brasil. A divulgação do balanço do desempenho nos primeiros três meses de 2026 e o encontro com analistas ocorreram na primeira quinzena de maio.

“Os desafios globais e inesperados de acessibilidade e disponibilidade do enxofre nos levaram a reduzir temporariamente a produção em algumas de nossas unidades de fosfato. Essa decisão foi necessária para evitar a paralisação mais ampla e manter as operações até que as condições se estabilizem”, afirmou, em nota. ​

É a crise de abastecimento mais grave desde 2008, afirma companhia

A Mosaic pontuou que um fornecimento estável de enxofre é essencial para as operações. Também ressaltou que, para cada dez toneladas (t) de fertilizante DAP (fosfato diamônico) ou MAP (fosfato monoamônico) produzidas, são necessárias quatro t de enxofre.

Ainda de acordo com a companhia, o custo do enxofre aumentou quase 1.100%, passando de US$ 100/t para mais de US$ 1.200/t. No posicionamento, ela classificou a crise de abastecimento como a mais grave que o setor enfrenta desde 2008.​

“Sabemos que esta decisão afeta mais do que as nossas operações. Ela tem implicações para os nossos funcionários, os nossos clientes e para os agricultores, que atualmente enfrentam pressões semelhantes em relação aos preços e à disponibilidade”, disse.

“Nossa missão é ajudar o mundo a produzir os alimentos de que precisa. Estamos buscando ativamente fontes alternativas de abastecimento e outras soluções para retomar a produção plena o mais breve possível”, ponderou.

Incertezas sobre o futuro da unidade e da Mosaic no Brasil

Durante a paralisação do Complexo de Mineração de Tapira, de acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Extração Mineral, Químicas e de Fertilizantes de Araxá e Região (Sima), Vicente Magalhães, os colaboradores que atuam na produção serão realocados para atividades de manutenção na unidade. Ele diz que, no total, atuam cerca de 1.200 funcionários no CMT, entre próprios e terceirizados.

Segundo Magalhães, a Mosaic informou que a suspensão das operações será de 30 dias. No entanto, não garantiu o retorno das atividades após o período, deixando aberta a possibilidade de conceder férias coletivas aos trabalhadores posteriormente.

Ele afirma que não há clareza nas informações da companhia. Conforme o presidente do Sima, o complexo industrial em Uberaba está operando de forma reduzida, por falta de matéria-prima, o Complexo Mineroquímico de Araxá (CMA) deve ter a desmobilização concluída em setembro e ser vendido, e existem dúvidas quanto ao futuro da unidade de Tapira e da empresa no Brasil. Ele ressalta que não se sabe se o CMT pode ser negociado ou até mesmo se a Mosaic pode deixar de produzir fertilizantes no País.

Neste contexto, vale lembrar que, no dia 8 de abril, a Mosaic anunciou a paralisação das atividades no Complexo de Mineração de Patrocínio (CMP) sem detalhar prazos para o retorno. Também comunicou que fechará a unidade de Araxá e venderá os ativos no município. Antes disso, em 2025, os complexos já haviam sofrido paralisações temporárias.

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