Economia

Produção industrial em Minas Gerais registra menor nível para abril em três anos

Apesar do recuo da produção, empresários seguem otimistas para os próximos meses, mas com expectativas menos intensas
Produção industrial em Minas Gerais registra menor nível para abril em três anos
Foto: Jorge Silva / Reuters

A indústria de Minas Gerais voltou a registrar retração em abril de 2026, após um desempenho positivo no mês anterior, segundo dados da Sondagem Industrial divulgada pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). O índice de evolução da produção caiu de 54,6 pontos em março para 47,3 pontos em abril, recuando 7,3 pontos e retornando ao patamar abaixo da linha de 50 pontos, que indica queda da atividade. Na comparação com abril de 2025 (48,3 pontos), o indicador também apresentou recuo e atingiu o menor nível para o mês em três anos.

De acordo com a economista Daniela Muniz, a retração mensal foi influenciada, em parte, pelo menor número de dias úteis em abril. No entanto, o cenário macroeconômico segue como principal fator de pressão sobre o setor. “O ambiente continua desafiador, marcado por juros elevados, crédito mais restritivo e aumento das incertezas no cenário internacional, especialmente com as tensões no Oriente Médio e seus impactos sobre os preços de energia e custos industriais”, explica.

Esse contexto tem levado as empresas a adotarem uma postura mais cautelosa, tanto na produção quanto na gestão de recursos. O índice de evolução do número de empregados ficou em 48,9 pontos em abril, ainda abaixo da linha de estabilidade. Apesar de leve alta frente a março (48,5 pontos), o indicador recuou em relação a abril do ano passado, quando registrava 49,7 pontos.

“O movimento mostra que as empresas seguem prudentes na contratação, refletindo o ambiente econômico mais incerto”, afirma a economista da Fiemg.

Outro destaque da sondagem é o nível de utilização da capacidade instalada, que permanece abaixo do usual para o período. O indicador ficou em 43,5 pontos em abril, evidenciando ociosidade relevante no parque industrial mineiro.

Na comparação com abril de 2025 (42,3 pontos), o indicador avançou 1,2 ponto. Ao permanecer abaixo da linha dos 50 pontos, o índice sinalizou que as empresas continuaram operando com capacidade produtiva inferior ao padrão habitual para o mês

Segundo Daniela Muniz, esse dado indica que as empresas ainda têm margem para aumentar a produção sem necessidade imediata de novos investimentos ou contratações. “Há espaço para reagir caso a demanda volte a crescer”, pontua.

Os estoques de produtos finais recuaram em abril, com índice de 48,3 pontos. Já o indicador de estoques em relação ao planejado ficou em 47,9 pontos, abaixo do esperado pelos empresários pelo nono mês consecutivo.

Apesar de, em alguns casos, estoques baixos poderem refletir demanda acima do previsto, esse não é o cenário predominante. “O ideal é que o estoque esteja alinhado ao planejamento. Nem acima, nem abaixo. O desvio indica ajustes diante de um ambiente econômico mais incerto”, explica a economista da Fiemg.

Expectativas positivas, mas menos intensas

Mesmo com os resultados negativos em abril, as expectativas para os próximos seis meses seguem no campo positivo. Em maio, o índice de expectativa de demanda atingiu 51,3 pontos, o de compra de matérias-primas chegou a 51,8 pontos e o de emprego ficou em 50,6 pontos.

No entanto, mesmo com expectativas positivas, o otimismo perdeu força na comparação com anos anteriores. O indicador de demanda, por exemplo, registrou o menor nível para o mês de maio em seis anos. “Os empresários ainda esperam crescimento, mas em um ambiente mais incerto, o que reduz a intensidade desse otimismo”, avalia.

Investimentos seguem elevados, puxados por grandes empresas

Na contramão dos demais indicadores, a intenção de investimento avançou em maio, alcançando 60 pontos e registrou alta de 2,6 pontos em relação a abril e de 3,8 pontos na comparação anual.

Conforme explica Daniela Muniz, o movimento é impulsionado principalmente pelas grandes empresas. Enquanto o índice para pequenas empresas ficou em 52,3 pontos e para médias em 47,8 pontos, as grandes atingiram 71,6 pontos.

Segundo a economista, as empresas de maior porte garantem melhores condições para investir, mesmo em cenários adversos. “Essas empresas têm maior acesso a crédito, mais capital próprio, ganhos de escala e maior capacidade de planejamento de longo prazo, o que aumenta a resiliência frente às oscilações econômicas”, explica.

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