CNPE deve decidir na próxima semana sobre adoção do E32, anuncia Alexandre Silveira
O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) deve se reunir na próxima semana para decidir sobre a elevação de 30% para 32% na mistura de etanol anidro na gasolina, chamada de E32, disse o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, após reunião na sede da Superintendência da Polícia Federal, em Belo Horizonte, na tarde de sexta-feira (3). A deliberação oficial, que vinha sendo adiada pelo governo federal para reavaliações de agenda e ajustes políticos, deve, enfim, sair do papel. Segundo o ministro, após a votação do conselho, “a medida passa a valer imediatamente”.
Para o ministro, a medida a ser analisada pelo conselho de ministros é fundamental para a segurança energética, a jornada de descarbonização e a conquista da autossuficiência do Brasil no setor. Com isso, segundo Silveira, o País não dependeria mais da importação de gasolina, o que minimizaria os impactos gerados pela guerra no Oriente Médio no setor energético. O ministro lembrou que essa foi uma reivindicação trazida pelo setor e será submetida ao CNPE nesta reunião marcada para os próximos dias com o objetivo de debater e deliberar sobre o tema.
Enquanto o setor espera uma decisão, o aumento da mistura de etanol na gasolina vem sendo tratado pelo governo há alguns meses. Em maio deste ano, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Fernando Elias Rosa, disse que a reunião para o estabelecimento do E32 iria ocorrer na primeira quinzena de junho. Agora, Silveira confirmou que a reunião acontecerá na próxima semana.
O aumento para 32% na mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina vendida no Brasil, atualmente em 30%, busca reduzir a dependência de combustíveis fósseis e conter os custos de importação. A medida é benéfica para o setor sucroenergético, uma vez que eleva a demanda por etanol anidro em mais de 1 bilhão de litros anualmente, garantindo mercado e previsibilidade.
Para o diretor-presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), Evandro Gussi, a mistura de 32%, que já foi testada com sucesso quando houve o aumento para 30%, pode levar à redução de preços e custos. Ele manifesta expectativa positiva com a medida porque o Brasil pode reduzir o consumo de gasolina importada, o que vai levar o consumidor a economizar no seu abastecimento e garantir mais sustentabilidade e segurança energética para o País.
O benefício será sentido também pelo governo federal, uma vez que a medida auxilia no cumprimento das metas climáticas internacionais de redução de emissões de carbono e estabiliza os preços internos, evitando choques globais nos preços do petróleo. Acrescenta-se a esse cenário o fato de que o Brasil deve ter uma produção recorde de etanol em 2026, com maiores volumes do biocombustível de cana e de milho.
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