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A Fiemg estima uma queda de 6,8% no PIB de Minas Gerais em 2020 | Crédito: Leo Lara

Por causa da pandemia do Covid-19, a tendência é que o Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais caia em 2020, frente a 2019. A paralisação das atividades econômicas e a demanda menor são fatores que justificam a tendência negativa.

Mesmo com as commodities em alta, o que deve impactar de forma mais branda a balança comercial, a expectativa é de resultado negativo, uma vez que setores com maior peso na composição do PIB, como a indústria, comércio e serviços, por exemplo, foram drasticamente afetados.

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Para o economista da Fiemg Izak Carlos da Silva, somente os resultados positivos gerados com as commodities na balança comercial são insuficientes para reduzir o tamanho da queda projetada para o PIB de Minas Gerais em 2020. A estimativa da Fiemg, até o momento, é de uma retração de 6,8% no PIB de Minas Gerais e de 6,5% no PIB nacional.

“A princípio, acredito que o PIB de Minas terá um resultado pior que o Brasil”, disse.

Silva explica que quando se avalia o lado da oferta, a pandemia exerce um impacto imenso da oferta na economia, uma vez que houve suspensão de várias atividades, algumas paradas até hoje, como o comércio em Belo Horizonte, o que afeta de maneira significativa o PIB.

“O comércio, a princípio, caminha para um resultado desastroso em Minas Gerais. A quarentena está se prolongando e, isso, prejudica o resultado”.

Também há fatores específicos de Minas Gerais, como a Cemig, que é uma empresa pública e tem tido índices de inadimplência recordes. “Um dos componentes do PIB, por parte da oferta, é o Serviço Industrial de Utilidade Pública (Siup), que tende a ter um desempenho fortemente negativo”, disse Silva.

Outro setor que é muito importante para Minas Gerais, a indústria, de forma geral, foi bastante afetada. Silva destaca que a indústria de transformação acumula resultados negativos em função do setor automotivo, que é muito importante na cadeia produtiva do Estado e ficou paralisada por cerca de dois meses. Os setores encadeados dessa indústria também foram impactados, como a indústria siderúrgica, metalmecânica e autopeças.

Além disso, é esperado resultado negativo também na indústria extrativa. Devido à necessidade de controle do Covid-19, houve uma paralisação, por cerca de 12 dias, do complexo de Itabira – pertencente à Vale -, complexo este que corresponde a 30% de tudo que é produzido de minério de ferro no Estado.

Soma-se a isso os impactos das chuvas no primeiro trimestre, período em que a produção de minério caiu cerca de 5% frente à registrada em igual intervalo de 2019, quando aconteceu o rompimento da Barragem de Brumadinho.

“Minas Gerais tem alguns segmentos que são muito importantes na produção e que foram fortemente afetados pelo lado da oferta, como a indústria de transformação, a extrativa, a Siup, o comércio e os serviços, este último que responde por 68,5% do PIB e que ainda sofre os efeitos”.

Agro – Izak destaca que o setor agropecuário vem apresentando resultados positivos e a expectativa é de um crescimento de 10,7% no PIB do setor em 2020 frente a 2019, que será puxado pela bienalidade positiva do café, e tende a ser melhor que o nacional. Também estão contribuindo para o resultado positivo a produção e exportação de grãos, como a soja, e de carnes.

“O agronegócio responde por 7% do PIB de Minas Gerais, é uma participação pequena quando comparada com a indústria em total (extrativa, transformação e Siup e construção) que responde por 23% do PIB e serviços por 68,5%. Mesmo que apresente resultados positivos, não são suficientes para minimizar a queda dos demais e fazer com que o PIB de Minas caia menos que o do Brasil”.

Silva também explica que pelo lado da demanda, as estimativas também são negativas. Levando em conta o consumo das famílias, do governo e das empresas e os investimentos, a tendência é de queda. Já os gastos do governo e a balança comercial vão crescer.

“A balança comercial corresponde a cerca de 6,8% do PIB, ela vai amortecer parte da queda, mas nos demais componentes a retração esperada é muito grande. A gente tem expectativa é que o saldo da balança seja positivo e maior, o que é favorecido pelo real desvalorizado frente ao dólar, mas isso tem pouco efeito no PIB porque o componente é pequeno”.

Câmbio atual favorece os embarques de commodites

Para o professor de economia Ibmec Felipe Leroy, o bom resultado esperado na balança comercial de Minas Gerais vai amortecer parte da queda projetada para o PIB, o que será importante para o Estado, frente ao Brasil.

“Hoje, com a nossa moeda depreciada, os preços das nossas commodities no mercado internacional estão menores, o que favorece os embarques e pode ajudar não só Minas Gerais, mas o Brasil como um todo”.

Outro ponto destacado, por Leroy, é que temos, no Estado, uma pauta de exportação muito concentrada em commodities primárias, de primeira necessidade para quem compra, como o minério e produtos alimentícios.

“Quando a China compra nosso minério, ela não tem muita opção, porque a nossa qualidade é bem superior, isso, pode alavancar os resultados. Outro exemplo é o café, que temos forte representatividade e já é reconhecido pelos europeus que estão retomando o consumo uma vez que grande parte dos países já está saindo da pandemia. Somente isso, representa 40% da nossa pauta exportadora. De forma geral, creio que Minas Gerais pode retomar mais rapidamente o crescimento econômico e minimizar os impactos da pandemia”.

Ainda segundo Leroy, a retomada da economia mineira dependerá da recuperação dos países compradores dos nossos produtos, que tende a ser, segundo ele, gradual.

“Teremos que contar com um alto dinamismo do continente asiático e europeu para ver se conseguimos minimizar o encolhimento do PIB estadual. A queda no PIB é certa, infelizmente. Vamos ter, talvez, um dos maiores encolhimento da nossa história. Se tivermos essa compensação internacional, a tendência é que o PIB de Minas caia menos que o do Brasil, mas, caso não aconteça, a estimativa é cair muito mais que Brasil”.

Ainda segundo Leroy, avaliando domesticamente, a situação de Minas Gerais é pior que a do Brasil, por nossa indústria ser pouco competitiva.

“Precisamos melhorar muito. Estamos com problemas sérios de competitividade da indústria e de orçamentos do ponto de vista fiscal, uma vez que o governo está muito comprometido e não consegue investir”.

Desemprego pode afetar recuperação no Brasil

Brasília – A expectativa do governo para o desempenho da economia neste ano pode estar “um pouco otimista”, avaliou Juliana Damasceno, pesquisadora da área de Economia Aplicada do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), para quem há dúvidas sobre a recuperação da demanda diante do nível de desemprego.

De acordo com a pesquisadora, apesar de alguns setores apresentarem resultados positivos na atual conjuntura, outros estão sendo fortemente penalizados, como o automobilístico, com impactos que se propagam para as cadeias produtivas atreladas, o que, na visão dela, pode gerar efeitos de longo prazo.

Segundo ela, os números da arrecadação mostram uma retomada ainda lenta da economia, indicando que desempenho no ano deve ficar atrás da previsão do governo. Ainda de acordo com a pesquisadora, o IPI automóveis, por exemplo, apresenta queda real acumulada no ano de 57,5%, tendo o mês de junho desse ano apresentado queda real de 80,2% comparado ao mesmo mês de 2019.

“A gente não sabe até que ponto a demanda, que é nosso principal indicador de recuperação da economia, vai se recuperar, por causa do desemprego, por causa dos autônomos, que hoje em dia representam a maior parte do nosso mercado de trabalho”, afirmou em entrevista à Reuters.

A última projeção do Boletim Macro do Ibre,  aponta para retração da economia de 5,5% neste ano, ante estimativa anterior de queda de 6,4%. O Ministério da Economia prevê contração de 4,7%, enquanto a pesquisa Focus do Banco Central mostra mediana dos prognósticos em 5,77%.  (Reuters)

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