PIB de Minas Gerais cresce 3,9% e chega a R$ 316,3 bilhões no segundo trimestre
O Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais cresceu quase 4% em termos reais no segundo trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025, segundo levantamento da Fundação João Pinheiro (FJP). Entre abril e junho, o PIB do Estado alcançou R$ 316,3 bilhões, valor 3,9% superior, em termos nominais, ao registrado no mesmo período do ano passado.
Segundo a FJP, o desempenho foi sustentado principalmente pela agropecuária, que cresceu 19,1% em volume e compensou a retração registrada nos segmentos industriais.
Na comparação com o primeiro trimestre deste ano, o PIB mineiro cresceu 3% em termos reais, na série com ajuste sazonal. No acumulado do primeiro semestre, o PIB de Minas somou R$ 597,2 bilhões, alta nominal de 2,9% em relação ao mesmo período de 2025. Em termos reais, a economia estadual cresceu 1,8%, enquanto o deflator implícito do PIB variou 1,1%.
Agropecuária sustenta crescimento do PIB mineiro
A agropecuária foi o setor com maior peso na expansão da economia mineira. A atividade registrou crescimento real de 19,1% na comparação com o segundo trimestre de 2025, favorecida pela colheita de café e milho e pela produção de carvão vegetal destinado à metalurgia estadual.
Segundo o economista da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead), Paulo Casaca, o resultado do PIB mineiro surpreende, pois, com um cenário econômico de incertezas, os setores produtivos, principalmente o agro, conseguiram avançar.
“É um resultado bastante positivo: a variação de 19% na comparação interanual é algo espetacular. Parte desse desempenho pode ser creditada ao Plano Safra, que tem um peso importantíssimo, já que o setor agropecuário depende dele para equilibrar o fluxo de caixa”, aponta Paulo Casaca.
“Mas também temos que dar crédito às condições de safra e às condições climáticas, que parecem ter sido bastante positivas. Isso tem um impacto enorme, principalmente quando falamos de agricultura. Há resultados positivos para café e milho, e outros setores do agro”, completa.
Em 2023, último ano com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a agropecuária representava 7,29% do Valor Adicionado Bruto (VAB) de Minas Gerais, segundo a série apresentada. Naquele ano, os serviços respondiam por 63,01% do VAB estadual e a indústria, por 29,70%.
O resultado foi visto e recebido com bastante satisfação pelo sistema Faemg-Senar, que representa o agro no Estado. “Essa agregação de valor, para além do volume de produção do setor produtivo rural, demonstra a força, capacidade produtiva e resiliência dos produtores rurais nesse ambiente econômico marcado por bastante força dos juros elevados e desafios relacionados também ao crédito e aos custos de produção”, ressalta a consultora da Gerência do Agronegócio do Sistema Faemg Senar, Aline Veloso.
E com o grande desempenho do agro, a expectativa do setor é que esse resultado contribua para consolidar essa trajetória de crescimento mais consistente da economia mineira para agregar valor fazendo encadeamento produtivo dentro do Estado.
“Nós reforçamos que uma agenda permanente de estímulo de foco na produção e no aumento da competitividade do setor ela é fundamental para que a gente consiga ter condições adequadas para continuar produzindo e investindo na nossa agropecuária” diz Aline Veloso.
Indústria recua nos quatro segmentos analisados
Enquanto a agropecuária avançou, a indústria registrou queda no volume de valor adicionado em todas as grandes atividades analisadas no segundo trimestre. A indústria extrativa recuou 0,6% na comparação com o mesmo período de 2025. Nas indústrias de transformação, a retração foi de 0,3%, enquanto a produção de utilidades públicas caiu 0,5%. A construção apresentou a maior queda, de 1,7%. A taxa de juros elevada segue como um dos principais fatores para o desempenho.
“O cenário de alta dos juros impacta fortemente e negativamente o setor industrial e o setor de serviços, mas principalmente o industrial. Só que ele não explica tudo sozinho, porque, quando olhamos o resultado nacional, a indústria cresceu. Na mesma base de comparação interanual, praticamente todos os setores da indústria em Minas recuaram”, comenta Paulo Casaca, do Ipead.
Apesar do desempenho negativo no trimestre, a indústria mantém participação relevante na estrutura econômica mineira. Em 2023, o setor respondia por 29,70% do VAB estadual, sendo 19,18% referentes às indústrias de transformação, 3,85% à indústria extrativa, 2,18% às atividades de produção de resíduos e descontaminação e 4,49% à construção.
Serviços avançam e ajudam a compensar retração da indústria
O setor de serviços teve crescimento real de 1,1% no segundo trimestre, na comparação com o mesmo período de 2025. Entre os segmentos, o comércio avançou 0,7%, os transportes cresceram 1,3%, outros serviços tiveram alta de 1,5% e a administração pública avançou 0,6%.
De acordo com a economista da Federação do Comércio, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio-MG), Gabriela Martins, apesar da surpresa com o bom resultado do PIB mineiro, há de se destacar que o crescimento foi heterogêneo, o que precisa ser avaliado com critério.
“A surpresa do crescimento do PIB no trimestre está muito mais concentrada no desempenho da agropecuária do que em uma melhora generalizada da economia. O crescimento da agropecuária foi quase cinco vezes superior ao crescimento médio da economia. É preciso aprofundar um pouco mais a análise quanto à composição desses resultados, que mostram crescimento, mas não de forma homogênea em toda a economia”, explica a economista.
Gabriela Martins, da Fecomércio, indica outro ponto em sua análise, ao avaliar o PIB mineiro sob a ótica dos serviços, setor que teve avanço, mas de forma moderada.
“Os indicadores de comércio e serviços mostram que a economia mineira manteve algum dinamismo além da agropecuária, mas em ritmo moderado. No comércio, houve melhora das vendas ao longo do segundo trimestre, puxada principalmente por segmentos ligados ao consumo essencial, como supermercados e produtos farmacêuticos”, aponta a economista, destacando que o crescimento acumulado do ano permanece contido, refletindo um consumidor mais cauteloso e seletivo. “Mas, como o setor representa a maior parcela da economia mineira, sua expansão foi importante para sustentar o resultado do PIB”, conclui.
O desempenho dos serviços, somado à expansão da agropecuária, foi suficiente para compensar a retração da indústria e contribuir para o crescimento real de 4% do PIB mineiro no período.
A composição do VAB reforça o peso do setor na economia estadual. Em 2023, os serviços respondiam por 63,01% do valor adicionado de Minas Gerais, com destaque para outros serviços (16,43%), administração pública, defesa e seguridade social (15,85%), comércio (11,54%) e atividades imobiliárias (8,69%).
Desaceleração no horizonte
Para o head de renda Fixa da Suno, economista e colunista do Diário do Comércio, Guilherme Almeida, o PIB mineiro deve registrar desaceleração nos próximos trimestres.
“Mantenho a projeção de desaceleração fundamentada na manutenção da política monetária restritiva. Acompanho métricas de 288 empresas de capital aberto e é evidente a deterioração nos indicadores de crédito. O custo elevado da dívida compromete a geração de caixa, dificultando o pagamento dos compromissos financeiros”, pondera, lembrando que o setor agropecuário deverá sofrer impactos negativos decorrentes do fenômeno El Niño. “Portanto, para o restante do ano, a tendência é de desaceleração, tanto no recorte estadual quanto no nacional”, conclui.
Participação de Minas no PIB nacional recua
Mesmo com o crescimento da economia estadual, a participação de Minas Gerais no PIB brasileiro recuou. O Estado respondeu por 9,2% da economia nacional no segundo trimestre de 2026, ante 9,5% no mesmo período do ano anterior.
A alta nominal de 3,9% do PIB mineiro no período resulta da combinação entre o crescimento real de 4% e a variação negativa de 0,1% do deflator implícito do PIB.
No primeiro semestre, o crescimento nominal de 2,9% combina uma expansão real de 1,8% com uma variação de 1,1% do deflator.
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