Crédito: Eric Gonçalves

São Paulo/Rio de Janeiro – A pandemia do novo coronavírus atingiu em cheio a produção industrial do Brasil em abril, provocando queda histórica na comparação com o mês anterior, em meio ao fechamento generalizado de unidades produtivas no País devido às medidas para conter a disseminação do vírus.

Em abril, a produção da indústria despencou 18,8% em relação a março, com a intensificação das restrições de circulação paralisando fábricas e mantendo as pessoas em quarentena em casa. Essa é a queda mais forte na série histórica iniciada em 2002, e se soma às já fortes perdas de 9,0% em março, acumulando nesse período contração de 26,1%.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou ainda que, na comparação com abril do ano passado, a produção teve recuo de 27,2%, sexta queda consecutiva e também recorde negativo da série histórica nessa comparação. A contração, entretanto, foi menor do que a expectativa em pesquisa da Reuters com economistas, de quedas de 29,2% na variação mensal e de 33,1% na base anual.

Depois de dois meses de ganhos no início do ano, a indústria brasileira naufragou com as férias coletivas, paralisações, redução da demanda e isolamento social adotados como medida de contenção à pandemia, e os resultados negativos ainda devem se prolongar.

“Maio é o mês que tem maior presença de empresas fazendo interrupção e paradas, mas é claro que o setor industrial está fora do seu habitual por conta da pandemia e uma interrupção clara na indústria”, explicou o gerente da pesquisa, André Macedo.

O mercado já prevê contração de 3,59% da produção industrial este ano, com a economia como um todo retraindo 6,25%, de acordo com a mais recente pesquisa Focus do Banco Central. (Reuters)