Economia

Setor supermercadista de Minas registra alta nas vendas e aposta na Copa para acelerar consumo

Setor supermercadista de Minas registra alta nas vendas e aposta na Copa para acelerar consumo
Projeções do setor são de crescimento da ordem de 3,45% neste ano, segundo a Amis | Foto: Diário do Comércio / Leonardo Morais

O setor supermercadista está satisfeito com o desempenho das empresas do ramo nos primeiros quatro meses do ano. De janeiro a abril, o consumo das famílias cresceu 2,90% em comparação com o mesmo período de 2025. Em abril, na comparação com o mesmo mês do ano passado, também houve crescimento, de 3,36%.

Os dados são do Índice de Consumo dos Lares Mineiros, pesquisa mensal da Associação Mineira de Supermercados (Amis) feita com empresas de todos os portes, em todo o Estado. Na comparação com março, o índice mostra crescimento de 2,97%. Os resultados estão deflacionados pelo IPCA/IBGE.

“Como um setor essencial, que atende às demandas diárias dos lares, os supermercados vêm registrando uma procura sustentada nesses primeiros quatro meses, com índices dentro das nossas projeções de expansão, de 3,45% no ano”, disse o presidente- executivo da Amis, Antônio Claret Nametala.

Um fato que contribuiu consideravelmente para o resultado positivo do setor foi o efeito da sazonalidade da Páscoa. “Tivemos os resultados influenciados pela Páscoa. Neste ano, a Semana Santa ficou dividida entre março e abril, impactando a demanda em ambos os meses, como demonstramos também na pesquisa do mês anterior”, completa o presidente da Amis.

Variação regional

O maior crescimento na avaliação regional foi verificado no Sul, com 3,90%. O menor ocorreu na região Central, com 1,40%. “Em abril, tivemos dois feriados prolongados, Sexta-Feira Santa, dia 3, e Tiradentes, dia 21, e a região Central, onde está a Grande BH, sempre perde muitos consumidores nessas ocasiões. Portanto, um resultado previsível”, explica Claret.

Dentro da previsão

Com um cenário econômico instável e pressão inflacionária, os supermercados seguem mantendo performances sólidas. O segmento, segundo Antônio Claret Nametala, segue sua tendência natural de estabilidade, e os números apresentados até o momento estão dentro da expectativa da Amis e de seus associados.

“O índice de previsão de crescimento para esse ano é de 3,45%. Nos quatro primeiros meses, fechamos em 2,90%, muito dentro do que se esperava. O ano passado, esse número estava em 2,96% no mesmo período, e o ano terminou com 3,92%. A expectativa agora é encerrar o ano em 3,45%, podendo ser um pouco mais, mas não porque estejamos percebendo algum movimento fora do comum”, disse.

Claret afirma que nem os contextos de incerteza pelos quais a economia brasileira e internacional vêm passando têm conseguido tirar os supermercados do seu eixo, o que demonstra a força e a estabilidade que o consumo das famílias vem apresentando.

“É lógico que o consumidor primeiro abastece a casa para depois pensar em outras coisas. Mesmo com sequências de alta da inflação, que impactam os preços, e com cenários econômicos instáveis, principalmente por conta de guerras que afetam o frete e os produtos, o setor está conseguindo manter uma estabilidade. O nosso setor, normalmente, é o último a entrar na crise e o primeiro a sair dela. O consumo tem se mantido dentro da normalidade e das expectativas desenhadas ao longo do ano”, comenta.

Copa do Mundo

Em duas semanas começa a Copa do Mundo de Futebol. O evento tem grande poder mobilizador para o brasileiro e pode ser mais uma sazonalidade a incrementar o resultado final dos supermercados mineiros, assim como ocorreu com a Páscoa.

“A Copa realmente aquece as vendas de produtos específicos, com certeza. Estamos trabalhando para deixar as lojas preparadas para atender o consumidor nesse evento gigante que se aproxima. O desempenho depende de como o Brasil vai na competição. Se chegarmos a uma final ou formos campeões, a perspectiva de vendas é bem maior. A gente quer que o Brasil não pare nas primeiras fases e chegue à final”, disse Antônio Claret, da Amis.

“As empresas já estão preparadas para a sazonalidade da Copa. Bebidas de toda natureza, petiscos e tira-gostos, tudo que se vincula à festa e à comemoração. Não é um jantar, é mais uma festa no boteco, como a gente vê não só nos bares, mas também nas casas. A festa do futebol passa por aí. Vêm pão, pão de queijo, frios, embutidos, carnes e bebidas tradicionais. Uma série de coisas agregadas, dependendo do gosto de cada um. A expectativa é boa”, completa.

Festas juninas

O dirigente da entidade supermercadista trouxe uma percepção diferente do que se poderia imaginar sobre as festas juninas. À primeira vista, eventos que geram tanta mobilização popular deveriam ser um elemento a mais para impulsionar as vendas nos supermercados. Mas, segundo Claret, embora haja um volume considerável de vendas, o resultado final fica longe do que a Páscoa, o Dia das Mães ou uma Copa do Mundo podem proporcionar. E o motivo surpreende.

“A festa junina tem uma característica muito forte de vender produtos típicos com valor agregado baixo. Por isso, ela não é considerada uma sazonalidade pesada como o Dia das Mães ou a Páscoa. Os produtos das festas juninas acabam substituindo um pouco o jantar tradicional, e o valor agregado é menor. Mas é uma data importante”, comenta.

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