Indústria do plástico em Minas sente impacto da crise do petróleo e reduz perspectivas para 2026
Enquanto alguns setores produtivos de Minas Gerais têm conseguido contornar a crise do petróleo causada pela guerra no Oriente Médio, o segmento de plástico tem sofrido bastante, gerando um cenário de baixas expectativas para um crescimento sólido em 2026.
De acordo com a presidente do Sindicato da Indústria do Material Plástico do Estado de Minas Gerais (Simplast-MG), Ivana Braga, o setor vem tendo dificuldades para produzir e manter a demanda aquecida. Os conflitos na principal região petrolífera do planeta geraram um impacto que será difícil de reverter ainda neste ano.
“Desde o fechamento do Estreito de Ormuz, no final de fevereiro, o impacto foi imenso. O Brasil tem a Petrobras, que produz a matéria-prima, mas ela precisa ser beneficiada, e nós temos apenas um transformador, que é a Braskem. Ficamos muito prejudicados por causa da falta de insumo, que não chegava e continua não chegando. Aliado a isso, temos as políticas de antidumping, que encarecem a importação. Esse cenário não é exclusivo do Brasil, é global: há uma escassez de resina plástica no mundo todo”, disse Ivana Braga.
O tamanho do problema
O plástico está presente em todos os setores produtivos: do automobilístico ao farmacêutico, do alimentício ao transporte, chegando até a sacolinha do supermercado. Essa onipresença impacta a composição de custos de quase tudo o que é consumido pela população. “Como não há oferta suficiente para atender a demanda, a resina plástica mais que dobrou de preço. Tudo isso foi repassado, e estudos indicam que a embalagem, dependendo do setor, pode representar até 30% ou 40% do custo do produto”, explica a dirigente.
Segundo ela, o mercado brasileiro está muito retraído em razão da situação econômica. A taxa de juros elevada e as incertezas internas ampliam a insegurança e a fragilidade do setor.
“Houve um avanço num passado recente, mas de repente estagnou, porque a demanda está baixa. Os custos estão altos, mas começa a haver mais oferta justamente porque o mercado não está comprador. A economia não está girando o suficiente para demandar artefatos de plástico”, observa.
Expectativas baixas
Com demanda baixa, guerra elevando os custos e contexto econômico interno instável, a indústria mineira e brasileira do plástico demonstra pouco otimismo quanto a uma melhora acentuada até o fim do ano. Nem a Copa do Mundo, sazonalidade que costuma incrementar diversos mercados, parece animar o setor.
“Não acredito que haverá nenhum incremento. Infelizmente, este ano devemos fechar igual ou abaixo do exercício anterior, justamente por causa desse cenário de alta de preços e demanda interna retraída, em todos os setores, seja automobilístico, alimentício ou outros”, afirma Ivana Braga.
“Não é o momento de falar em faturamento, e sim em volume de produção. O material dobrou de valor, mas o volume transformado caiu. O indicador correto é o volume de material transformado em toneladas, porque a inflação aliada à especulação de preços, gerada pelo desabastecimento do setor, produz um dado irreal. A taxa de juros também continua sendo um complicador. Muitas indústrias suspenderam a aquisição de máquinas, equipamentos e implementos tecnológicos porque ficou inviável. É praticamente um ano sem crescimento no setor em decorrência desse cenário”, conclui.
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