Minerais críticos podem adicionar mais de R$ 40 bilhões ao PIB de Minas

Cadeia produtiva diversificada, infraestrutura, institutos de tecnologia e legislação ambiental moderna são apontados como vantagens competitivas para Minas
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Minerais críticos podem adicionar mais de R$ 40 bilhões ao PIB de Minas
No Brasil, a estimativa é que a exploração dos minerais críticos vai injetar R$ 192,1 bilhões na economia | Foto: Reprodução Site PLS

A expansão dos investimentos na cadeia de minerais críticos e terras-raras poderá adicionar R$ 192,1 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e gerar 750 mil novos empregos até 2050. Somente em Minas Gerais, a exploração desses recursos pode ampliar em 3,8% o PIB, o que equivaleria a R$ 43,9 bilhões a mais, considerando que o Produto Interno Bruto de Minas Gerais em 2025 atingiu o valor recorde de R$ 1,157 trilhão. As projeções de crescimento são de um estudo inédito da Amcham Brasil apresentado durante encontro sobre o tema, na terça-feira (4), em Belo Horizonte.

De acordo com o levantamento, a projeção é muito positiva porque o estudo considera apenas alguns minerais críticos e mostra que uma agenda nacional priorizando agregação de valor promoveria um crescimento regional significativo. “O PIB dos estados cresceria muito, como no caso do Pará, Goiás, Bahia e Minas. No caso de Minas, seria um crescimento de aproximadamente 4%, um crescimento bem robusto”, aponta o diretor de Relações Governamentais e Políticas Públicas da Amcham Brasil, Fabrizio Panzini.

O executivo destaca que Minas tem uma economia diversificada, com várias indústrias e uma cadeia produtiva de destaque. Além disso, ele afirma que o Estado já explora minerais críticos, como o nióbio, inclusive agregando valor ao mineral. De acordo com Panzini, o Estado já está muito preparado para crescer significativamente com a agenda dos minerais críticos, pois conta com institutos de tecnologia, mão de obra qualificada, infraestrutura que pensa a mineração, legislação ambiental que se tornou mais robusta após os casos de rompimento de barragens.

Fabrizio Panzini
Fabrizio Panzini destaca o potencial de Minas Gerais na exploração de minerais críticos | Foto: Divulgação Amcham

“Penso que o Estado tem que olhar para essa agenda como uma agenda de política industrial porque ele também tem uma cadeia de máquinas, equipamentos elétricos e automóveis que pode ganhar com essa exploração”, ressalta o diretor da Amcham Brasil. Ele também destaca que o Brasil vai ter ganhos significativos com a agenda de minerais críticos e que maior atração de investimentos estrangeiros e processamento no Brasil ampliam bastante os ganhos econômicos.

Ao mesmo tempo, o fortalecimento do processamento doméstico intensifica os benefícios para estados com maior presença industrial. Os maiores ganhos adicionais são observados em Santa Catarina, Minas Gerais, São Paulo e Paraná, evidenciando que a agregação de valor eleva os efeitos econômicos para além das regiões produtoras. “A maior atração de investimentos e a agregação de valor no Brasil ampliam os benefícios econômicos da cadeia de minerais críticos para além dos estados produtores, impulsionando também as regiões industriais e fortalecendo a inserção do país nas cadeias globais de tecnologia e da transição energética”, afirma o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto.

Segundo Neto, para que o Brasil aproveite plenamente seu potencial, é preciso uma agenda de políticas públicas voltada ao fortalecimento da cadeia de minerais críticos e terras-raras. Entre as prioridades estão a aprovação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, o fortalecimento dos instrumentos de financiamento e mitigação de riscos, a ampliação da atração de investimentos, o incentivo ao processamento e à industrialização no País e o aperfeiçoamento do ambiente regulatório para estimular investimentos de longo prazo e maior agregação de valor.

Dois cenários

O levantamento da Amcham Brasil projeta dois caminhos para o desenvolvimento da cadeia de minerais críticos e terras-raras no Brasil. No primeiro, os investimentos são financiados majoritariamente por capital doméstico e a produção permanece voltada predominantemente à exportação, com baixa agregação de valor no país. Nesse cenário, o impacto acumulado sobre o PIB alcança R$ 128,7 bilhões, com geração estimada de 304 mil empregos.

Já no segundo cenário, que considera maior participação do investimento estrangeiro, expansão do processamento dos minerais no Brasil e utilização crescente desses insumos pela indústria nacional, os investimentos cresceriam R$120,9 bilhões, com impacto acumulado sobre o PIB de R$ 192,1 bilhões e criação prevista de 750 mil postos de trabalho.

O presidente da Amcham Brasil afirma que o País reúne algumas das maiores reservas de minerais críticos do mundo e tem todas as condições para se tornar um protagonista global nesse mercado. “Quanto maior a capacidade de atrair investimentos, maior será a transformação dessa riqueza mineral em valor, tecnologia, empregos e desenvolvimento industrial e econômico”, assinala Neto. A comparação entre os dois cenários demonstra que a atração de capital internacional e o adensamento das cadeias produtivas podem adicionar R$ 63,4 bilhões ao PIB, R$ 32,3 bilhões ao consumo das famílias, R$ 16,1 bilhões aos investimentos e 446 mil empregos, além dos efeitos já proporcionados pela expansão da mineração.

O estudo utiliza projeções já feitas em outros trabalhos globais e internos no Brasil para estimar a demanda por esses minerais e elementos de terras-raras e de uma carteira de projetos de investimentos previstos e considera os minerais cobalto, cobre, grafita, lítio, níquel e elementos de terras-raras. O levantamento foi elaborado por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), com apoio da U.S. Chamber of Commerce e de empresas do setor.

Sobre o autor

Ana Karenina Berutti

Repórter do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo e mestre em Letras pela PUC Minas. Experiência de 30 anos em cobertura política e econômica.

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