Economia

Setor de serviços em Minas recua 3,7% em fevereiro e registra pior resultado em cinco anos

As atividades de Serviços profissionais, administrativos e complementares (-8,9%) e transportes (-5,1%) foram as que exerceram as principais influências negativas no período
Setor de serviços em Minas recua 3,7% em fevereiro e registra pior resultado em cinco anos
Foto: Reprodução/Adobe Stock

O volume de serviços em Minas Gerais apresentou queda de 3,7% em fevereiro na comparação com o mesmo mês do ano passado. O resultado é o pior para o mês em cinco anos na avaliação interanual e contrasta com a evolução observada em âmbito nacional.

Os números constam na Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada nesta terça-feira (14). As atividades de Serviços profissionais, administrativos e complementares (-8,9%) e transportes (-5,1%) foram as que exerceram as principais influências negativas no período analisado.

Na comparação entre fevereiro e janeiro de 2026, Minas Gerais apresentou recuo de 0,1%. A queda é a terceira consecutiva, após desempenho negativo em janeiro (-0,4%) e em dezembro (-1,9%).

Por outro lado, o setor de serviços no Brasil mantém estabilidade há pelo menos um ano, oscilando entre 0% e 0,7% no decorrer dos meses. No acumulado do ano (janeiro e fevereiro), o setor registra crescimento de 1,9% no País frente ao mesmo período de 2025, enquanto no Estado soma decréscimo de 2,5% com ajuste sazonal, figurando entre as três unidades federativas com pior resultado, atrás apenas do Rio de Janeiro (-3,4%) e à frente do Paraná (-2,5%).

O analista do IBGE responsável pela pesquisa em Minas Gerais, Daniel Dutra, comenta que o cenário para fevereiro é desafiador quando comparado a 2025, com forte peso negativo dos transportes e serviços administrativos. Na análise por segmento, Dutra revela que as atividades de organização de eventos, transporte rodoviário de carga e locação de automóveis formam o pódio de serviços que registraram as maiores quedas em volume.

“Desde outubro de 2020 não se observava um recuo tão expressivo no indicador anualizado. Ainda não é possível afirmar se o cenário irá se agravar, mas o ponto de partida já é mais negativo se comparado ao ano passado”, destaca.

Estrutura produtiva de Minas amplia impacto sobre os serviços

O economista e conselheiro de política econômica Stefan D’Amato pontua que o desempenho mais fraco do setor de serviços em Minas Gerais, em contraste com o resultado positivo observado no Brasil, pode ser explicado, em grande medida, pela própria estrutura produtiva do Estado. Segundo o especialista, diferentemente de outras economias regionais, com forte presença nos serviços voltados ao consumo das famílias, o Estado possui uma forte participação em serviços intermediários, altamente dependentes da dinâmica industrial, logística e empresarial.

“Nesse contexto, qualquer desaceleração nesses segmentos em Minas tende a se transmitir de forma mais intensa para o setor de serviços, aprofundando movimentos de retração”, argumenta.

O economista acrescenta que esse processo se torna ainda mais evidente quando se observa que as maiores pressões negativas recaem sobre serviços profissionais, administrativos e complementares e sobre transportes. Ambas as atividades estariam diretamente ligadas ao funcionamento das empresas e à circulação de mercadorias.

“A retração nesses segmentos sugere um ambiente de menor dinamismo produtivo, no qual empresas passam a reduzir a contratação de serviços especializados, ajustar custos e operar com maior cautela”, avalia D’Amato.

Tensões globais, crédito e confiança empresarial ampliam cenário de incertezas

O desempenho negativo estaria ainda mais acentuado em função das incertezas políticas e econômicas globais, marcadas por tensões entre países. Com maior custo logístico, o economista frisa que o impacto tende a ser mais expressivo nas cadeias produtivas, nas exportações e em decisões de investimento, especialmente em economias regionais integradas como a mineira.

Para os próximos meses, a expectativa é de continuidade de um cenário de maior moderação, ainda que com oscilações pontuais. “A recuperação do setor dependerá de uma retomada mais consistente da atividade produtiva, tanto no plano doméstico quanto internacional, além de melhorias nas condições de crédito e confiança empresarial”, salienta D’Amato.

Enquanto esses fatores não se consolidarem, a expectativa, segundo ele, é de que o setor de serviços em Minas Gerais seguirá refletindo um ambiente mais adverso. “O desempenho deve permanecer relativamente mais fraco em relação ao agregado nacional”, finaliza o economista.

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