Economia

Primeiro semestre é de estagnação no setor mineiro de panificação, indica Fiemg

A Fiemg aponta que alta do trigo, queda de demanda e formalização de CNPJs impactam o segmento no primeiro semestre
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Primeiro semestre é de estagnação no setor mineiro de panificação, indica Fiemg
Comprometimento da renda do consumidor vem afetando os negócios do setor da panificação | Foto: Diário do Comércio / Alessandro Carvalho

O pão nosso de cada dia está sendo menos consumido pelo povo mineiro. Essa é a percepção do setor de panificação de Minas Gerais. De acordo com a Câmara da Indústria de Alimentação da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), alguns fatores têm colaborado para que o primeiro semestre de 2026 seja de estagnação, sem crescimento do segmento.

Primeiro, a redução da demanda de consumo tem impactado o faturamento geral. O período atual do trigo, que está em entressafra e teve uma alta recente de 8% no preço da saca, também tem “colaborado” com o desempenho menos robusto da panificação.

Para o presidente da Câmara da Indústria de Alimentação da Fiemg, Vinícius Dantas, a questão do trigo, essencial para fazer o pão, tem pesado nos negócios do setor. Ele explicou uma dificuldade enfrentada pelo segmento, que não pode repassar a alta do ingrediente ao consumidor sem reduzir a demanda.

“Nós estamos na entressafra. Nesse período, a derivação do trigo não é muito boa, ou seja, o núcleo do trigo, que é o melhor trigo para panificação, é muito pequeno. Então, tira-se muito uma farinha de segunda linha, que a gente chamaria de farinha especial, mas não é. É como uma farinha 4.0, que é o melhor trigo para o pão. Dado isso, as empresas estão com muita dificuldade, porque se apertarem no preço e cair a demanda, não vão conseguir escoar esse trigo. Então é complicado: elas precisam aumentar os preços em função da alta do trigo quando compram o grão in natura, porém não conseguem em função da baixa derivação”, explica.

Sem crescimento

De acordo com Vinícius Dantas, da Fiemg, o setor tem sentido uma estagnação nos primeiros seis meses de 2026. Ele afirma que a realidade é diferente do que aponta uma pesquisa do Sebrae, que indica abertura de novas padarias em BH.

O levantamento do Sebrae diz que, atualmente, a capital mineira conta com 5.325 pequenos negócios ativos no segmento de panificação e que, somente em 2025, registrou a abertura de mais de 1.300 novas empresas, volume 30% superior ao observado em 2024.

“Apesar de algumas pesquisas do Sebrae apontarem abertura de padarias, essa pesquisa foi mal formulada e apresentada à sociedade. Na realidade, houve uma formalização dos confeiteiros que surgiram desde a pandemia trabalhando em casa, usando o CNAE da panificação para assinar carteira e fazer compras de grandes indústrias. Então surgiu um grande número de novos CNPJs que, de fato, não representam novas padarias”, disse.

“Na realidade, o setor está um pouco estagnado. As pessoas estão com menor poder de compra. Elas continuam frequentando a padaria, mas não levam o presunto, compram só o pão francês e deixam de levar confeitaria, um bolo. O cupom médio caiu”, completa.

Outros fatores

Apesar do frio contribuir para a produção e venda de pães, pois as pessoas tendem a ficar mais em casa e comer mais, as festas juninas têm sido uma “inimiga” do setor em 2026. “As pessoas, geralmente no final de semana, consomem menos em função das festas juninas. E outro fator é a Copa, que também contribui para a baixa de demanda. Algumas padarias mais capacitadas ou que se adaptam melhor à realidade do mercado vendem mais em função das bebidas, mas o pão vende menos”, disse Vinícius Dantas, da Fiemg.

“Hoje, todo mundo faz uma festinha e passa a sacolinha. As escolas, a igreja, os clubes. É muita festa, e os produtos consumidos são geralmente mais pesados: caldo, sanduíche de pernil. Isso gera queda no consumo de pão. E as festas ainda geram um custo extra, pois as padarias gastam um pouco mais, porque geralmente apoiam uma paróquia da comunidade, e os pedidos não param”, explica.

Nova realidade

O momento alimentar de parte da população é tentar ser mais saudável: comer coisas que tenham sabor e gerem saciedade, porém sem as calorias que podem provocar o ganho dos indesejados quilinhos. Essa é a meta de muitas pessoas, e o setor da panificação está de olho nisso para incrementar as vendas no segundo semestre.

“O nosso negócio precisa buscar mais a saudabilidade. Fui questionado por uma comunidade adventista sobre o uso de banha na fabricação do pão francês, pois qualquer coisa de origem suína fere seus hábitos alimentares. Fiz uma adaptação nas minhas lojas e passei para gordura hidrogenada vegetal. Também temos os veganos. Vamos ter que pensar muito o nosso negócio para o lado da saudabilidade”, disse Dantas.

Investimentos e escala 5×2

Para encarar os desafios do segundo semestre, o setor de panificação observa que os empreendimentos menores terão dificuldades, enquanto os maiores, mais estruturados, devem se expandir para buscar mais faturamento.

“Estou vendo a formação de redes de padarias. Aquelas que estão fundamentadas, com estrutura financeira, estão abrindo lojas. Aquelas que têm uma pequena padaria estão sofrendo muito com tantas mudanças: a reforma tributária e a mudança da escala 6×1. Isso tudo está afetando o pequeno. Para ele vai pesar muito, e ele tem muita dificuldade de repassar custo”, disse o presidente da Câmara da Indústria de Alimentação da Fiemg, Vinícius Dantas.

“E se passar a escala 5×2, vamos ter um aumento de cerca de 20% no quadro de funcionários. A panificação é extremamente artesanal e consome muita mão de obra. A cada R$ 12 mil de venda por mês, ela gera um novo posto de trabalho. Isso obriga a contratação de novas pessoas. Com mais 20% de reajuste no quadro para cumprir as escalas, vai apertar muito o setor”, finaliza.

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