Economia

PIB acelera no 1º trimestre e cresce 1,1% com impulso de agro, indústria extrativa e serviços

esultado do IBGE mostra aceleração da economia impulsionada pela agropecuária, serviços e mercado de trabalho aquecido, apesar dos juros elevados
PIB acelera no 1º trimestre e cresce 1,1% com impulso de agro, indústria extrativa e serviços
Foto: Reprodução/ Adobe Stock

A economia brasileira acelerou no primeiro trimestre de 2026, com crescimento de 1,1% em relação aos três últimos meses do ano passado, apontam dados do PIB (Produto Interno Bruto) divulgados nesta sexta-feira (29) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O resultado mostra uma aceleração frente ao quarto trimestre de 2025, quando a variação foi de 0,3%. A alta de 1,1% é a maior em quatro trimestres, desde o primeiro do ano passado (1,3%).

O desempenho de janeiro a março de 2026 veio praticamente em linha com a mediana das expectativas do mercado, que era de 1%, conforme a agência Bloomberg. O intervalo das previsões ia de 0,6% a 1,7%.

Conforme o IBGE, as atividades que mais contribuíram para o crescimento foram agropecuária, a indústria extrativa mineral e outras atividades de serviços.

Analistas dizem que o crescimento em 2026, ano de eleições no país, tende a ser maior no período de janeiro a março do que nos trimestres seguintes.

O PIB vinha de uma trajetória de perda de ritmo ao longo de 2025, em meio ao cenário de juros elevados para conter a inflação.

No início de 2026, o mercado de trabalho deu novos sinais de força, com desemprego baixo e renda em alta. Isso, segundo analistas, beneficiou a atividade econômica, assim como o auxílio da safra de grãos e o estímulo de medidas do governo Lula (PT) antes das eleições. O impacto da safra é mais concentrado no PIB de janeiro a março.

A lista de estímulos do governo à economia inclui liberação de crédito, valorização do salário mínimo, manutenção de programas sociais e isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5.000 por mês, indica o economista Rodolpho Sartori, da agência classificadora de risco Austin Rating.

“Tem um cabo de guerra. Por um lado, há os estímulos vindos do governo federal e, por outro, uma taxa de juros que prende a atividade.”

Na visão de Sartori, o nível elevado dos juros é o “mal necessário” para conter a inflação, que passou a ser pressionada pela guerra no Irã.

O conflito iniciado em 28 de fevereiro gerou disparada das cotações do petróleo, afetando os preços dos combustíveis no Brasil. O impacto da guerra é visto como um desafio para a economia no restante de 2026, assim como o endividamento das famílias.

A carestia em ano eleitoral preocupa o governo, que lançou ações para conter o aumento dos preços dos combustíveis. Lula deve tentar a reeleição em outubro.

A taxa básica de juros (Selic) começou 2026 em 15% ao ano, caindo a 14,75% em março e a 14,5% em abril. A pressão inflacionária da guerra, contudo, tende a prejudicar o processo de redução da Selic pelo BC (Banco Central), dizem analistas.

Na mediana, as projeções do mercado financeiro apontam alta de 1,89% para a economia brasileira no acumulado de 2026, conforme a edição mais recente do boletim Focus, publicada pelo BC na segunda (25). O Ministério da Fazenda trabalha com uma expectativa maior, de 2,3%.

Os estímulos do governo em ano eleitoral acenderam alerta de uma parcela dos analistas que vê riscos de prejuízos à política do BC de combate à inflação.

A divulgação do PIB desta sexta é a primeira com uma nova equipe do IBGE responsável pelos cálculos.

No início do ano, a gestão do presidente Marcio Pochmann anunciou a exoneração da pesquisadora Rebeca Palis do cargo de coordenadora de contas nacionais. O departamento é o responsável pelo PIB.

Rebeca foi substituída pelo servidor Ricardo Moraes. Com a mudança, outros técnicos da mesma área pediram exoneração.

Conteúdo distribuído por Folhapress

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