PIB de Minas Gerais cresce 3,9% e chega a R$ 316,3 bilhões no segundo trimestre

Economia mineira somou R$ 316,3 bilhões entre abril e junho; agropecuária cresceu 19,1% e compensou a retração de segmentos industriais
Atualizado em 11 de setembro de 2026 • 12:15
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PIB de Minas Gerais cresce 3,9% e chega a R$ 316,3 bilhões no segundo trimestre
Foto: Alexandre Soares / Emater

O Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais cresceu quase 4% em termos reais no segundo trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025, segundo levantamento da Fundação João Pinheiro (FJP). Entre abril e junho, o PIB do Estado alcançou R$ 316,3 bilhões, valor 3,9% superior, em termos nominais, ao registrado no mesmo período do ano passado.

Segundo a FJP, o desempenho foi sustentado principalmente pela agropecuária, que cresceu 19,1% em volume e compensou a retração registrada nos segmentos industriais.

Na comparação com o primeiro trimestre deste ano, o PIB mineiro cresceu 3% em termos reais, na série com ajuste sazonal. No acumulado do primeiro semestre, o PIB de Minas somou R$ 597,2 bilhões, alta nominal de 2,9% em relação ao mesmo período de 2025. Em termos reais, a economia estadual cresceu 1,8%, enquanto o deflator implícito do PIB variou 1,1%.

Agropecuária sustenta crescimento do PIB mineiro

A agropecuária foi o setor com maior peso na expansão da economia mineira. A atividade registrou crescimento real de 19,1% na comparação com o segundo trimestre de 2025, favorecida pela colheita de café e milho e pela produção de carvão vegetal destinado à metalurgia estadual.

Apesar do aumento das quantidades produzidas, o período foi marcado pela queda dos preços médios de boa parte das commodities agrícolas. Com isso, o forte avanço em volume não se refletiu na mesma intensidade no valor nominal gerado pelo setor.

Em 2023, último ano com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a agropecuária representava 7,29% do Valor Adicionado Bruto (VAB) de Minas Gerais, segundo a série apresentada. Naquele ano, os serviços respondiam por 63,01% do VAB estadual e a indústria, por 29,70%.

Indústria recua nos quatro segmentos analisados

Enquanto a agropecuária avançou, a indústria registrou queda no volume de valor adicionado em todas as grandes atividades analisadas no segundo trimestre. A indústria extrativa recuou 0,6% na comparação com o mesmo período de 2025. Nas indústrias de transformação, a retração foi de 0,3%, enquanto a produção de utilidades públicas caiu 0,5%. A construção apresentou a maior queda, de 1,7%.

Apesar do desempenho negativo no trimestre, a indústria mantém participação relevante na estrutura econômica mineira. Em 2023, o setor respondia por 29,70% do VAB estadual, sendo 19,18% referentes às indústrias de transformação, 3,85% à indústria extrativa, 2,18% às atividades de produção de resíduos e descontaminação e 4,49% à construção.

Serviços avançam e ajudam a compensar retração da indústria

O setor de serviços teve crescimento real de 1,1% no segundo trimestre, na comparação com o mesmo período de 2025. Entre os segmentos, o comércio avançou 0,7%, os transportes cresceram 1,3%, outros serviços tiveram alta de 1,5% e a administração pública avançou 0,6%.

O desempenho dos serviços, somado à expansão da agropecuária, foi suficiente para compensar a retração da indústria e contribuir para o crescimento real de 4% do PIB mineiro no período.

A composição do VAB reforça o peso do setor na economia estadual. Em 2023, os serviços respondiam por 63,01% do valor adicionado de Minas Gerais, com destaque para outros serviços (16,43%), administração pública, defesa e seguridade social (15,85%), comércio (11,54%) e atividades imobiliárias (8,69%).

Participação de Minas no PIB nacional recua

Mesmo com o crescimento da economia estadual, a participação de Minas Gerais no PIB brasileiro recuou. O Estado respondeu por 9,2% da economia nacional no segundo trimestre de 2026, ante 9,5% no mesmo período do ano anterior.

A alta nominal de 3,9% do PIB mineiro no período resulta da combinação entre o crescimento real de 4% e a variação negativa de 0,1% do deflator implícito do PIB.

No primeiro semestre, o crescimento nominal de 2,9% combina uma expansão real de 1,8% com uma variação de 1,1% do deflator.

Sobre o autor

Ana Luisa Sales

Repórter do Diário do Comércio desde 2025, graduada em jornalismo pela UFMG e especialista em ESG e sustentabilidade corporativa pela FGV.

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