Datas sazonais podem definir o resultado financeiro do varejo no ano em Minas Gerais

Datas comemorativas como Natal e Black Friday são cruciais para o desempenho do comércio em Minas Gerais, podendo definir o resultado anual
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Datas sazonais podem definir o resultado financeiro do varejo no ano em Minas Gerais
A Black Friday é a segunda principal data do calendário comercial, com destaque para eletroeletrônicos | Foto: Reprodução Pixabay

Em dezembro tem Natal, em maio Dia das Mães e em julho férias escolares. Datas que movimentam os corredores dos centros de compras e setores como os de turismo e lazer. Embora não exista um indicador consolidado capaz de medir exatamente quanto cada período sazonal representa no faturamento anual do varejo mineiro, especialistas afirmam que essas datas são determinantes para o desempenho do setor e podem definir o resultado financeiro de todo o ano.

Segundo o superintendente da Associação dos Lojistas de Shopping Centers de Minas Gerais (Aloshopping/MG), Marcelo Silveira, a principal concentração de receitas ocorre no chamado quarto trimestre, impulsionado pela Black Friday, Natal, pagamento do 13º salário e pelas confraternizações de fim de ano. Em segmentos como brinquedos, eletrônicos, vestuário, calçados e cosméticos, os últimos três meses do ano podem responder, de acordo com ele, por até um terço do faturamento anual. Já no varejo como um todo, o percentual é menor, devido ao comportamento distinto entre os diversos segmentos.

Silveira ressalta que, embora seja comum afirmar que o quarto trimestre fatura cerca de 30% mais que o terceiro e até 50% acima do primeiro, essa relação deve ser vista como uma tendência de sazonalidade, e não como uma regra. “O peso real depende do mix de lojas, do perfil do consumidor e do quanto cada shopping depende de compras de presentes e serviços”, explica.

Entre as datas comemorativas, o Natal permanece como o principal motor das vendas. Nas categorias fortemente ligadas a presentes, o período natalino pode concentrar entre 8% e 15% do faturamento anual. A Black Friday aparece como a segunda maior data do calendário comercial, representando entre 3% e 8% das vendas anuais em segmentos como eletroeletrônicos, informática, telefonia e moda. Entretanto, parte desse volume corresponde à antecipação de compras que seriam realizadas em dezembro, reduzindo seu impacto líquido sobre o faturamento anual.

O Dia das Mães ocupa a terceira posição em importância para o varejo, respondendo por cerca de 2% a 5% do faturamento anual, especialmente em moda, cosméticos, acessórios, restaurantes e lazer. Já o Dia dos Pais possui peso mais modesto, próximo de 3%, concentrado principalmente em moda masculina, artigos esportivos, eletrônicos e alimentação.

Férias movimentam o shopping, mas nem sempre as lojas

Ao contrário das datas comemorativas, o especialista explica que julho tem uma dinâmica diferente. O aumento da circulação nos shoppings, por exemplo, é impulsionado pelas férias escolares e beneficia principalmente operações de entretenimento, cinemas, alimentação, parques e serviços.

Silveira comenta que a programação especial de férias amplia o fluxo de visitantes e o tempo de permanência dos consumidores, mas nem sempre isso se converte em compras nas lojas. “Uma família pode ir ao shopping para uma atração, consumir alimentação e lazer, mas não comprar roupas ou bens duráveis”, exemplifica. Nesses segmentos ligados ao lazer, as vendas podem superar um mês comum entre 10% e 25%, enquanto o varejo em geral costuma registrar desempenho próximo da média anual.

A economista da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), Virgínia Mesquita, reforça que não há uma estatística consolidada capaz de indicar quanto cada período sazonal representa no faturamento do comércio, justamente porque os impactos variam conforme o segmento econômico. “Não existe uma estatística que consolide esse percentual para Belo Horizonte, Minas Gerais ou Brasil. O comportamento muda conforme o setor, o porte da empresa e o tipo de produto vendido”, afirma.

Segundo ela, supermercados e farmácias, por comercializarem produtos essenciais, mantêm faturamento relativamente estável ao longo do ano. Já setores ligados ao consumo discricionário, como moda, calçados, presentes, eletrônicos e decoração, dependem muito mais das datas comemorativas. “As datas comemorativas funcionam como choques positivos de demanda. Existe um apelo emocional e social que impulsiona o consumo das famílias e aumenta tanto o ticket médio quanto o faturamento das empresas”, explica.

“Super trimestre” sustenta o ano

Na avaliação da economista, o período que vai da Black Friday ao Natal é tão importante que recebe o nome de “super trimestre”. É quando se concentra o maior volume de vendas do comércio e dos shopping centers.

Ela destaca que esse intervalo acaba compensando meses tradicionalmente mais fracos. “Muitas vezes esse período salva o faturamento do ano. Um mês cobre o outro, ajudando o fluxo de caixa das empresas durante os períodos de menor movimento”, afirma. No entanto, lembra que pode variar dependendo do segmento.

A economista da CDL/BH observa ainda que a Black Friday modificou o calendário do consumo ao antecipar parte das compras de Natal e contribuir com cerca de 3% a 4% do faturamento anual do comércio. “Ela reorganizou o consumo existente e alongou o quarto trimestre, que hoje concentra o maior faturamento do varejo”, avalia.

Dessa forma, os especialistas orientam que a principal lição da sazonalidade não deve ser vista apenas como um período de vendas elevadas, mas como uma ferramenta estratégica de planejamento. Enquanto datas comemorativas impulsionam naturalmente a demanda, meses considerados “normais” exigem promoções, eventos e ações de marketing para atrair consumidores.

No fim das contas, mais do que comparar um mês com outro, o desafio do varejo é equilibrar o desempenho ao longo dos 12 meses e aproveitar os períodos de maior consumo para sustentar os resultados do ano inteiro.

Sobre o autor

Juliana Sodré

Repórter do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela PUC Minas, com especialização em Imagens e Culturas Midiáticas pela UFMG.

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