Economia

Nova mistura de etanol deve ampliar investimentos e produção em Minas Gerais

Aumento do percentual do etanol na gasolina foi anunciado ontem; setor automobilístico mostra-se mais cauteloso e chegou a requerer adiamento e mais testes
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Nova mistura de etanol deve ampliar investimentos e produção em Minas Gerais
Na segunda-feira (13), ministro Alexandre Silveira (à esquerda), vice-presidente Alkmin e presidente Lula visitaram IMT, onde foram feitos os testes dos combustíveis | Foto: Ricardo Stuckert / PR

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aumentou de 30% para 32% o percentual de etanol anidro misturado à gasolina. A mudança foi bem recebida pela indústria e representantes do setor sucroenergético em Minas, grande produtor de etanol do Brasil. Os aspectos positivos apontados são o fortalecimento da participação dos combustíveis renováveis na matriz energética nacional e o reforço na estratégia de diversificação das fontes de energia do País. A partir de 1º de agosto, todas as distribuidoras são obrigadas a adotar a nova medida.

Para a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), a medida deve ampliar o consumo do biocombustível, reduzir a dependência brasileira de combustíveis fósseis importados e estimular investimentos em estados produtores, como Minas Gerais.

Além disso, o presidente da Associação da Indústria da Bioenergia e do Açúcar de Minas Gerais (Siamig Bioenergia), Mário Campos Filho, apontou que a ampliação da participação do etanol na gasolina também reduz a exposição do Brasil às oscilações do mercado internacional de petróleo e aos impactos provocados por conflitos geopolíticos. “Minas Gerais, um dos principais produtores de biocombustíveis do país, tem potencial para ampliar sua participação nesse movimento, fortalecer sua competitividade e contribuir para o desenvolvimento econômico e a transição energética brasileira”, destacou Campos.

A estimativa projetada pela Siamig Bioenergia é de que, com a adoção da chamada mistura E32, haverá aumento na demanda por etanol anidro em cerca de 900 milhões de litros por ano, aumento esse que deve beneficiar toda a cadeia sucroenergética, com reflexos sobre investimentos, geração de empregos e expansão da produção.

Contraponto

Em contrapartida, representantes do setor automotivo, como a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores (Abeifa) e o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças) se posicionaram de forma mais cautelosa diante da medida do CNPE. As instituições vinham pedindo o adiamento da medida e cobrando mais testes, alegando que o E32 pode causar danos a motores importados e a veículos com mais de 20 anos.

Além disso, o setor apontou que veículos mais antigos, modelos importados e aqueles com injeção direta, projetados para teores menores de etanol, são os mais vulneráveis a falhas no sistema de alimentação, corrosão de peças e aumento no consumo de combustível, gerando implicações diretas para os consumidores.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, contou que, durante visita dele e do presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), na segunda-feira (13), estavam presentes representantes do setor automotivo. “Que não haja nos interesses contrariados nenhuma tentativa de distorção da realidade. Estavam presentes também representantes da indústria automobilística em geral, todos com o mesmo discurso e aplaudindo a responsabilidade dessa política que o presidente Lula iniciou”, pontuou. Segundo o ministro, o governo quer, além de agilidade, responsabilidade com os usuários de veículos.

Para Silveira, com os testes realizados pelo IMT, “temos a motorização dos veículos completamente preservada, por isso os testes foram feitos com tanto zelo e tanta qualidade”. Segundo ele, o instituto autorizou o aumento até 32% e os testes para um possível futuro aumento para 35% vão continuar. “O governo quer o menor impacto na bomba para os consumidores, para os caminhoneiros porque sabe a importância disso na cadeia econômica do país e não é só a questão da viabilidade garantida pelos testes, mas tem que ser economicamente viável também”, afirmou Silveira.

Apesar de a medida ser temporária – 180 dias prorrogáveis – o ministro Alexandre Silveira garantiu que a chance dela se tornar permanente é “completa e total”. Ele explicou que a transitoriedade é por um excesso de zelo do governo. “Nós fizemos os testes até o E32 e, no etanol, estamos completamente seguros de avançar até os 32%. A transitoriedade é uma maneira de nos precavermos para que, em 180 dias, possamos tomar uma decisão definitiva”, pontuou Silveira. Segundo o ministro, o o governo quer dar a previsibilidade que o setor precisava para iniciar os novos investimentos que geram emprego, renda, inclusão e crescimento econômico.

Contexto geopolítico

O ministro afirmou que o governo federal tomou todas as medidas para minimizar os impactos da guerra no Oriente Médio e da instabilidade no Estreito de Ormuz a fim garantir a soberania do país. Segundo Silveira, o biodiesel e o etanol são patrimônio do Brasil e garantem a soberania energética do país. “Enquanto a economia global discute dois aspectos principais, segurança energética e segurança alimentar, nós temos duas fontes que nos garantem as duas coisas, garantem menos importação de gasolina e diesel, autossuficiência e consequente segurança alimentar. O presidente Lula levou o cenário geopolítico em conta”, assinalou.

Impacto em Minas

A avaliação da indústria é que o aumento da mistura poderá estimular novos investimentos na cadeia produtiva estadual e ampliar a participação mineira no mercado nacional de etanol. Como Minas Gerais é um dos principais produtores brasileiros de biocombustíveis, a expectativa é de fortalecimento da competitividade do setor.

A Fiemg destaca, ainda, que a expansão do uso de combustíveis renováveis aumenta a resiliência da matriz energética brasileira e reforça o papel estratégico do setor sucroenergético para o desenvolvimento econômico do Estado e do País.

Sobre o autor

Ana Karenina Berutti

Repórter do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo e mestre em Letras pela PUC Minas. Experiência de 30 anos em cobertura política e econômica.

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