Tomate lidera queda de preços na CeasaMinas, enquanto cenoura pesa mais no bolso do consumidor em BH

Levantamento da Conab mostra quais frutas ficaram mais baratas em junho; em Minas, aumento da oferta favoreceu recuo do tomate e da batata, mas cenoura e banana registraram alta
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Tomate lidera queda de preços na CeasaMinas, enquanto cenoura pesa mais no bolso do consumidor em BH
Foto: Diário do Comércio / Arquivo / Charles Silva Duarte

O consumidor de Belo Horizonte encontrou um cenário misto nas compras de frutas e hortaliças em junho. Enquanto tomate, batata, alface e boa parte das frutas ficaram mais baratas na CeasaMinas, produtos como cenoura, banana e cebola continuaram pressionando o orçamento. Os dados são do 7º Boletim Hortigranjeiro da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que monitora os preços praticados nas principais Centrais de Abastecimento do País.

Entre os principais alívios para o bolso do belo-horizontino está o tomate, com a queda de 10,81% do preço médio do produto em junho frente a maio, passando a R$ 4,60 por quilo. O movimento acompanha a tendência nacional, já que a média ponderada das Ceasas brasileiras recuou 15,85%, impulsionada pela intensificação da safra de inverno, que ampliou a oferta do fruto no mercado.

O boletim aponta que, apesar das temperaturas mais baixas retardarem a maturação dos frutos, o aumento do volume disponível foi suficiente para reduzir as cotações. Em Belo Horizonte, por exemplo, o tomate chegou a atingir R$ 8,50 por quilo no início de junho, mas recuou até R$ 2,75 durante o mês conforme a oferta aumentou, encerrando junho em R$ 3,25 por quilo nas negociações diárias da CeasaMinas.

Outro item que deu algum fôlego ao orçamento foi a batata. Depois de quatro meses consecutivos de valorização, o tubérculo ficou 2,42% mais barato na CeasaMinas, cotado a R$ 4,20 por quilo. Apesar da queda mensal, os preços ainda permanecem muito acima dos registrados no início do ano. Segundo a Conab, na comparação entre janeiro e junho, a valorização acumulada da batata em Belo Horizonte chega a 145,6%, reflexo da oferta ainda insuficiente para atender à demanda.

Nas frutas, o cenário foi predominantemente de queda. A melancia registrou a maior redução na CeasaMinas, com recuo de 28% e preço médio de R$ 2,13 por quilo. Também ficaram mais baratos o mamão (-9,38%), a laranja (-7,47%) e a maçã (-3,75%). A única exceção foi a banana, cujo preço subiu 3,78%, alcançando R$ 3,24 por quilo.

Hortifruti na loja da rede de supermercados premium Verdemar.
Foto: Verdemar / Divulgação

Segundo a Conab, a redução nos preços das frutas reflete principalmente a menor demanda típica do inverno, caso da melancia, além da regularidade dos estoques de suco de laranja e do aumento da oferta de maçã oriunda do Sul do País. Já a banana seguiu trajetória oposta devido à menor oferta provocada pelas temperaturas mais baixas nas principais regiões produtoras, entre elas Minas Gerais, responsável pelo maior abastecimento nacional da fruta.

Cenoura lidera alta entre os hortigranjeiros

Na contramão dos produtos que ficaram mais baratos, a cenoura foi o principal destaque de alta na capital mineira. O preço médio avançou 20,34% em junho, chegando a R$ 4,99 por quilo – uma das maiores elevações entre todas as Ceasas monitoradas, atrás apenas de Fortaleza.

De acordo com a Conab, embora as condições climáticas tenham favorecido o avanço da colheita, a oferta ainda permaneceu abaixo do necessário para recompor totalmente o mercado. Em junho, Minas Gerais respondeu por 38% do abastecimento nacional de cenoura nas Ceasas, mantendo-se como principal Estado fornecedor do produto.

A cebola também permaneceu em trajetória de alta, embora de forma mais moderada. Na CeasaMinas, o preço aumentou 1,25%, passando para R$ 4,13 por quilo. O movimento ocorre mesmo com o crescimento da oferta mineira, que ganhou espaço após o encerramento da safra catarinense. Segundo a Conab, os envios de cebola produzida em Minas aumentaram mais de 329% em junho frente a maio, contribuindo para reduzir a dependência da produção da região Sul.

Já a alface foi uma exceção positiva entre as hortaliças. Em Belo Horizonte, o preço caiu 11,68%, na contramão da média nacional, que registrou alta de quase 12%. A CeasaMinas foi uma das poucas centrais pesquisadas a apresentar retração nas cotações da hortaliça em junho.

Minas amplia participação no abastecimento

Além das oscilações de preços, o levantamento evidencia o protagonismo de Minas Gerais no abastecimento nacional de hortigranjeiros. O Estado liderou, em junho, a oferta de batata, tomate, cenoura e banana comercializados nas principais Ceasas do País, além de ampliar significativamente sua participação na produção de cebola durante a transição entre as safras do Sul e do Sudeste.

Para as próximas semanas, a tendência é de continuidade da pressão de baixa sobre alguns produtos. A Conab avalia que a intensificação da safra de inverno deve ampliar a oferta de tomate, batata e cebola, enquanto a recuperação das lavouras de cenoura também já começou a reduzir as cotações nas primeiras semanas de julho.

Sobre o autor

Ana Luisa Sales

Repórter do Diário do Comércio desde 2025, graduada em jornalismo pela UFMG, pós-graduanda em ESG e sustentabilidade corporativa pela FGV.

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