EUA devem anunciar novo tarifaço nesta quarta-feira (15); veja os produtos mineiros mais ameaçados
Os Estados Unidos devem anunciar nesta quarta-feira (15) um novo pacote de tarifas sobre produtos brasileiros, com uma lista de exceções que pode ser maior do que a divulgada anteriormente, segundo informações da Agência Estadão. Enquanto isso, a indústria exportadora de Minas Gerais segue em alerta. Produtos relevantes da pauta mineira, como ferro-gusa, equipamentos elétricos, mel, ardósia, joias e semijoias, estão entre os que podem perder competitividade no mercado norte-americano caso as novas sobretaxas sejam confirmadas.
A avaliação é da coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais do Centro Internacional de Negócios (CIN) da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Verônica Ribeiro Winter. Segundo ela, o cenário atual difere do observado no ano passado, tanto pela base legal utilizada pelo governo norte-americano quanto pela forma como as medidas estão sendo estruturadas.
Atualmente, o Brasil já está sujeito à tarifa de 10% aplicada pelos Estados Unidos, válida até 23 de julho. A expectativa é que essa medida seja substituída pelo novo pacote em discussão, que poderá incluir uma tarifa adicional de 25% específica para produtos brasileiros e outra de 12,5% voltada a mais de 60 economias, relacionada à investigação sobre trabalho forçado.
Caso um produto brasileiro não esteja incluído nas listas de exceção e seja alcançado pelas duas medidas, a tarifa total poderá chegar a 37,5%, conforme detalha a especialista.
Segundo Verônica Winter, ainda não há definição sobre a data de entrada em vigor das novas tarifas nem sobre quais produtos permanecerão nas listas de isenção, o que aumenta a insegurança para as empresas. “A gente tem essa percepção de perda de competitividade de alguns produtos brasileiros que não estão na lista de exclusão e que vão ser tarifados em 25% em relação a outras economias concorrentes que também fornecem para os Estados Unidos”, afirmou.
Ela explica que as audiências realizadas na semana passada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) tiveram justamente o objetivo de discutir pedidos das empresas e entidades para reduzir o percentual das tarifas, ampliar a lista de exceções ou adiar a implementação das medidas.
Ferro-gusa preocupa pela importância para os Estados Unidos
Entre os produtos mineiros mais sensíveis está o ferro-gusa, considerado estratégico tanto para Minas Gerais quanto para a indústria norte-americana. Segundo Verônica Winter, o produto estava contemplado na lista de isenções do pacote tarifário anterior, mas não apareceu inicialmente entre as exceções discutidas na nova proposta.
“O ferro-gusa é um produto essencial para a economia norte-americana e é um produto relevante tanto para a pauta exportadora de Minas quanto para as importações dos Estados Unidos”, destacou.
No entanto, conforme o Diário do Comércio noticiou, representantes do Sindicato da Indústria do Ferro no Estado de Minas Gerais (Sindifer-MG), que participaram das audiências públicas realizadas no início do mês nos Estados Unidos, saíram mais otimistas quanto à possibilidade de reverter esse cenário.
Além do ferro-gusa, equipamentos elétricos, mel, ardósia, joias e semijoias também figuram entre os segmentos mais expostos. No caso das joias e semijoias, embora representem menor participação em valor nas exportações mineiras, o impacto pode ser significativo porque os Estados Unidos são o principal destino dessas vendas. “Para eles, o impacto vai ser grande. Eles não são produtos tão expressivos em volume na nossa pauta, mas têm os Estados Unidos como principal mercado”, afirmou.
Concorrentes podem ganhar espaço
A especialista da Fiemg explica ainda que o principal risco não é apenas o aumento do custo para o produto brasileiro, mas a vantagem competitiva que poderá ser obtida por países concorrentes.
Isso porque diversas economias deverão enfrentar tarifas menores. Enquanto determinados produtos brasileiros poderão pagar até 37,5%, países como Canadá, México, Argentina e parte da União Europeia tendem a enfrentar sobretaxas de 10% a 12,5%, dependendo da investigação em que estejam enquadrados. “Para produtos canadenses, por exemplo, a tarifa pode ser de 10%, enquanto para determinados produtos brasileiros ela pode chegar a 37,5%. É nesse sentido que acontece a perda de competitividade”, detalha.
Segundo ela, isso abre espaço para que concorrentes ampliem sua participação no mercado norte-americano em produtos semelhantes aos exportados por Minas Gerais.
Ainda assim, Verônica Winter ressalta que o impacto não será uniforme entre as empresas. Exportadores que possuem contratos de longo prazo, relacionamento consolidado com compradores americanos ou comercializam produtos de difícil substituição tendem a sofrer menos. “Empresas que já têm uma relação contínua de fornecimento conseguem renegociar melhor. Além disso, existem produtos que não são facilmente substituídos no curto prazo”, finaliza.
Empresas aguardam definição para traçar estratégias
A indefinição sobre quais produtos permanecerão isentos e quando as tarifas entrarão em vigor também dificulta o planejamento das exportações.
Segundo a coordenadora do CIN/Fiemg, muitas empresas acompanham o resultado das negociações para decidir se mantêm contratos, renegociam preços ou até adiam embarques destinados ao mercado americano.
Ela ressalta que Minas Gerais possui uma pauta exportadora bastante semelhante à brasileira e, por isso, tende a acompanhar os impactos nacionais, ainda que em proporções menores.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que cerca de 4.100 produtos brasileiros, que representam aproximadamente US$ 14,9 bilhões em exportações, poderão ser atingidos pelas novas medidas tarifárias. Ainda não há um levantamento específico sobre o número de produtos mineiros potencialmente afetados.
Questionada sobre os possíveis efeitos das novas tarifas sobre o dólar e a inflação, Verônica Winter pondera que, neste momento, não é possível relacionar diretamente o eventual tarifaço a impactos sobre o dólar ou a inflação brasileira.
Segundo ela, esses indicadores dependem de uma série de fatores internacionais, como conflitos geopolíticos, comportamento do mercado de petróleo e outras variáveis econômicas globais, não sendo possível atribuir uma influência direta apenas às novas tarifas norte-americanas.
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