Apesar de sinais de melhora para 2020, setor ainda não faz projeções de crescimento para o período - CREDITO:ALISSON J. SILVA

O mercado de padarias, ao mesmo tempo que enfrentou desafios motivados por crises internas e externas, também tem tido a oportunidade de se erguer (ou reerguer) de forma diferenciada. A ideia de que esses estabelecimentos devem comercializar só itens como pão, leite e queijo já não existe mais.

E foi justamente a convicção de que os serviços, como almoços e jantares, por exemplo, fazem a diferença nas padarias, que possibilitou que muitas conseguissem um crescimento de cerca de 6% em 2019, de acordo com o presidente do Sindicato e Associação Mineira da Indústria de Panificação (Amipão), Vinicius Dantas.

O profissional calcula que a expansão do setor em Minas girou justamente em torno desse valor de 4% a 6%, com o número mais alto tendo como destaque quem soube se adaptar aos novos modos de consumo da população.

Chegar a essa expansão no segmento, em pleno 2019, no entanto, não foi tarefa fácil. Segundo Vinícius Dantas, a crise financeira que o País atravessou nos últimos anos fez com que muitos empresários parassem os seus investimentos. “Dinheiro ficou difícil”, diz ele.

Expectativas –  Já do futuro, não se sabe muito. O presidente da Amipão diz que 2020 ainda é uma incógnita e prefere não falar em números de crescimento nesse momento, embora há fatores que já sinalizam possíveis melhorias, segundo ele, como as reformas estruturais no Estado e no País.

“A reforma trabalhista, por exemplo, já impulsionou bastante o mercado”, analisa ele, que ainda destaca os juros mais baixos como algo positivo. Além disso, diz Vinícius Dantas, as coisas estão mais claras para os empresários, “que deixaram de ser marginalizados. Antes, já eram julgados antes mesmo de começarem a empreender”, afirma.

No entanto, ainda há os desafios que precisam ser superados, lembra ele, como a crise na Argentina, principal fornecedor de trigo para o Brasil, e o aumento do preço de comercialização do produto.

Novos tempos – Diante de todo esse cenário, desafiador e cheio de oportunidades ao mesmo tempo, não foram somente as padarias que mudaram e que continuam precisando se adaptar a uma nova realidade. Os empreendedores também passaram por transformações e precisam continuar nesse processo. Vinícius Dantas salienta que os empresários estão amadurecendo e aprendendo a fazer gestão.

“Antigamente, abria-se uma porta e era natural que os resultados acontecessem. Hoje é preciso ser criativo, tem que ser gestor, criar novos processos e agregar valor ao produto inicial”, destaca.

E, se depender do mercado de alimentação fora do lar, a tendência é de que quem estiver bem preparado vai conseguir atender a um novo perfil de consumidor, que opta cada vez mais por comer fora de casa.

“As pessoas começaram a medir o custo-benefício de se fazer uso desses serviços. Elas passaram a perceber que consumir no estabelecimento comercial ganha tempo e, hoje em dia, todos andam com o tempo bem curto”, destaca ele.