Indústria mineira vai recuperando perdas com pandemia | Crédito: Leo Lara

A produção industrial de Minas Gerais apresentou crescimento de 5,8% em junho em relação a maio, na série com ajuste sazonal. O dado foi divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Estado ficou abaixo da média nacional (8,9%).

Apesar dos números maiores, a supervisora de pesquisa econômica da entidade, Claudia Pinelli, destaca que o resultado, na realidade, reflete o retorno da produção após as paralisações ocorridas por causa da pandemia do Covid-19, sobretudo no mês de abril.

Tanto é que, lembra ela, quando se utiliza outras bases de comparação, os dados ainda mostram queda na produção industrial do Estado. Em relação a junho do ano passado, por exemplo, o recuo apresentado por Minas Gerais foi de 6%.

“Vale citar que, apesar do efeito-calendário positivo, já que junho de 2020 (21 dias) teve dois dias úteis a mais do que igual mês do ano anterior (19), permanece o movimento de menor intensidade no ritmo da produção industrial, ainda influenciada pelos efeitos do isolamento social (em função da pandemia do Covid-19) e que afetou o processo de produção de várias unidades produtivas no país”, explica o IBGE, em material enviado para a imprensa.

Já quando se avalia o acumulado do ano, comparando o período de janeiro a junho de 2020 com o primeiro semestre de 2019, a retração verificada no Estado chegou a 11%. No que diz respeito à taxa anualizada, ou seja, ao indicador acumulado nos últimos 12 meses, houve um “recuo do decréscimo”, pontua Claudia Pinelli. O indicador acumulado no Estado aumentou de -9,1% para -8,8%.

Segmentos – Quando se compara junho com igual período de 2019 em Minas Gerais, seis das 13 atividades divulgadas pelo IBGE apresentaram crescimento. Foram elas atividades de indústrias de extração (8,5%), fabricação de produtos alimentícios (16,3%), fabricação de bebidas (6,8%), fabricação de produtos do fumo (12,1%), fabricação de outros produtos químicos (57,9%) e fabricação de produtos de minerais não metálicos (5,4%).

Conforme explica Claudia Pinelli, categorias como outros produtos químicos e outros produtos de fumo já vêm apresentando indicadores positivos ao longo do tempo. Os alimentos, por sua vez, diz ela, como são considerados produtos essenciais, têm se mostrado também mais positivos.

Já do lado das quedas ficaram fabricação de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos (-37,6%), fabricação de veículos, automotores, reboques e carrocerias (-35,3%) e fabricação de máquinas e equipamentos (-31,2%). “É toda uma cadeia, vinda desde a metalurgia, que vem sofrendo com os impactos da pandemia”, ressalta Claudia Pinelli.

Em relação às perspectivas, a supervisora de pesquisa econômica do IBGE pontua que ainda há um ambiente de incertezas. “A retomada depende muito do término do isolamento. É difícil dizer o que vai ser daqui para frente”, pondera.

Além disso, há outro fator, lembra ela. Está havendo o retorno da produção, com melhora da oferta, mas não se sabe ainda como ficará a demanda, uma vez que muitas famílias tiveram o orçamento comprometido com a crise econômica gerada pela pandemia do Covid-19.

Média nacional registra aumento de 8,9%

Rio de Janeiro – A produção industrial cresceu em 14 dos 15 locais pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na passagem de maio para junho deste ano. As maiores altas foram observadas nos estados do Amazonas (65,7%) e do Ceará (39,2%), de acordo com dados da Pesquisa Industrial Mensal, divulgada ontem.

Também tiveram crescimento acima da média nacional (8,9%) os estados do Rio Grande do Sul (12,6%), de São Paulo (10,2%) e Santa Catarina (9,1%). Completaram a lista dos estados com alta na produção Minas Gerais (5,8%), Paraná (5,2%), Pernambuco (3,5%), Pará (2,8%), Goiás (0,7%), Rio de Janeiro (0,7%), Bahia (0,6%) e Espírito Santo (0,4%).

A região Nordeste, única a ter a produção de todos os estados calculada de forma conjunta, cresceu 8%. Mato Grosso foi o único local com queda (-0,4%).

Na comparação com junho de 2019, 12 dos 15 locais pesquisados tiveram queda na produção, com destaque para Espírito Santo (-32,4%) e Ceará (-22,1%). Os três locais com alta foram Pernambuco (2,8%), Mato Grosso (1,6%) e Goiás (5,4%).

No primeiro semestre do ano, houve redução em 13 dos 15 locais, na comparação com o mesmo período do ano anterior. As maiores quedas foram observadas no Ceará (-22%), Espírito Santo (-20,8%) e Amazonas (-19,6%). Rio de Janeiro (2,3%) e Goiás (0,9%) foram os únicos locais com alta.

Já no acumulado de 12 meses, foram observadas quedas em 12 locais, com destaque para o Espírito Santo (-19,6%). Os estados com alta na produção foram Rio de Janeiro (4,4%), Goiás (2,2%) e Pará (0,4%). (ABr)