São Gonçalo do Rio Abaixo se torna novo polo químico e reduz dependência da mineração
São Gonçalo do Rio Abaixo, município localizado a 87 quilômetros (km) de Belo Horizonte, na região Central, receberá mais um empreendimento industrial, ampliando a diversificação econômica da cidade, que tem na mineração sua principal atividade.
Nos últimos seis meses, cinco empresas anunciaram a instalação em distritos industriais do município. O primeiro anúncio foi do Grupo TQA, com a Vitta Química, gerando investimento superior a R$ 20 milhões, com a prefeitura aportando R$ 3,5 milhões para oferecer infraestrutura adequada às empresas que se instalam em São Gonçalo do Rio Abaixo.
“Inauguramos na segunda-feira (13) a planta da Vitta Química, pertencente ao Grupo TQA, um grupo brasileiro que já possui unidades inclusive em Portugal. Para recebê-los, fizemos a preparação do terreno, com obras de terraplanagem, arruamento e demais infraestruturas. Estamos falando de mais de R$ 20 milhões em investimento, com geração imediata de 20 empregos diretos e 50 indiretos, criados a partir dessa nova planta, que vai produzir coagulantes inorgânicos para a área química, tratamento de resíduos sólidos e saneamento básico”, disse o secretário de Desenvolvimento Econômico de São Gonçalo do Rio Abaixo, Gabriel Quintão.
A cidade está se tornando um polo químico, pois algumas características locais favorecem a instalação desse tipo de indústria, tornando-a atrativa para novos negócios.
“A indústria química é hoje uma das principais vocações econômicas do município. Temos um plano chamado Próspera+, por meio do qual mapeamos e trabalhamos algumas vocações. Eu diria que as principais são a indústria química, a indústria alimentícia e a logística, pelo posicionamento do município entre as duas principais regiões metropolitanas do estado: o Vale do Aço e a Região Metropolitana de Belo Horizonte”, comenta Quintão.
Mais plantas a caminho
Além da inauguração da Vitta Química, São Gonçalo do Rio Abaixo já conta com outras empresas do segmento em funcionamento, como a Citróleo, que realiza a extração de óleo de candeia. Outras plantas também estão a caminho, entre elas uma unidade que produzirá emulsão e explosivos para mineração.
“Agora temos a Vitta Química e, em breve, a Bionauta. Todas essas empresas representam um incremento muito grande na nossa economia, com retorno tributário importante e geração de empregos em setores não ligados diretamente à mineração, nossa atividade principal”, diz o secretário.
“Trata-se de um setor com mão de obra qualificada, técnicos e engenheiros, que não depende diretamente do setor mineral, o que contribui para a diversificação econômica. O faturamento nos próximos cinco anos deve ultrapassar os R$ 40 milhões, com retorno tributário bastante expressivo”, completa Quintão.
Menor dependência da mineração
O trabalho realizado por São Gonçalo do Rio Abaixo na busca por novos parceiros faz parte do plano Próspera+. A iniciativa visa reduzir a dependência da mineração para o município, e os resultados já são visíveis: somente em 2025, cinco grandes empresas se instalaram na cidade, todas sem vínculo com o setor mineral.
“Teremos um grande investimento de um frigorífico; a Fralia Brasil Cacau Brasil; a Bional, uma joint venture entre a Vale e a Cenibra para produção de biocarbono, com investimento de R$ 170 milhões no nosso Distrito Industrial 3. Além disso, chegaram a R3, empresa de distribuição de alimentos; um centro tecnológico voltado para operações de mineração; a construtora Vale Verde; e a Fruta de Minas”, afirma o secretário.
“Nos próximos dias, teremos o anúncio de mais duas empresas: uma grande indústria de produtos alimentícios congelados e uma fabricante de peças para usinas fotovoltaicas e energia solar”, assinala.
Condições favoráveis
O município reúne um conjunto de fatores que facilitam a atração de negócios: oferta fundiária com cinco distritos industriais em diferentes estágios – o DI 2 está 100% ocupado, o DI 1 em plena capacidade e já em expansão, e o DI 3 inicia agora com a fábrica da Bional; o DI 4 está em início de obras e o DI 5 em fase de projeto. Há ainda programas de crédito para pequenos, médios e grandes investidores, uma unidade própria do Senai, o IFMG, e legislação que prevê isenção tributária, incluindo Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), e desconto no Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN).
A logística também é bastante favorável. A cidade é cortada pela rodovia federal BR-381 e pelas rodovias estaduais MG-434 e MG-129, que a conectam a diversos municípios e regiões, como Itabira, Inconfidentes, Mariana, Ouro Preto, Santa Maria e Goiânia.
“Cerca de 15% do orçamento da secretaria é destinado a um fundo específico de incentivos à economia. Nos últimos cinco anos, mais de R$ 550 milhões foram investidos em infraestrutura, viabilizando um novo trevo de acesso na BR-381, o início das obras do novo distrito, a construção de avenidas e infraestrutura completa”, finaliza Quintão.
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