Setor sofre com falta de matérias-primas

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Setor sofre com falta de matérias-primas
Em julho o setor apurou crescimento de 14% sobre junho; em agosto de 16% frente a julho | Crédito: ARQUIVO DC

Assim como outros setores industriais, o parque de fundição mineiro também está enfrentando problemas com o abastecimento de matérias-primas. O setor chegou a operar com 70% de ociosidade na produção, em função da crise imposta pelo novo coronavírus, mas nos últimos meses veio se recuperando e já opera 100% da capacidade instalada.

As informações são do presidente do Sindicato da Indústria da Fundição no Estado de Minas Gerais (Sifumg), Afonso Gonzaga. Conforme ele, diante da retomada, a expectativa de recuo da ordem de 30% nos níveis de produção neste exercício foi revista e deverá ser de, no máximo, 10% sobre o ano anterior, quando foram produzidas 650 mil toneladas.

O setor automotivo responde por 55% da demanda da indústria de fundição de Minas Gerais. Por isso, o impacto da parada ou da redução das atividades nas montadoras de veículos foi grande para o setor. Mas, com a retomada nos últimos meses, os pedidos do parque de fundição também voltaram a subir.

“Em junho, além do setor automotivo, retornaram os pedidos da mineração, do próprio parque siderúrgico e da agroindústria, que está segurando o desempenho econômico em todo o País”, explicou.

Segundo Gonzaga, a evolução tem ocorrido mês a mês. Para se ter uma ideia, em julho o setor apurou crescimento de 14% sobre junho; em agosto de 16% frente a julho; e em setembro novamente 14% em relação a agosto. “Por isso, nossa perspectiva para o exercício está melhor”, justificou.

De toda maneira, de acordo com o dirigente, a dificuldade de compra de matéria-prima está afetando a recuperação. É que como o Brasil acabou enfrentando a pandemia posteriormente e, consequentemente, retardando a recuperação também, os fornecedores acabaram fechando contratos com outros países, principalmente na Ásia. Este é o caso de insumos como ferro-gusa, sucata e resina.

“Estamos conversando semanalmente com os fornecedores, tentando achar uma maneira de não prejudicar a produção. Infelizmente os preços subiram em velocidade muito superior à retomada e ainda não conseguimos repassar. Em alguns casos, estamos pagando 60% a mais do que pagávamos em janeiro, o que incide em pelo menos 20% no nosso custo industrial”, revelou.

Um exemplo citado pelo dirigente diz respeito às indústrias do ferro do Estado, que é um dos principais fornecedores da fundição. Segundo ele, quando iniciou a pandemia, o setor teve que buscar mercado lá fora e o mercado asiático passou a ter grande representatividade nas compras dos insumos, que já começam a faltar para os compradores de Minas Gerais.

“Em janeiro, por exemplo, eles exportaram 180 mil toneladas de ferro-gusa para a China, em agosto o volume saltou para 490 mil toneladas”, contou.

Por fim, Gonzaga disse que cerca de 2,3 mil postos de trabalho chegaram a ser extintos em função da queda da demanda provocada pelas medidas de distanciamento social para o controle do Covid-19. Agora, porém, estas vagas já foram recuperadas e o saldo já voltou a ficar positivo. “Estamos, inclusive, com dificuldade de contratar, porque o setor necessita de mão de obra capacitada”, concluiu.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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