Crédito: Manoel Evandro

O levantamento realizado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio-MG) sobre os impactos do Covid-19 nos setores econômicos, divulgado ontem, trouxe dados preocupantes, porém, dentro do esperado pela federação. As perdas dos setores produtivos do Estado superam os 50%.

A pesquisa demonstrou que 60,5% dos empresários de Minas Gerais paralisaram as atividades, sendo que a maioria vai mantê-las suspensas por tempo indeterminado. Por outro lado, cerca de 20% não paralisaram suas atividades, dada a essencialidade do bem vendido e/ou serviço prestado ou a adoção do regime home office.

Entre os setores mais impactados, segundo o levantamento, estão serviços (89,5%), comércio varejista (85,3%), indústria (84,8%), comércio atacadista (80,4%) e agricultura (65,6%). Não à toa, a Confederação Nacional do Comércio (CNC) estima que somente o varejo mineiro perderá R$ 4,45 bilhões entre 23 de março e 10 de abril, uma queda de quase 28% no faturamento para o período.

Desafios – De acordo com o economista-chefe da Fecomércio-MG, Guilherme Almeida, o ineditismo e alcance da pandemia geram um sentimento muito grande de insegurança entre os empresários e isso dificulta que as empresas se organizem para enfrentar a crise.

“Essa é uma situação diferente, porque é uma crise humanitária, uma crise sanitária, que se desdobra em uma crise econômica. Em níveis diferentes, mas todos vão senti-la. O fechamento das atividades e a restrição de circulação de pessoas levam a um impacto muito grande principalmente no varejo. De outro lado, alguns setores estão vendendo mais, como supermercados e farmácias, mas o saldo final da economia é negativo”, explica Almeida.

Setores como o de alimentação fora do lar e turismo, baseados em empresas de pequeno porte, sofrem um impacto direto e imediato. Sem consumidores logo no primeiro momento, essas empresas se esforçam para aderir aos modelos digitais e, em muitos casos, são obrigadas a recorrer a medidas de redução de custo, chegando às demissões.

“As pequenas empresas sofrem muito porque, via de regra, atuam sob margens estreitas e têm mais necessidade de capital de giro. Muitas sequer atuam no mercado virtual e não tem conhecimento nem capacidade de investimento para aderir a essa ferramenta em meio à crise”, pontua.

Os reflexos negativos podem ser contabilizados com a redução do fluxo de vendas, da prestação de serviços e da produção, transtorno relatado por 82% dos empresários. Já a queda no fluxo de clientes, em virtude da restrição de circulação de pessoas, foi sentida por 58,8% dos entrevistados no levantamento.

Além disso, 54% dos entrevistados afirmaram que as perdas em vendas, prestação de serviços e produção já estão acima dos 50%. E 45% afirmaram que os preços praticados por seus fornecedores aumentaram ou irão aumentar em decorrência da quarentena.

“O Estado tem um papel nos momentos de crise de ser o garantidor do bem-estar das pessoas. É um desafio para todos os governantes passar por este momento e ainda tomar medidas para preparar a retomada econômica. Várias medidas já foram tomadas em âmbito federal e estadual, mas ainda não tiveram tempo de serem implementadas e surtirem efeitos. Vemos como positivas a abertura de crédito facilitado e o adiamento de cobrança de alguns tributos, por exemplo, mas é preciso mais. É importante olhar especialmente para os pequenos empreendedores. Quando falamos em abertura de crédito estamos falando de contrair dívidas. Boa parte não tem, sequer, o que dar como garantia. As micro e pequenas empresas são responsáveis por 59% dos empregos formais em Minas Gerais. É preciso fazer com que as medidas cheguem até elas”, avalia o economista-chefe da Fecomércio-MG.

Governo estende prazo para declaração do IR

Brasília – Cerca de 32 milhões de pessoas físicas ganharam mais dois meses para entregarem a declaração do Imposto de Renda Pessoa Física. O prazo, que acabaria em 30 de abril, foi estendido para 30 de junho, anunciou há pouco o secretário da Receita Federal, José Barroso Tostes Neto.

Segundo o secretário, apesar de a entrega das declarações neste ano estar em ritmo superior ao do mesmo período do ano passado, a Receita concordou em prorrogar o prazo depois de ouvir relatos de contribuintes confinados em casa com dificuldades em obter documentos na empresa ou de conseguir recibos com clínicas médicas para deduzirem gastos.

“O ritmo de entrega continua bom. Até ontem, tínhamos recebido 8,8 milhões de declarações, 400 mil a mais que no mesmo período do ano passado. Isso representa 27% do esperado. Porém decidimos pela prorrogação por demanda de contribuintes confinados em casa, mas que relatam a falta de documentos ou documentos que estão na empresa, no escritório ou na clínica. Eles estão com dificuldade momentânea de obter todos os documentos necessários”, explicou.

IOF – Tostes também anunciou a total desoneração, por 90 dias, de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre operações de crédito. A medida terá como objetivo baratear as linhas emergenciais de crédito já anunciadas pelo governo. Segundo ele, o governo deixará de arrecadar R$ 7 bilhões com a desoneração.

A última medida anunciada pelo secretário foi o adiamento das contribuições de abril e de maio para o Programa de Integração Social (PIS), o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da contribuição patronal para a Previdência Social, paga pelos empregadores.

As parcelas só serão pagas de agosto a outubro, permitindo a injeção de R$ 80 bilhões na economia. (ABr)