Dia dos Namorados: intenção de compra cai, mas gasto médio aumenta em BH
O número de pessoas que pretendem presentear o companheiro ou a companheira no Dia dos Namorados caiu 3,28% em relação ao ano passado em Belo Horizonte, segundo pesquisa do Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead), atingindo o menor patamar desde 2022. O estudo aponta mudanças no comportamento do consumidor em relação à data comemorativa.
De acordo com o levantamento, 32,39% dos entrevistados afirmaram que pretendem comprar presentes neste ano, percentual inferior aos 33,49% registrados em 2025 e bem abaixo dos 41,43% observados em 2023. Com isso, 67,61% disseram que não irão presentear, o maior índice desde 2022.

Para o gerente de pesquisas do Ipead, Eduardo Antunes, a redução está ligada, em parte, às transformações nas relações afetivas. “A gente tem que olhar para o lado do compromisso, das relações mais formais. Isso vem mudando ao longo do tempo”, afirma.
Além disso, fatores econômicos também ajudam a explicar o resultado da pesquisa. “A gente não pode descartar a questão da capacidade financeira das pessoas para comprar presentes”, diz Antunes. Ele destaca que o calendário repleto de datas comemorativas, como Dia das Mães, Dia dos Pais, Natal e os próprios aniversários ao longo do ano, obriga o consumidor a priorizar seus gastos. “As pessoas acabam tendo que escolher em qual data efetivamente vão dar presente”, completa.
Se, por um lado, menos pessoas pretendem presentear, por outro, quem decidir comprar deverá gastar mais. O tíquete médio estimado para 2026 é de R$ 176,95, alta de 12,32% em relação ao ano anterior, quando a intenção de gasto era de R$ 157,53. Segundo Antunes, esse aumento é influenciado tanto pela inflação quanto pela busca por presentes mais significativos. “Os produtos e serviços vêm ficando mais caros, e isso pressiona o tíquete médio”, explica.
Apesar da elevação no valor médio, a maior parte dos entrevistados (59,74%) afirma que pretende gastar o mesmo valor desembolsado no ano passado. Para o pesquisador, isso indica que o nível de gasto já vinha elevado anteriormente. “Desde o ano passado, as pessoas já estão gastando muito em relação ao valor do presente”, avalia.
Presentes e experiências ganham espaço
Entre os itens mais procurados, os acessórios lideram com 30% das intenções de compra, seguidos por roupas (25%) e experiências, como almoço ou jantar especial (23,75%). Calçados (20%), cosméticos (18,75%) e chocolates (17,5%) também aparecem entre as opções mais citadas.
A presença de experiências entre os principais itens reforça, segundo Antunes, uma mudança no perfil de consumo, marcada pela maior valorização de momentos compartilhados em detrimento de bens materiais.
A tendência também tem chamado a atenção dos empresários. De acordo com pesquisa da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), divulgada nesta segunda-feira (1º), 74% dos empresários que responderam ao questionário esperam faturar mais do que em uma sexta-feira comum. Entre eles, 49% projetam crescimento de até 20% nas vendas, enquanto 26% esperam um aumento ainda maior.
A presidente da Abrasel Minas Gerais, Karla Rocha, ressalta que, embora o momento econômico exija cautela, a data representa uma oportunidade importante para o setor. “A expectativa é que ocasiões como essa reforcem o movimento nos estabelecimentos, contribuindo para melhores resultados de caixa e para o aumento do faturamento das empresas”, afirma.
Compra presencial ainda predomina
Ainda de acordo com o levantamento do Ipead, mesmo com o avanço do comércio eletrônico, a compra presencial continua sendo a principal escolha de 36,25% dos entrevistados.
Para o gerente de pesquisas do Ipead, esse comportamento reflete tanto características culturais quanto fatores práticos. “O belo-horizontino gosta muito de verificar os produtos presencialmente, mas também há a questão das compras de última hora”, afirma. Segundo ele, a busca por promoções e a necessidade de garantir o presente a tempo favorecem o comércio físico.
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