Projeções do setor em Minas Gerais apontam para uma queda de 30% na produção em 2020 | Crédito: Divulgação

A pandemia do Covid-19 continua impactando o setor de fundição em Minas Gerais. Com as atividades do setor automotivo em ritmo reduzido, as indústrias fornecedoras para esse segmento estão trabalhando com menor capacidade produtiva, que varia de 30% a 45%.

A expectativa é que a situação melhore em agosto, quando está prevista uma maior retomada dos setores. A tendência é encerrar o ano com queda de 30% na produção geral do setor de fundição mineiro.

A retração produtiva poderá ser minimizada uma vez que foi aprovado o novo marco legal do saneamento, que deve estimular a demanda pelos produtos.

O presidente do Sindicato da Indústria da Fundição no Estado de Minas Gerais (Sifumg), Afonso Gonzaga, explica que o setor automotivo responde por 56% da demanda da indústria de fundição de Minas Gerais, por isso, o impacto da parada ou da redução das atividades nas montadoras de veículos é grande no setor.

“Nós estamos com grande dificuldade nas indústrias que atendem o setor automotivo, que responde por 56% do mercado atendido pelas nossas indústrias. As indústrias voltaram às atividades, estão funcionando com capacidade menor variando de 30% a 45% acreditando em uma retomada do mercado atendido”.

Ainda segundo Gonzaga, alguns postos de trabalho foram perdidos em função da queda da demanda provocada pelas medidas de distanciamento social para o controle do Covid-19, o que é complexo para o setor que necessita de mão de obra capacitada. Com a retomada, pode ser um desafio contratar novos trabalhadores.

“Nossa mão de obra é capacitada e a demissão nos traz dificuldade de reposição. Estamos acreditando em uma retomada em agosto, já tem algumas empresas manifestando ações de que irão retomar. Assim que a parte comercial voltar à normalidade, com certeza, teremos compradores de automóveis e, consequentemente, as montadoras voltam a produzir. Mas é ainda uma situação desagradável, porque há uma inconstância. Apesar de alguns institutos estarem divulgando uma retomada forte em agosto, as incertezas são muitas e a gente fica aguardando”.

Apesar das dificuldades enfrentadas, nenhuma indústria do setor encerrou as atividades de forma definitiva. Gonzaga explica que é importante destacar que as indústrias que fornecem produtos para outros setores, além do automotivo, não pararam, como as indústrias que fornecem para a mineração, por exemplo.

Marco – Além disso, a aprovação, pelo Senado, do novo marco legal do saneamento básico (PL 4.162/2019) vai contribuir para uma demanda maior, o que será importante para amenizar os prejuízos causados pela pandemia do Covid-19.

“Agora nós temos um novo marco do saneamento básico e, isso, é muito positivo para o setor. No saneamento há um consumo extremamente grande de fundidos, tanto na parte de tubulações como na parte de tampões e grelhas. Estamos com uma expectativa muito grande porque irá consumir muito e existe uma demanda reprimida”, disse.

Projeções – Para o encerramento de 2020, a estimativa atual é de uma queda de 30% na produção frente a 2019, quando foram produzidas 650 mil toneladas.

“Estamos vivendo um momento ímpar, nunca tínhamos visto isso acontecer. Os empresários estão conscientes que a manutenção dos empregos é crucial para que nosso setor continue gerando qualidade e produtividade. Iniciamos o ano com um a expectativa de crescer 6%. Agora, vamos manter o funcionamento com a capacidade reduzida e esperando a retomada do mercado. Vale lembrar que as indústrias estão funcionando adotando todos os cuidados necessários para evitar a disseminação do Covid-19, inclusive afastando os funcionários do grupo de risco”, explicou Gonzaga.