Economia

Levantamento revela as 20 ruas mais valorizadas de BH; veja a lista completa

Além do ranking dos endereços mais caros da Capital, especialistas explicam quais fatores valorizam (ou desvalorizam) uma rua na hora de comprar um imóvel
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Levantamento revela as 20 ruas mais valorizadas de BH; veja a lista completa
Foto: Reprodução/ Adobe Stock

A rua Matias Cardoso, no bairro Santo Agostinho, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, concentra os imóveis residenciais mais caros da Capital. Segundo levantamento da Loft, divulgado com exclusividade ao Diário do Comércio nesta segunda-feira (29), a via tem o maior tíquete médio da cidade, de R$ 7,2 milhões por imóvel, e também o metro quadrado mais valorizado, de R$ 13,8 mil. Confira o ranking:

Via Bairro Tíquete médio (em R$) Área média (em m²)
Rua Matias CardosoSanto Agostinho7.233.333523
Rua ZodíacoSanta Lúcia4.066.912552
Rua Levindo LopesSavassi3.558.970289
Rua PiauíFuncionários3.240.422282
Rua AlumínioSerra3.209.856303
Rua ParacatuSanto Agostinho3.094.000338
Rua NíquelSerra3.014.000342
Rua Ouro PretoSanto Agostinho2.773.333307
Rua Felipe dos SantosLourdes2.761.667291
Rua Prof. Raimundo CândidoBelvedere2.664.000264
Av. FlemingOuro Preto2.637.400254
Rua Des. Jorge FontanaBelvedere2.581.000281
Rua Joaquim LinharesAnchieta2.549.969273
Rua Prof. Arduino BolívarSanto Antônio2.410.000263
Rua Ouro FinoCruzeiro2.378.487258
Rua Constantino Siqueira dos SantosPaquetá2.317.500316
Rua Tomaz GonzagaLourdes2.203.287275
Rua Rio de JaneiroLourdes2.078.019236
Rua General Dionísio CerqueiraGutierrez1.998.357249
Rua São PauloLourdes1.973.787239

Fonte: Loft, com base nos dados do ITBI entre fevereiro e abril de 2026.

Os dados fazem parte do Monitor de Vendas por Rua, levantamento da Loft baseado em 5.839 transações residenciais realizadas em Belo Horizonte entre fevereiro e abril de 2026, a partir das informações do Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) da Prefeitura. O ITBI é um tributo municipal pago pelo comprador na aquisição de um imóvel.

Para o CEO da Aluu, empresa especializada em sistemas de gestão de contratos para imobiliárias, Eduardo Luiz, esse tíquete médio posiciona a rua Matias Cardoso entre os endereços de altíssimo padrão de Belo Horizonte.

“O resultado demonstra que existe uma demanda muito forte por empreendimentos de alto padrão em regiões específicas de Belo Horizonte. Quem compra ali não está pagando apenas pelo apartamento, mas pelo endereço, pela escassez de oferta, pela qualidade do empreendimento e pela possibilidade de viver em uma região central da cidade”, afirma.

Entre os bairros com maior número de ruas no ranking dos imóveis de maior valor, predominam localidades da região Centro-Sul. O Lourdes lidera a lista, com quatro vias entre as 20 primeiras. Confira:

  • Lourdes;
  • Santo Agostinho;
  • Serra;
  • Belvedere;
  • Santa Lúcia;
  • Savassi;
  • Funcionários;
  • Ouro Preto (Pampulha);
  • Anchieta;
  • Santo Antônio;
  • Cruzeiro;
  • Paquetá (Pampulha);
  • Gutierrez (Oeste).

“O levantamento mostra a força de bairros como Santo Agostinho e Savassi, que concentram imóveis de alto padrão e seguem entre os mais valorizados da cidade. O estudo também evidencia quais são as ruas mais caras dentro desses bairros. Para quem deseja morar nessas regiões, uma alternativa é buscar vias próximas, que oferecem a mesma infraestrutura por valores mais acessíveis”, avalia o gerente de dados da Loft, Fábio Takahashi.

Santo Agostinho lidera ranking do metro quadrado mais valorizado

No ranking do preço médio por metro quadrado, a rua Matias Cardoso também ocupa a primeira posição, com R$ 13,8 mil/m². Na sequência aparecem a rua Levindo Lopes, na Savassi, com R$ 12,2 mil/m², e a rua Piauí, no Funcionários, com R$ 11,4 mil/m². Confira:

Via Bairro Preço m² (em R$) Área média (em m²)
Rua Matias CardosoSanto Agostinho13.841523
Rua Levindo LopesSavassi12.297289
Rua PiauíFuncionários11.476282
Rua Juiz de ForaSanto Agostinho10.867106
Rua Antônio de AlbuquerqueSavassi10.864156
Rua AlumínioSerra10.597303
Rua Fernandes TourinhoSavassi10.572186
Rua CaracolCruzeiro10.37733
Ave FlemingOuro Preto10.373254
Rua dos AimóresSanto Agostinho10.259106
Rua Prof. Raimundo CândidoBelvedere10.074264
Rua GrajaúAnchieta10.048148
Rua Felipe dos SantosLourdes9.484291
Rua Zilah Correa de AraújoOuro Preto9.40684
Rua Joaquim LinharesAnchieta9.337273
Rua Ouro FinoCruzeiro9.212258
Rua Des. Jorge FontanaBelvedere9.201281
Rua ParacatuSanto Agostinho9.165338
Rua Prof. Arduino BolívarSanto Antônio9.152263
Rua Ouro PretoSanto Agostinho9.040307

Fonte: Loft, com base nos dados do ITBI entre fevereiro e abril de 2026.

Assim como no ranking do tíquete médio, predominam bairros da região Centro-Sul entre as vias com maior valor por metro quadrado. O Santo Agostinho lidera, com cinco ruas na lista. Em seguida aparecem Savassi (três), Cruzeiro, Ouro Preto (Pampulha), Belvedere e Anchieta (duas cada), além de Funcionários, Serra, Lourdes e Santo Antônio, com uma via cada.

O que faz uma rua valer mais?

Segundo Eduardo Luiz, a valorização de uma rua é resultado da combinação de fatores como localização, infraestrutura urbana, padrão dos edifícios, qualidade do bairro e, principalmente, da relação entre oferta e demanda por determinados tipos de imóveis.

“No caso da rua Matias Cardoso, existe uma combinação de fatores que favoreceu essa valorização. Além de estar no Santo Agostinho, um bairro tradicional, central e consolidado, a via passou a concentrar empreendimentos voltados para um nicho específico do mercado de alto padrão”, explica o empresário.

Ele acrescenta que algumas tipologias de imóveis são escassas em Belo Horizonte. Ao mesmo tempo, há compradores que procuram mais do que um apartamento amplo ou um endereço valorizado. Eles buscam plantas modernas, edifícios com poucas unidades, privacidade, várias vagas de garagem, áreas comuns sofisticadas, tecnologia, segurança e serviços compatíveis com um novo estilo de morar.

Durante muitos anos, esses atributos levaram parte da demanda para municípios como Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Mais recentemente, porém, as incorporadoras perceberam que ainda existe um público interessado em um novo padrão de moradia, sem abrir mão da centralidade, da conveniência e da vida urbana.

“As incorporadoras passaram a desenvolver empreendimentos direcionados a esse perfil de comprador. Por isso, não estamos falando apenas da valorização de uma rua, mas de um endereço que passou a reunir imóveis exclusivos, voltados para consumidores de alta renda. Guardadas as proporções, é uma lógica semelhante à observada em bairros como Itaim Bibi e Vila Nova Conceição, em São Paulo, onde há pouca oferta de terrenos, elevada demanda e empreendimentos voltados para um público bastante exigente. Essa combinação sustenta preços elevados”, afirma Luiz.

Outro fator importante, segundo o especialista, é o equilíbrio entre áreas residenciais e comércio. “O comprador quer estar próximo de hospitais, escolas, restaurantes, shopping centers, serviços e importantes vias de acesso, mas também deseja morar em uma rua tranquila, segura e predominantemente residencial”, completa.

O que desvaloriza uma rua?

Uma rua tende a perder valor quando apresenta trânsito intenso, excesso de ruído, insegurança, problemas de conservação, risco de alagamentos, calçadas em más condições ou atividades comerciais incompatíveis com o uso residencial. O padrão dos edifícios também influencia. Imóveis antigos, com custos elevados de manutenção, poucas vagas de garagem e sem modernizações tendem a perder competitividade, segundo o CEO da Aluu.

Cinco dicas para escolher uma boa rua para morar

Para o CEO do Grupo Casa Grande, Pedro Augusto Rezende, ao procurar um imóvel para morar é importante avaliar não apenas a casa ou o apartamento, mas também a rua onde ele está localizado, já que ela influenciará diretamente a rotina do comprador ou do locatário. Confira as recomendações do especialista:

  1. Visite a rua em horários diferentes. Caminhe pelo local durante o dia, à noite, em dias úteis e nos fins de semana. Uma rua tranquila pela manhã pode ser barulhenta à noite ou ficar deserta após determinado horário.
  2. Observe a infraestrutura do entorno. Avalie a presença de padarias, farmácias, supermercados, pontos de ônibus e outros serviços. Quanto maior a possibilidade de resolver as tarefas do dia a dia a pé, maior tende a ser o potencial de valorização do imóvel.
  3. Repare na conservação da rua. Árvores, iluminação pública e calçadas em bom estado costumam indicar uma região bem cuidada tanto pelo poder público quanto pelos moradores.
  4. Converse com os moradores. Eles podem fornecer informações que não aparecem nos anúncios dos imóveis, como nível de ruído, sensação de segurança e convivência na vizinhança.
  5. Avalie o potencial de desenvolvimento da região. Considere os investimentos previstos em infraestrutura, transporte e serviços. Comprar ou alugar um imóvel também significa analisar como aquela região poderá evoluir nos próximos anos.

Como foi feito o levantamento

Segundo a Loft, o Monitor de Vendas por Rua utiliza as transações residenciais registradas pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) na base do Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), que informa o preço efetivo de venda e a área de cada imóvel negociado. Antes da análise, a base de dados passa por um tratamento para eliminar duplicidades e inconsistências.

“Para evitar oscilações pontuais, são sempre considerados os três meses mais recentes com dados disponíveis. Mensalmente, entram os dados do novo mês e saem os mais antigos”, explica a empresa, em nota.

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