COTAÇÃO DE 01/12/2021

DÓLAR COMERCIAL

COMPRA: R$5,6700

VENDA: R$5,6710

DÓLAR TURISMO

COMPRA: R$5,6870

VENDA: R$5,8270

EURO

COMPRA: R$6,3654

VENDA: R$6,3672

OURO NY

U$1.779,55

OURO BM&F (g)

R$322,58 (g)

BOVESPA

-1,12

POUPANÇA

0,4412%

OFERECIMENTO

INFORMAÇÕES DO DOLAR

Economia zCapa
Crédito: REUTERS/Amanda Perobelli

A taxa Selic tem alcançado patamares historicamente baixos. Em meio às tentativas de estimular a economia do País, sobretudo tendo em vista a pandemia do novo coronavírus (Covid-19), os cortes a levaram ao valor de 2,25% ao ano.

Mas, afinal, os benefícios dessa medida poderão ser suprimidos ou diminuídos se considerarmos outros fatores, como a possível fuga de investidores do Brasil? Isso é algo plausível? Essa realidade está muito próxima de nós e cada vez mais ameaçadora?

PUBLICIDADE

Especialistas consultados pelo DIÁRIO DO COMÉRCIO avaliam que, sim, tanta diminuição na taxa básica de juros do País pode fazer com que haja uma perda de interesse em aplicar dinheiro por aqui. Pode-se chegar ao chamado lower bound, ou seja, a uma situação em que a baixa da Selic não é mais capaz de fomentar a economia. Mas, talvez, isso não ocorra neste momento – e nem com os 2,25% atuais.

Conforme destaca o estrategista da Terra Investimentos, Marco Harbich, o Brasil não é nenhum Estados Unidos ou Alemanha para chegar a uma taxa de juros zero. É preciso que o País tenha o prêmio de risco, ou seja, que oferte maior rentabilidade do que a dos ricos e desenvolvidos para realmente despertar o interesse dos investidores. E até agora o Brasil tem pago o preço por não oferecer a mesma estabilidade ou confiança do que os outros, pois ainda está mais atrativo, mesmo com os juros mais baixos.

No entanto, para Marco Harbich, o País não pode continuar indo tão longe nos cortes da Selic, embora ainda tenha espaço para mais uma queda. Para ele, “2% é uma taxa satisfatória, uma vez que muitos países desenvolvidos estão com taxa zero”, diz. “Nesse caso, ainda temos um prêmio de risco a oferecer”.

O professor do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec BH), Hélio Berni, também destaca que se a taxa de juros brasileira chegar a patamares próximos aos de países desenvolvidos, os investidores tenderão a procurá-los em vez do Brasil. Um problema maior ainda pode ocorrer se esses países começaram a elevar os juros, diz ele.

O estrategista da RB Investimentos, Gustavo Cruz, por sua vez, ressalta que a baixa na Selic não é o único entrave para os investimentos no Brasil e, por si só, talvez não seja capaz de fazer com que muitos percam o interesse no País. Há outros fatores que costumam ser analisados nesse cenário, afirma ele, como os rumos que o Brasil deve tomar daqui para frente. Afinal, lembra, a taxa básica de juros não deve ficar nesse patamar para sempre e pode voltar aos 5% ao ano em médio e em longo prazo, avalia.

“Uma economia emergente oferece uma série de oportunidades. Há muitos aspectos que ainda precisam ser desenvolvidos. Existem diversas áreas para investimentos. Porém, é preciso que o Brasil dê boas perspectivas. O investidor avalia toda a curva, pensa também para a frente. A Selic vai ficar baixa este ano, boa parte do ano que vem, no entanto depois normaliza”, afirma.

Hélio Berni também diz que o Brasil precisa pensar em ações se quiser atrair mais investidores – e elas não estão só atreladas às taxas de juros. “É necessário oferecer mais segurança. Os investidores precisam saber que estão enviando dinheiro para um ambiente de negócios saudável”, diz.

De acordo com ele, é importante continuar a trabalhar com questões relacionadas ao controle de gastos. O governo brasileiro, diz, precisa mostrar compromisso de controlar a dívida bruta. Além disso, o professor do Ibmec defende que é relevante colocar em pauta a política tributária e trazer de novo a discussão sobre as melhorias que podem ser feitas no sistema previdenciário.

Em meio às muitas possibilidades e riscos, principalmente diante da insegurança atual no Brasil, entretanto, muitos investidores estão em compasso de espera, aguardando qual decisão tomar. O economista e professor do Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Fernando Sette, afirma que a queda na Selic pode fazer com que os investidores, embora permaneçam no Brasil, migrem do setor público para o privado. No entanto, talvez, não por ora.

Para ele, muitos podem aguardar até o fim do ano uma sinalização do governo brasileiro de que precisa de recursos. Aí, destaca, seria só aumentar a taxa Selic para obtê-los com mais facilidade. Para os investidores, pode ser uma alternativa melhor do que o setor privado e, por isso, esperam para ver se ela irá se concretizar.

Câmbio – A queda na Selic também tem influência sobre o câmbio, por causa da saída de capital estrangeiro do País. Ontem, por exemplo, apesar da queda de 0,89%, o dólar fechou a R$ 5,2701. Isso, porém, pode ser bom para o Brasil sob alguns aspectos, conforme destacam os especialistas.

Hélio Berni afirma, por exemplo, que, de acordo com dados do Banco Central, as empresas brasileiras, em geral, têm mais ativos no setor externo em moeda estrangeira do que passivos. “Nesse caso, a desvalorização do câmbio é benéfica para o balanço contábil das empresas”, sinaliza.

Gustavo Cruz lembra também que, nesse cenário, principalmente o setor de agronegócio irá se beneficiar com as exportações. “Tem muitos países que estão preocupados com o desabastecimento, e o Brasil pode se beneficiar”, diz.

Marco Harbich também salienta os benefícios com as exportações, mas lembra que para o Brasil não é interessante que a moeda estrangeira suba muito ainda, pois atrapalha os importadores.

Ao comentar você concorda com os Termos de Uso. Os comentários não representam a opinião do portal Diário do Comércio. A responsabilidade sob qualquer informação divulgada é do autor da mensagem.

COMPARTILHE

NEWSLETTER

Fique por dentro de tudo que acontece no cenário economico do Estado

OUTROS CONTEÚDOS

PRODUZIDO EM

MINAS GERAIS

COMPARTILHE

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram

Comunicar erro

Identificou algo e gostaria de compartilhar com a nossa equipe?
Utilize o formulário abaixo!