Compras de supermercado pela internet custam 10,7% mais do que nas lojas físicas em BH
Comprar alimentos pela internet ainda custa mais caro do que ir ao supermercado em Belo Horizonte. Levantamento do Mercado Mineiro e do aplicativo comOferta mostra que os preços praticados nos canais digitais são, em média, 10,7% superiores aos encontrados nas lojas físicas.
O estudo foi realizado entre os dias 21 e 26 de julho em 11 supermercados da Capital, sendo sete lojas físicas e quatro canais virtuais. Ao todo, foram pesquisados 148 produtos, dos quais 77 estavam disponíveis nos dois formatos de venda, permitindo a comparação direta dos preços.
Segundo o administrador do Mercado Mineiro, Feliciano Abreu, embora as compras virtuais já façam parte da rotina dos brasileiros, a adesão aos supermercados on-line ainda ocorre de forma gradual, especialmente na Região Metropolitana de Belo Horizonte e no interior do Estado. “Para quem precisa economizar, não há dúvida de que hoje as lojas físicas são mais vantajosas. Por outro lado, as lojas virtuais tendem a reduzir seus preços com o aumento da concorrência”, afirma.
O levantamento identificou que o preço médio nas lojas on-line foi maior em 55 dos 77 produtos comparáveis, menor em apenas 20 e igual em dois. Considerando uma cesta básica composta pelos mesmos itens, o consumidor desembolsaria R$ 1.145,45 nas plataformas digitais, contra R$ 1.061,60 nas lojas físicas, uma diferença de R$ 83,85, equivalente a 7,9%. Na comparação das menores ofertas encontradas em cada canal, a diferença sobe para 11,3%.
Plataformas próprias ficam mais próximas das lojas
Embora o comércio eletrônico ainda apresente preços mais elevados na maior parte dos casos, a pesquisa mostrou diferenças relevantes entre os canais digitais. Os supermercados que operam plataformas próprias foram os que mais se aproximaram dos preços praticados nas lojas físicas. O Supernosso em Casa apresentou diferença média de 1,42% em relação ao varejo presencial, seguido pelo Verdemar Até Você, com 3,04%. Já os marketplaces registraram diferenças maiores: Mercado Livre/SuperFull (12,65%) e Amazon Now/Rappi (21,91%).
Abreu explica que essa proximidade entre os canais próprios e as lojas físicas já era esperada: “A gente tem dois supermercados bem tradicionais, o Verdemar e o Supernosso, que fazem essa venda virtual há muito tempo. Eles mantêm praticamente o mesmo preço entre a loja virtual e a loja física, como a gente comprovou. Isso é ótimo para o consumidor, porque dá mais segurança”.
Por outro lado, ele avalia que a chegada de novos concorrentes, como a Amazon Now, que promete entregas em poucos minutos, tende a acelerar a transformação do setor. “Receber uma compra de supermercado em 15 minutos é muito atrativo pela praticidade. Por outro lado, a gente comparou e viu que realmente o preço é bem mais caro”, afirma.
Segundo ele, outro diferencial das lojas físicas continua sendo a variedade de produtos disponíveis, característica que nem sempre é reproduzida nas plataformas digitais.
Preços seguem praticamente estáveis
Além da comparação entre os canais de venda, a pesquisa analisou a evolução dos preços nos últimos três meses.
Entre 100 produtos comparáveis, 54 apresentaram redução de preço, 44 registraram aumento e dois permaneceram estáveis. A variação média foi de -0,46%, indicando estabilidade dos preços no período, enquanto uma cesta composta por uma unidade de cada um desses produtos passou de R$ 1.371 para R$ 1.382, alta de apenas 0,8%.
Mesmo com a estabilidade geral, alguns itens registraram oscilações expressivas. A margarina Becel liderou as altas, com aumento de 83,95%, seguida pelo molho de tomate Predilecta (51,46%) e pela muçarela em peça (23,09%). Já entre as maiores quedas apareceram o café Barão (-30,08%), o café Caboclo (-16,06%) e o fubá Yoki (-15,89%).
A pesquisa também mostrou grandes diferenças de preços entre supermercados. O pão de sal apresentou a maior variação, com preços entre R$ 9,98 e R$ 29,99 o quilo, diferença superior a 200%, embora o levantamento ressalte que há diferenças de qualidade e composição entre os produtos.
Concorrência deve reduzir diferenças
Na avaliação de Abreu, a tendência é que as diferenças entre os canais diminuam à medida que a concorrência aumenta e o consumidor amplie a adesão às compras on-line. “Isso vai acabar com o tempo. As lojas físicas vão continuar existindo porque muita gente ainda gosta de ir ao supermercado, até por lazer. Mas elas também vão funcionar cada vez mais como centros de distribuição para entregas rápidas”, prevê.
Ele acrescenta que o crescimento das compras virtuais atende principalmente consumidores que têm pouco tempo ou dificuldade para ir às lojas. “Para quem não consegue ir ao supermercado, seja por falta de carro ou de tempo, comprar alimentos de forma virtual é uma solução muito interessante. Isso tem crescido muito”, diz.
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