Novas regras infralegais devem beneficiar o setor produtivo

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Novas regras infralegais devem beneficiar o setor produtivo
Marco Regulatório Trabalhista Infralegal foi tema de encontro realizado ontem na sede da Fiemg em Belo Horizonte | Crédito: Sebastião Jacinto Jr / Fiemg

A melhoria do ambiente de negócios é o principal ganho prometido pelo Marco Regulatório Trabalhista Infralegal. Formalizado na última semana, por meio de decreto presidencial, na prática, o ato simplifica normas que hierarquicamente estão abaixo das leis desde a edição da CLT em 1943. Em Minas Gerais, mais de 60 mil indústrias e 1 milhão de trabalhadores serão direta ou indiretamente beneficiados.

A avaliação foi feita pela presidente do Conselho de Relações do Trabalho e Gestão de Pessoas da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Érika Morreale Diniz, durante palestra do secretário-executivo do Ministério do Trabalho e Previdência, Bruno Silva Dalcolmo. Na condição atual de ministro interino, Dalcolmo falou aos empresários mineiros sobre as principais mudanças nas regras trabalhistas bem como os próximos passos e desafios no que diz respeito ao mercado de trabalho nacional.

Segundo Érika Morreale, a consolidação dos atos e normas traz impactos positivos à medida que desburocratiza e simplifica a aplicação das relações de trabalho, que são muito complexas. “Desde a CLT, em 1943, esse é o mais importante ato. Estamos falando de uma simplificação de 2 mil atos normativos em 15 que abrangem temas complexos e diversos com a meta de simplificar, o que por si só, já é algo muito positivo, pois reduz custos para os empregadores e gera segurança jurídica, pilar de suma importância para os trabalhadores”, disse.

O contexto e o ambiente de negócios melhoram porque as mudanças os tornam mais plausíveis e factíveis. “A Fiemg representa mais de 60 mil indústrias em todo o Estado e preza para que elas permaneçam de pé e que novas empresas integrem esse quadro. Para isso, o ambiente de modificação e aperfeiçoamento constante são práticas muito bem-vindas e fundamentais para esse processo”, completou.

Na mesma medida, o presidente da entidade, Flávio Roscoe, que participou à distância, diretamente da Expo Dubai 2020, nos Emirados Árabes Unidos, onde juntamente com uma comitiva de 160 empresários mineiros prospecta negócios para Minas Gerais, destacou a importância do Marco Regulatório Trabalhista Infralegal.

“É uma importante iniciativa para modernizar nossa regulamentação trabalhista, para ampliar a empregabilidade, fazer com que o setor produtivo seja mais competitivo e também conferir maior segurança jurídica aos negócios. Quanto mais favorável tornarmos o ambiente, maior será o número de postos de trabalho gerados. Assim como foi feito durante a pandemia, quando foram preservados milhões de empregos com as medidas adotadas pelo Ministério da Economia e Ministério do Trabalho”, afirmou.

Dalcolmo, por sua vez, detalhou alguns pontos alterados pela consolidação do marco. Lembrou que, na prática, mais de 2 mil atos normativos, entre decretos, portarias, notas técnicas, manuais da fiscalização, entre outros, foram consolidados em apenas 15 atos normativos.

Para isso, o trabalho contou com três etapas: organização, eliminação do que era possível e já estava obsoleto e modernização. E, antes de ser editado, o documento foi debatido em dez consultas públicas, que receberam mais de 6 mil sugestões da sociedade.

“Temos proporcionado alguns marcos nas relações trabalhistas no País nos últimos anos, este é mais um que representa um grande pilar de melhoria do ambiente de negócios e se trata de um dos maiores projetos estratégicos do governo Bolsonaro. E com o objetivo de não apenas consolidar, mas de simplificar, eliminando burocracias desnecessárias, e atualizar todas as normativas”, explicou.

Normas

No geral, as normas abrangem assuntos como carteira de trabalho, aprendizagem profissional, gratificação natalina, programa de alimentação do trabalhador, registro sindical e profissional, além de questões ligadas à fiscalização, como certificado de aprovação de equipamento de proteção individual.

normas infralegais consideradas obsoletas foram excluídas, como regras para empregados domésticos que perderam a validade com a lei complementar de 2015 que regulamentou o regime de trabalho da categoria. Também foram revogadas portarias sobre registro de ponto para controlar a jornada de trabalho, procedimentos diferenciados para a emissão de carteira de trabalho para estrangeiros, regras de aprendizagem profissional e de certificados para equipamentos de proteção individual.

“As alterações relativas ao ponto implica em melhoria de todo o sistema, de forma simplificada e incorpora todas as mais modernas tecnologias que permitem, inclusive, o controle à distância (trabalho remoto), por meio da geolocalização do celular. É um processo mais automatizado, sem filas e sem riscos sanitários diante do contexto de pandemia”, exemplificou o secretário.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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