Crédito: Manoel Evandro

Em 20 dias de isolamento social devido à pandemia do novo coronavírus (Covid-19), o setor de comércio e serviços de Minas Gerais deixou de gerar R$ 9,2 bilhões, o que equivale a uma perda de R$ 462,7 milhões diários.

Os dados foram levantados pelo economista da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Minas Gerais (FCDL-MG), Vinícius Carlos. Os números têm como base informações do Ministério da Economia e da Fundação João Pinheiro (FJP).

“O cenário é bastante preocupante, principalmente pelo lado da saúde. Realmente, são necessárias medidas fortes para salvar a vida das pessoas, garantir o bem-estar da população. Ao mesmo tempo, também temos de pensar em como está a nossa economia e nos reinventarmos”, destaca Vinícius Carlos.

Atualmente, de acordo com os dados levantados pelo economista, 57,6% dos estabelecimentos do segmento de comércio e serviços estão fechados no Estado. O setor responde por 52% do Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais, ou seja, R$ 289 bilhões anuais.

Além disso, a área, com exceção da administração pública, gera 2,6 milhões de empregos no Estado, distribuídos em 353 mil estabelecimentos, o que representa 54,3% dos postos de trabalho.

“Existe uma preocupação a respeito de como os estabelecimentos vão conseguir pagar as suas contas, gerar riquezas, fazer a economia girar. Muitas micro e pequenas empresas não têm estrutura para se manter”, diz Vinícius Carlos.

Neste momento, destaca ele, é importante pensar em alternativas, como muitas empresas já vêm fazendo. Os investimentos em delivery são um exemplo disso, afirma o economista, assim como a utilização do e-commerce.

Medidas – Apesar dos números negativos, Vinícius Carlos avalia que os impactos da pandemia serão minimizados pelas medidas que vêm sendo adotadas pelo Estado e pelo governo federal, como as ligadas à manutenção do emprego e às linhas de financiamento.

No entanto, afirma o economista, caso essa situação perdure por um tempo maior, pode ser necessário estender essas medidas.

Pós-pandemia – Mesmo quando a pandemia do novo coronavírus (Covid-19) acabar, as coisas levarão algum tempo para se normalizar no que diz respeito ao mercado consumidor. Conforme ressalta Vinícius Carlos, por mais que existam medidas que mantêm o poder de compra de parte da população, as pessoas poderão ficar receosas de sair às ruas por um período.

“Quando chegar o momento, será preciso fazer um trabalho com a sociedade, para que ela se sinta confiante novamente”, frisa.

Consumo de bens industriais recua no País

Rio de Janeiro – O Indicador de Consumo Aparente de Bens Industriais caiu 1% em fevereiro deste ano, na comparação com janeiro, na série com ajuste sazonal. O dado mede a produção industrial interna não exportada, acrescida das importações, e foi divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Na comparação anual, com fevereiro de 2019, o indicador subiu 1,2%. Em janeiro, o indicador tinha registrado alta de 11,1% e fechou o trimestre móvel encerrado em fevereiro com recuo de 3,4%. O acumulado de 12 meses teve ligeira queda no consumo aparente, de 0,1%, e a produção industrial, medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), acumulou baixa de 1,2%.

Segundo o Ipea, entre os componentes do consumo aparente, houve retração de 1,4% na demanda interna por bens industriais nacionais e avanço de 0,2% nas importações. Fevereiro registrou alta de 6,2% no consumo aparente de bens de capital e de 1,1% nos bens de consumo duráveis, enquanto os bens intermediários tiveram queda de 1%.

Por classes de produção, houve leve alta de 0,4% na demanda interna por bens da indústria de transformação. A indústria extrativa mineral recuou 12,1%, depois do avanço de 28,3% registrado em janeiro. Dos 22 segmentos da indústria de transformação, dez subiram no período, com destaque para máquinas e equipamentos, que cresceu 9,8% em fevereiro. (ABr)