Crédito: Alisson J. Silva

Após um 2019 de expectativas não confirmadas, o setor de transporte de cargas, que funciona como uma espécie de “termômetro” da economia, uma vez que reflete o escoamento da produção industrial do País, está otimista com o próximo exercício. O otimismo do setor em Minas Gerais é atribuído à expectativa de retomada da economia e aquecimento da construção civil.

De acordo com o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga do Estado de Minas Gerais (Setcemg) e vice-presidente da Federação das Empresas de Transporte de Carga do Estado de Minas Gerais (Fetcemg), Gladstone Lobato, é aguardado um incremento da ordem de 3% no faturamento do setor para o ano que vem.

“Aos poucos o Brasil está caminhando e o aquecimento da economia já começou a ser percebido com as vendas de fim de ano, impulsionadas pelo Natal. Além disso, a retomada da construção civil também deverá elevar a demanda em diversos setores em todo o País”, justifica.

Conforme Lobato, a prova de que o setor está confiante com os próximos exercícios foi o volume de negócios no 22º Salão Internacional do Transporte Rodoviário de Cargas, a Fenatran. Durante o evento foram gerados R$ 8,5 bilhões em oportunidades de negócios, o dobro do potencial ao fim da edição anterior.

“Este é um dado interessante, pois não existe compra de veículos comerciais se não há uma boa expectativa com a economia do País”, argumenta. Para o dirigente, no entanto, a continuidade do cumprimento da agenda de reformas por parte do governo federal no decorrer de 2020 será fundamental para a confirmação das expectativas.

Mineração – Caso contrário, o resultado poderá ser frustrante, como ocorrido em 2019. Segundo ele, apesar do incremento esperado para o exercício, as projeções não deverão ser cumpridas, em função da paralisação parcial da mineração no Estado, depois do rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), em janeiro.

“A queda da mineração comprometeu muito todas as operações no Estado. A mineração foi um elo partido que puxou tudo para baixo”, reforça Lobato. Ele explica que as empresas de transporte ligadas à atividade não têm como migrar para outro segmento, pois os veículos utilizados são próprios para a mineração.

Em relação às oscilações no preço do diesel, o presidente do Setcemg, destacou que têm prejudicado as operações, pois dificultam os cálculos e projeções. Além disso, a margem do setor, que já é apertada, fica ainda menor, pois as empresas já não conseguem repassar todo aumento de custo ao consumidor final.