SAE Towers amplia portfólio de negócios e vai entrar nas áreas de mineração, rodovias e ferrovias
A SAE Towers, gigante na produção de torres e ferragens para o segmento de transmissão e distribuição de energia, está preparando um salto importante e inédito para ampliar o portfólio da empresa. A SAE faz parte do Grupo KEC International divisão de infraestrutura da Gigante RPG Enterprises, está prestes a investir em um dos setores mais robustos da economia mineira: a mineração.
Desde 2024, a empresa, com sede em Betim, na Grande BH, vem se preparando para atender aos grandes players do mercado. Para sedimentar o caminho, a SAE promoveu eventos e seminários, apresentando ao mercado o que iria propor para os mineradores.
Além da comunicação ao mercado, a SAE entendeu que poderia fazer o movimento sem grandes sobressaltos. Ao buscar um novo nicho para investir, gerar novas receitas e diversificar seus negócios, não precisou fazer grandes intervenções ou adaptações bruscas na planta fabril da empresa.
Ela vai utilizar sua expertise na fabricação de torres para criar uma linha de produtos nova, focada no mercado da mineração.
O diretor comercial e de operações da SAE Towers, Ricardo Nakamura, explicou, com exclusividade à reportagem do Diário do Comércio, como será essa incursão da empresa no mundo da mineração.
“As áreas em que vamos focar, inicialmente, são as estruturas leves. O primeiro componente que faremos, e que é muito interativo com o nosso processo de fabricação, são suportes estruturais para correias transportadoras para mineração. Vamos iniciar por este produto porque são basicamente fabricados com os mesmos componentes que produzimos as torres. Então, há essa importante sinergia e nossos equipamentos fabris já estão preparados para esse tipo de operação”, conta o diretor.

Vantagem competitiva e projeto piloto
O passo dado pela empresa faz sentido, pois já existe uma cadeia de engenharia, fabricação, gestão, logística e de fornecedores que permitem esse movimento com segurança.
Fornecedores estratégicos de laminados planos e não planos, que vendem grandes volumes de aço para a SAE, podem trazer um benefício competitivo para a empresa: compra em larga escala, com custo menor, que pode refletir no custo final dos produtos que serão comercializados com a mineração.
E esse contexto de estrutura já existente criou um cenário de agilidade para viabilizar o projeto de mineração, um desejo da matriz, na Índia, de diversificar os negócios do grupo, sem perder o foco no principal, que segue sendo a produção produtos para a área de energia.
“Nós temos um cliente a ser atendido. Já temos uma ordem dentro da SAE e a produção deste projeto já está em plena carga. Inclusive a primeira inspeção já está em andamento em nossa fábrica e devemos entregar o lote de fabricação no próximo mês”, contou o diretor.
Recepção do mercado
Ricardo Nakamura detalhou que, durante o processo de captação dos potenciais clientes, foi elaborado um plano estratégico para entrada neste mercado, considerando a demanda bem como investimentos necessários.
“Houve bastante interesse tanto por parte das mineradoras quanto das empresas que executam a montagem da estrutura. Também estamos trazendo uma alternativa à pintura, que é a galvanização. A estrutura, ao invés de ser pintada, será galvanizada. E neste caso, a vantagem será uma extensão maior da vida útil da estrutura metálica com relação à corrosão”, disse.
Concorrência
A SAE Towers, também está trazendo outro fator diferencial para se lançar ao mercado e captar novos clientes: suas estruturas podem ser alternativamente, montadas em partes, sem soldas, o que pode ser uma vantagem técnica para o projeto considerando também a manutenção do ativo do cliente.
“Estamos prontos para atender todas as demandas dos clientes. Vale destacar que temos uma engenharia muito forte e estruturada, e podemos agregar na concepção da solução também, não somente na produção”, comenta o gestor, que já tem os próximos passos no horizonte para o setor mineral.
Ferrovias e rodovias
Ao que parece, diversificação virou a palavra de ordem na SAE. Além da mineração, a empresa tem outros dois segmentos em que pretende atuar: ferrovias e rodovias.
“É uma expansão que estamos prevendo, não só no segmento de mineração, continuando firmes no segmento de energia, que é o nosso carro-chefe, mas na mineração realmente prevemos grandes expansões, e também em outros negócios, como ferroviário e rodoviário”, conta o diretor operacional e comercial da empresa, Ricardo Nakamura.
Ele comenta que as ferrovias no Brasil ainda usam muito o maquinário de combustão, mas que há grandes oportunidades em eletrificações de ferrovias, para o metrô, por exemplo. “Você tem estruturas, e temos aqui também um produto que chamamos de ferragens, que são justamente as conexões que compõem a ligação do cabo à estrutura. Isso tudo, na eletrificação da ferrovia, é muito utilizado”, disse.
“No caso das rodovias, também temos essas novas concessões. Um dos itens que estamos observando são as torres de telecom, porque agora a rodovia precisa ter os sinais de internet. Nas rodovias, é um produto que já fornecemos no passado e que agora vamos começar a olhar com mais atenção. Dos itens que estamos observando são as torres de telecom bem como as estruturas metálicas ao longo das rodovias”, completa.
Negócio principal
Apesar de mirar novos horizontes, a SAE não quer perder o foco e segue firme no seu principal produto, também de olho nas oportunidades que a expansão do setor elétrico está promovendo.
“Em relação ao segmento de transmissão de energia, temos uma visão de bastante longo prazo. E, acompanhando todo esse mercado, com suas sazonalidades, é justamente onde vamos concentrar mais esforço e investimento para atender às demandas de energia e trazendo nossa experiência de mais de 70 anos de comprovadas entregas de soluções e produtos ao setor.”, finaliza Ricardo Nakamura.
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