Petrobras e México fazem acordo em busca de pré-sal mexicano
A Petrobras e a estatal mexicana Pemex assinaram nesta terça-feira (23) acordo de cooperação para estudar negócios em conjunto. Uma das prioridades é a busca por petróleo em águas profundas na porção mexicana do golfo do México.
“Não é crível que a gente olhe para o golfo do México e diga que todo o óleo escolheu ficar na porção americana, que foi a mais desenvolvida, que recebeu investimento ao longo de tantos anos”, disse a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, em entrevista após a assinatura do acordo.
O México já produziu mais petróleo do que o Brasil, mas a falta de investimentos e o sucateamento do parque estatal levaram a um declínio nos últimos anos. A produção local caiu de cerca de 3,5 milhões de barris por dia na primeira metade dos anos 2000 para menos de 2 milhões de barris por dia.
A parceria entre a Petrobras e Pemex prevê a análise de oportunidades em exploração e produção, recuperação de campos já em declínio, refino, petroquímica e fertilizantes. As empresas vão analisar negócios no México, na África e no Brasil.
O diretor-geral da Pemex, Juan Carlos Capio Fragoso, afirmou esperar que as duas empresas encontrem oportunidades no pré-sal mexicano. No Brasil, reservas abaixo de uma espessa camada de sal no litoral da região Sudeste tornaram o petróleo o principal produto da balança comercial.
A costa mexicana também tem estruturas subterrâneas de sal, mas ainda não foram exploradas. Magda disse que a ideia é levar a experiência brasileira para o país. “Precisamos olhar o golfo do México com novos olhos. Se fizer as mesmas perguntas, vamos ter as mesmas respostas”, declarou.
Ela citou o campo gigante de Cantarell, em águas rasas na costa mexicana, como um exemplo do potencial petrolífero do México. Descoberto em 1976, o campo chegou a produzir mais de dois milhões de barris por dia no início dos anos 2000.
É mais do que o dobro do que produz o maior campo do pré-sal brasileiro, Búzios. Mas o declínio natural da produção e a falta de investimentos em tecnologias de recuperação ou exploração de reservas adjacentes levou esse volume para cerca de 100 mil barris no ano passado.
A Pemex passa por anos de sucateamento e enfrenta dificuldades financeiras e elevado endividamento. Fechou 2025 com prejuízo de US$ 2,5 bilhões (R$ 13 bilhões) e dívida de US$ 85 bilhões (R$ 450 bilhões). O diretor-geral da empresa afirmou que a situação está melhorando e liberando recursos para investimentos de longo prazo.
Na cerimônia de assinatura, representantes brasileiros e mexicanos destacaram que o alinhamento entre os governos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Claudia Scheinbaum impulsionou a parceria entre as duas empresas. Magda afirmou que a aproximação foi feita por Lula após sugestão da Petrobras.
A estatal brasileira opera hoje no México por meio da Braskem, empresa onde é sócia do grupo IG4. As operações da petroquímica são prejudicadas por problemas no suprimento de gás natural pela Pemex, que descumpre o contrato de fornecimento desde 2018.
“É uma oportunidade única para somar nossas capacidades e fortalezas”, ressaltou o secretário de Energia do governo mexicano, Juan José Vidal Amaro.
Conteúdo distribuído por Folhapress
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