Doce de leite e Queijo Canastra ganham indicadores próprios de preços em Minas; doce sobe 25% em um ano
Dois dos produtos mais tradicionais da gastronomia de Minas Gerais passam a contar com um indicador específico para medir a evolução dos preços ao longo do tempo. Inspirado em índices internacionais que acompanham o comportamento da inflação a partir de produtos característicos de determinadas culturas, como o “Índice Big Mac”, o MercadoMineiro lançou o Índice do Doce de Leite e o Índice do Queijo Canastra. A proposta é oferecer uma referência para consumidores, comerciantes e produtores mineiros.
O primeiro levantamento, realizado entre 8 e 10 de julho no Mercado Central de Belo Horizonte, mostra que o preço médio do doce de leite avançou 25,03% em relação ao mesmo período do ano passado, passando de R$ 29,41 para R$ 36,77 o quilo. Já os queijos Canastra apresentaram comportamentos distintos conforme a região de produção, com altas de até 15% e quedas de até 8,41%.
Segundo o diretor do MercadoMineiro, Feliciano Abreu, a criação dos indicadores busca ampliar o acompanhamento da inflação para além dos produtos tradicionalmente monitorados nas pesquisas de preços. “O importante no recado da pesquisa é monitorar os preços também dos produtos típicos mineiros. Acompanhamos mais arroz, feijão, óleo e carne, e esquecemos muitas vezes produtos que estão na mesa de todo mundo”, observa.
Doce de leite lidera altas entre produtos típicos
Entre os itens pesquisados, o doce de leite registrou uma das maiores altas de preço no período de 12 meses. Ainda assim, o maior reajuste foi observado no doce de cidra, cujo preço médio saltou 51,09%, passando de R$ 23,43 para R$ 35,40 o quilo. Em seguida aparecem o doce de mamão ralado, com alta de 44%, o doce de leite especial, que subiu 33%, a cocada branca, com avanço de 32,92%, e a goiabada lisa, que ficou 29,3% mais cara.
Além da inflação acumulada, a pesquisa identificou diferenças expressivas de preços entre os estabelecimentos do Mercado Central. O doce de leite, por exemplo, foi encontrado entre R$ 28 e R$ 39,90 o quilo, uma variação de 42,5%. Em outros produtos, como doce de laranja, goiabada lisa, goiabada cascão, mamão em anel e mamão ralado, a diferença entre o menor e o maior preço chegou a 47,6%.
Apesar de o leite ser a principal matéria-prima tanto do queijo quanto do doce de leite, Abreu afirma que ainda não há uma explicação clara para a intensidade do aumento observada nos doces.
Segundo ele, o período costuma registrar maior demanda por esses produtos, especialmente no Mercado Central, referência para turistas e consumidores em busca de alimentos típicos mineiros. Esse cenário favorece o aumento das vendas e, consequentemente, reajustes de preços por parte dos comerciantes.
“O leite realmente está mais caro nesse período, mas é uma época em que aumenta o consumo de doces. O Mercado Central é muito típico para esse tipo de consumo e as lojas acabam vendendo mais e majorando os preços. Mas, quando olhamos para os ingredientes do doce de leite, não vemos aumentos tão expressivos nem no leite nem no açúcar que expliquem totalmente essa alta”, avalia.
Queijos têm comportamento desigual
Ao contrário do doce de leite, os preços dos queijos artesanais apresentaram comportamentos distintos conforme a região de produção. O maior aumento foi registrado pelo Queijo Canastra Serra do Salitre, cujo preço médio passou de R$ 46 para R$ 52,90 o quilo, alta de 15%. Já o Canastra São Roque teve reajuste de 4,97%.
Por outro lado, algumas variedades ficaram mais baratas. O Queijo Canastra Araxá recuou 3,92%, enquanto o Canastra São Roque Extra apresentou queda de 8,41% no período.
De acordo com Abreu, fatores ligados à produção ajudam a explicar essas diferenças entre as regiões. “O mercado do leite tem sofrido muito do lado do produtor. Além disso, cada região produz de uma forma diferente. Às vezes, uma região produz mais do que outra, e isso interfere diretamente no preço. Em alguns casos, o pequeno produtor também pode optar por fabricar mais doce do que queijo, o que altera a oferta de cada produto”, explica.
A pesquisa também encontrou diferenças significativas entre os pontos de venda. O Queijo Canastra São Roque apresentou variação de 23,31% entre os estabelecimentos, sendo comercializado entre R$ 42,90 e R$ 52,90 o quilo. Já o Canastra Araxá variou 7,52%, enquanto o São Roque Extra registrou diferença de 6,4%.
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