Rússia ameaça retaliar os EUA caso haja restrições a bancos

11 de agosto de 2018 às 0h00

Moscou – A Rússia alertou os Estados Unidos (EUA), na sexta-feira (10), que encararia qualquer medida norte-americana para restringir as atividades de bancos russos como uma “declaração de guerra econômica” e que retaliaria, já que as novas sanções afetaram o rublo e parlamentares dos EUA ameaçaram impor mais. O alerta do primeiro-ministro russo, Dmitry Medvedev, reflete os temores russos de um impacto de novas restrições sobre a economia e os ativos do país, incluindo o rublo, que perdeu quase 6% de seu valor na semana devido ao nervosismo causado pelas sanções. Falando durante uma viagem ao extremo leste da Rússia, Medvedev disse: “Posso dizer uma coisa: se surgir uma proibição a operações de bancos ou ao uso que fazem desta ou daquela moeda, seria possível chamá-la claramente de uma declaração de guerra econômica”. “E seria necessário, seria preciso reagir a esta guerra economicamente, politicamente ou, se preciso, por outros meios. E nossos amigos norte-americanos precisam entender isso”. Economistas acreditam que a economia russa crescerá 1,8% neste ano. Mas se as novas sanções propostas pelo Congresso e pelo Departamento de Estado dos EUA forem adotadas integralmente, o que continua incerto, alguns economistas temem que o crescimento seja quase zero. O presidente russo, Vladimir Putin, falou sobre o que o Kremlin qualificou como “possíveis novas medidas inamistosas de Washington” com seu Conselho de Segurança na sexta-feira. Leia também: Turquia pede venda de ouro e dólares por lira Plano em ruína – A estratégia moscovita de tentar melhorar os desgastados laços EUA-Rússia, por meio de uma aproximação com o presidente Donald Trump, está fracassando – parlamentares pediram uma nova leva de sanções, na semana passada, por temerem que Trump seja muito suave com a Rússia. Isso, por sua vez, pressionou Trump a mostrar que é duro com Moscou antes das eleições de meio de mandato. Na quarta-feira (8), o Departamento de Estado anunciou novas sanções ligadas ao envenenamento de um ex-espião duplo russo no Reino Unido em março. Na sexta-feira (10), a Casa Branca criticou duramente o incidente do envenenamento, que um porta-voz do Conselho de Segurança Nacional de Trump classificou como “uma demonstração irresponsável de desprezo pela norma universalmente respeitada contra armas químicas”. As novas sanções fizeram o rublo sofrer sua pior queda em dois anos e desencadearam uma liquidação ainda maior de ativos devido aos temores de que Moscou esteja presa em uma espiral de punições ocidentais sem fim. O ministro de Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, queixou-se das punições recentes em um telefonema ao secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, na sexta-feira (10).

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