Crédito: Alisson J. Silva 12/02/08

A produção industrial de Minas Gerais apresentou um crescimento de 1,1% em fevereiro em relação a janeiro, na série com ajuste sazonal. O número ficou acima da produção industrial do País na mesma base de comparação (0,5%). Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Embora o resultado tenha sido positivo no segundo mês deste ano, a supervisora de pesquisa econômica da entidade, Claudia Pinelli, destaca que os números ainda são negativos em outras comparações.

A pesquisa do IBGE mostra que quando se compara fevereiro de 2020 com o mesmo mês de 2019, a queda da produção industrial no Estado foi de 6,3%. Minas Gerais, aliás, foi o primeiro colocado entre os estados com o maior recuo nessa base de comparação, seguido pelo Espírito Santo (-4,5%).

Claudia Pinelli frisa ainda que ao analisar o começo de 2020 e o acumulado do ano, de janeiro a fevereiro, já se percebe também números negativos. Mais uma vez, Minas Gerais ficou em destaque, com queda de 10,4% na comparação com o mesmo período do ano passado. O Estado ficou atrás apenas do Espírito Santo (-13,5%). No acumulado de 12 meses, a queda em Minas Gerais foi de 7,3%.

Conforme destaca a supervisora de pesquisa econômica do IBGE, os números negativos têm como um de seus grandes influenciadores a indústria extrativa e toda a cadeia que a envolve. Existem os reflexos do rompimento da barragem de Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).

As indústrias extrativas apresentaram queda de 27,5% em fevereiro na comparação com igual período do ano anterior. No acumulado do ano o recuo foi de 36,7% e nos últimos 12 meses de 30,6%. A fabricação de produtos minerais não metálicos, por sua vez, apresentou queda de 13,3%, 12,3% e 3,9%, respectivamente.

A fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias recuou 13,1% em fevereiro na comparação com igual mês do ano passado, 11,1% no acumulado de janeiro a fevereiro e 0,3% no acumulado de 12 meses. A fabricação de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos, por sua vez, teve queda, respectivamente, de 11,3%, 8,4% e 4,6%.

O destaque positivo foi para a fabricação de produtos têxteis, que teve um incremento de 36,8% na variação mensal. No acumulado do ano, o crescimento foi de 32% e de 12,5% no acumulado de 12 meses.

Covid-19 -. Os números mostram uma realidade que ainda não havia sido impactada pela disseminação do novo coronavírus (Covid-19), que criou toda uma instabilidade, conforme ressalta Claudia Pinelli. “Imagina-se que esse cenário deverá provocar um impacto negativo, mas é preciso aguardar para mensurar esse impacto”, avalia a supervisora de pesquisa econômica do IBGE.

De acordo com ela, é necessário esperar para saber como as indústrias estão se saindo, se estão conseguindo se manter com a questão do isolamento social, entre outros fatores.