Economia

Setor de máquinas opera longe do nível pré-crise

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Setor de máquinas opera longe do nível pré-crise
Crédito: Alisson J. Silva/Arquivo DC

Embora a indústria de bens de capital tenha começado a recuperar parte do Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci), o resultado ainda está longe do patamar pré-crise, quando ultrapassava os 80% de ocupação. Passados os quatro primeiros meses de 2019, o nível de utilização do setor tanto em âmbito nacional quanto estadual tem beirado os 70%.

A informação é do membro do Conselho da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Marcelo Veneroso, que ressalta que isso significa que cerca de 30% das máquinas da indústria de bens de capital permaneceram paradas no decorrer do primeiro quadrimestre deste ano.

“O setor viveu tempos áureos entre 2006 e 2008, quando havia muitos setores investindo na renovação de seus parques fabris. Com o aumento da demanda, naquela época, as indústrias de máquinas investiram em aumento da capacidade, mas, em 2011, a produção começou a cair e o nível de ociosidade a aumentar. Desde então, não retomamos os patamares pré-crise”, explicou.

Somente em abril, o Nuci do setor no País chegou a 74,7%, representando uma baixa de 1,3% sobre o mês anterior, piorando o quadro de ociosidade (25,3%). No Estado, especificamente, houve aumento de 0,4% sobre março deste ano e queda de 2,1% frente a igual época do ano passado, acompanhando mais ou menos o nível brasileiro.

Assim, a carteira de pedidos registrou outra queda em âmbito nacional, de 8,7% sobre o mês anterior, como reflexo da baixa observada no último trimestre. De qualquer maneira, vale destacar que tanto o nível de utilização da capacidade instalada como a carteira de pedidos estão em patamares superiores aos registrados em 2018.

“Na hora que houver um aumento, de fato, da demanda, teremos condições de atender aos pedidos apenas com a inclusão de mais um turno de operação em determinadas indústrias, devido aos investimentos em aumento da capacidade realizados no passado”, afirmou.

Reformas estruturantes – No entanto, Veneroso ponderou que este aumento da demanda somente virá quando a economia nacional for o que ele chamou de “destravada”. Para ele, os investimentos precisam acontecer e somente ocorrerão quando houver a estabilidade econômica e política que os investidores buscam no Brasil.

“Tudo isso depende da aprovação das tão esperadas reformas estruturantes. A reforma da Previdência tem que desemperrar para que possamos dar sequência à reforma Tributária e destravar, de vez, a economia”, completou.

Sobre o desempenho no último mês, segundo balanço da entidade, o setor em Minas Gerais teve leve alta de 1,2% no faturamento em abril na comparação com o resultado registrado em março. Já sobre igual época de 2018, o crescimento foi de apenas 0,3%.

Segundo Veneroso, o cenário econômico não teve nenhuma mudança significativa. O setor registrou alta nas exportações em função de resultados isolados do setor agrícola, o que ainda não representa um crescimento significativo para o setor. O movimento das exportações de máquinas e equipamentos no Estado em relação a março e ao mesmo período do ano passado foi de 13,6% e 8,1% respectivamente.

Confiança diminui na indústria nacional

Rio de Janeiro – O Índice de Confiança da Indústria, calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), recuou 0,7 ponto de abril para maio. Com a queda, o indicador passou para 97,2 pontos, em uma escala de zero a 200.

A confiança caiu em dez dos 19 segmentos industriais pesquisados pela FGV. A queda foi puxada pelo recuo de 1,5 ponto do Índice de Expectativas, que mede a confiança dos empresários no futuro: passou para 95,9 pontos. A principal influência veio da perspectiva de contratações do setor nos próximos três meses, que diminuiu 3,6 pontos.

Já o Índice da Situação Atual, que mede a confiança dos empresários no momento presente, permaneceu estável em 98,5 pontos. Houve queda de 2,9 pontos do indicador do nível de estoques, mas as outras duas variáveis cresceram, o que levou à estabilidade do Índice da Situação Atual.

Segundo o pesquisador da FGV Aloisio Campelo Jr., o resultado mostra um empresariado ligeiramente pessimista em relação aos próximos meses. Quanto à situação atual, há, para Campelo Jr., sinais dúbios.

“Após meses andando de lado, o nível de utilização da capacidade voltou a subir, mas houve, em paralelo, acúmulo de estoques indesejados”, disse.

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) subiu 0,8 ponto percentual entre abril e maio, retornando para 75,3%, o mesmo patamar de novembro de 2018. (ABr)

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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