Sindifer-MG quer inclusão do ferro-gusa nas exceções de novo tarifaço dos EUA
Após sinalizar, no fim de junho, que metade da indústria de ferro-gusa de Minas Gerais pode paralisar se o tarifaço de 37,5% dos Estados Unidos sobre o produto nacional for aplicado de fato, o Sindicato da Indústria do Ferro no Estado de Minas Gerais (Sindifer-MG), filiado à Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), participou de audiências públicas na terça-feira (7) no país norte-americano para discutir formas de evitar um novo tarifaço para a indústria do Estado.
Segundo avaliação do presidente do Sindifer-MG, Fausto Varela, a entidade saiu das audiências mais otimista quanto à possibilidade de reverter esse cenário. Segundo ele, o sindicato defende a inclusão do ferro-gusa brasileiro na lista de exceções, argumentando que o produto tem papel relevante na cadeia siderúrgica dos Estados Unidos e que a taxação traria impactos econômicos tanto para o Brasil quanto para o mercado norte-americano.
Varela também destacou que os Estados Unidos dependem fortemente do ferro-gusa importado, já que a produção interna da matéria-prima cobre apenas 6% da demanda total do país.
“Ficamos muito satisfeitos com o desenrolar das duas audiências. Foram muito boas, tivemos perguntas relevantes e respondemos a todas com dados reais. Saímos esperançosos de que possa haver uma reversão no quadro e de que o ferro-gusa brasileiro entre na lista de exceções”, disse.
Parceiro tradicional
O principal mote das conversas do Sindifer-MG nos EUA era reforçar o papel do Brasil como fornecedor tradicional de ferro-gusa para os Estados Unidos. Cerca de 60% do volume importado pelos estadunidenses em 2025 teve origem brasileira. A entidade também alertou que a aplicação das tarifas pode encarecer a produção de aço nos EUA, já que o ferro-gusa é insumo essencial para o setor siderúrgico do país.
Entre os pontos considerados mais relevantes pela entidade foi a manifestação de compradores e importadores americanos contrários à entrada em vigor das novas tarifas. Na avaliação de Varela, esse posicionamento reforça os argumentos brasileiros, já que evidencia que a medida também pode afetar os custos e a competitividade da indústria americana.
“A participação dos compradores americanos nos ajudou muito. Eles foram favoráveis à não entrada em vigor da tarifa para o ferro-gusa, justamente porque isso pode comprometer o custo do aço produzido nos Estados Unidos. Esse foi um ponto determinante”, ressaltou.
A entidade ainda respondeu a perguntas relacionadas a investigações em curso nos Estados Unidos, entre elas questões ligadas à Seção 301 e ao trabalho forçado que teria dado início ao movimento por um novo tarifaço.
Segundo o Sindifer-MG, o setor brasileiro de ferro-gusa não tem relação com as práticas investigadas nem adquire produtos de países ou fornecedores associados a esse tipo de irregularidade.
Sete Lagoas
Varela alerta que Sete Lagoas, localizada na Região Central de Minas Gerais, seria uma das cidades mais impactadas pelo tarifaço. O município concentra 21 usinas em funcionamento, o que o torna o maior polo produtor de ferro-gusa do Estado, e tem nos Estados Unidos seu principal destino de exportação, motivo pelo qual seria o mais prejudicado pela medida.
“Estamos muito preocupados. Se houver redução de produção, teremos diminuição de postos de trabalho e queda na arrecadação”, afirmou.
Caso as novas tarifas entrem em vigor, o impacto sobre a indústria brasileira pode ser severo. O Sindifer-MG estima que cerca de 55% das usinas de ferro-gusa do país poderiam paralisar suas atividades, com consequências diretas sobre empregos, arrecadação, investimentos e competitividade. Em Minas Gerais, maior produtor nacional, o setor emprega mais de 60 mil pessoas de forma direta e indireta.
O Estado concentra aproximadamente 70% da produção nacional de ferro-gusa, reunindo 48 usinas e 63 fornos em operação, com capacidade instalada de cerca de 420 mil toneladas mensais. Sete Lagoas se destaca, portanto, como o principal polo guseiro do Estado, com 21 unidades produtivas. A decisão sobre a aplicação das novas tarifas deve ser anunciada em 15 de julho.
“O impacto seria direto e muito alto. Muitas empresas não teriam como produzir, porque o mercado ficaria limitado ao mercado nacional e a outros destinos que não têm a mesma dimensão. O caminho natural seria a paralisação, seja temporária ou definitiva, com geração de desemprego e redução de impostos”, finaliza.
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