PIB da mineração em Minas Gerais avança 4,1% no 1º trimestre, aponta Fiemg
O Produto Interno Bruto (PIB) da mineração em Minas Gerais avançou 4,1% nos primeiros três meses deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com o Boletim da Indústria Mineral da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). A economista da entidade, Luiza de Mello, afirma que o desempenho indica uma melhor atuação das empresas, com ganhos de capacidade produtiva e operacionais.
Conforme o estudo, a produção de minério de ferro, carro-chefe do setor no Estado, subiu 5,3% na comparação interanual, considerando os resultados dos principais players. A Vale sustentou o crescimento, com alta de 10,8%, enquanto os demais registraram quedas: Mineração Usiminas (-10,2%), CSN Mineração (-1,5%) e Anglo American (-1,3%).
No confronto do primeiro trimestre de 2026 com os últimos três meses de 2025, as quatro mineradoras produziram menos, o que refletiu numa retração conjunta de 17,4%. Ao mesmo tempo, o PIB da indústria mineral de Minas Gerais recuou 5,4%.
A economista ressalta que a sazonalidade de início de ano afeta as operações. “O período chuvoso acaba impactando negativamente a qualidade do minério, a própria logística de escoamento e a eficiência operacional”, afirma. Outro fator que pode ter contribuído negativamente é a redução do preço médio do minério de ferro entre os períodos, em meio à desaceleração da economia chinesa e ao arrefecimento da demanda, segundo o boletim.
Para o restante deste ano, a previsão é de recuperação do recuo sazonal. A mineração no Estado deve seguir apoiada no minério de ferro, cuja produção tende a permanecer relativamente estável sobre 2025, favorecida por incrementos de eficiência nas lavras em operação e pela otimização do mix produtivo das empresas. Luiza de Melo observa que a valorização do ouro e as perspectivas favoráveis de demanda por minerais associados à transição energética também tendem a contribuir positivamente para a atividade do setor.
Expectativa de crescimento desacelerado
Apesar dos fatores positivos, a indústria mineral de Minas Gerais tem desafios no ambiente externo. Com isso, a expectativa para o decorrer dos próximos trimestres é de que o PIB do setor no Estado cresça, mas em ritmo desacelerado frente ao ano passado.
De acordo com a economista, as empresas enfrentam no cenário internacional um arrefecimento do setor imobiliário da China, um dos principais responsáveis por ditar a demanda de minério de ferro. Conforme ela, os players também lidam com conflitos geopolíticos intensos que ampliam a volatilidade do mercado de commodities.
“Esse é um movimento que, embora eleve o preço do petróleo e favoreça o Brasil por ser um exportador líquido, para os minerais metálicos é um fator de pressão, porque aumenta os custos dos combustíveis e da energia. Isso contribui para desacelerar o crescimento global e, consequentemente, reduzir a demanda por minérios”, salienta.
Saldo da balança comercial do setor no Estado recua
Além do PIB e da produção, o estudo da Gerência de Economia da Fiemg reúne dados do comércio exterior. O saldo da balança comercial da mineração de Minas Gerais no primeiro trimestre de 2026 foi superavitário em US$ 2,6 bilhões, mas caiu 2,9% ante o mesmo intervalo de 2025 e 22,6% frente aos três meses imediatamente anteriores.
Na composição do resultado, o valor exportado pelo setor no Estado recuou 0,5% na comparação interanual e 22,6% no confronto trimestral, enquanto o montante importado cresceu 39,5% e retraiu 22,7%, respectivamente.
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