Turismo reage em maio com avanço puxado pelo lazer, mas Minas tem pior desempenho do País em 12 meses

Crescimento de 1,4% frente a abril supera a média nacional, mas Estado tem retração acumulada de 6,6%
Ouvir a matéria 0:00 / 0:00
Turismo reage em maio com avanço puxado pelo lazer, mas Minas tem pior desempenho do País em 12 meses
Foto: Reprodução Adobe Stock

Após meses de resultados negativos, o turismo em Minas Gerais voltou a crescer em maio, impulsionado pelas viagens de lazer das famílias e pelo fortalecimento do turismo doméstico. Na comparação com abril, o setor avançou 1,4%, enquanto a média nacional registrou queda de 0,4%, um desempenho 1,8 ponto percentual superior ao do País na série com ajuste sazonal.

O resultado, no entanto, não altera o quadro estrutural enfrentado pelo turismo mineiro. Apesar da recuperação pontual, Minas Gerais acumula retração de 6,6% nos últimos 12 meses, entre junho de 2025 e maio de 2026, o pior desempenho entre todas as unidades da federação pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No mesmo período, o Brasil apresentou crescimento de 1,7%, o que revela a discrepância entre o cenário mineiro e a média nacional.

Os dados fazem parte da Pesquisa Mensal de Turismo (PMT), recorte da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do IBGE, analisada pelo Núcleo de Estudos Econômicos da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG).

Turismo recua no Estado

Na comparação com maio de 2025, a atividade turística mineira recuou 2,8%, desempenho inferior ao registrado nacionalmente, onde a queda foi de 1,6%. No acumulado dos cinco primeiros meses de 2026, a retração chega a 5,6% em Minas Gerais, enquanto o Brasil praticamente manteve estabilidade, com variação negativa de apenas 0,1%.

Segundo a economista da Fecomércio MG, Fernanda Gonçalves, o crescimento observado em maio indica uma retomada em curso, mas ainda insuficiente para compensar as perdas acumuladas ao longo do último ano.

“O resultado do mês de maio demonstra que existe uma retomada em curso, impulsionada principalmente pelo turismo doméstico e pelo aumento do consumo voltado ao lazer. Entretanto, essa recuperação ainda é localizada e insuficiente para reverter as perdas acumuladas ao longo do último ano. Os indicadores mostram que o setor continua enfrentando desafios importantes para consolidar um ciclo sustentável de crescimento”, afirma.

Na avaliação da Fecomércio, a recuperação de maio foi sustentada principalmente pelo melhor desempenho dos segmentos de alojamento, alimentação e serviços prestados às famílias. Em contrapartida, atividades consideradas estratégicas para o setor seguem pressionando os indicadores.

Gargalos deixam Minas em último

De acordo com Fernanda Gonçalves, os segmentos de transporte e de serviços profissionais e administrativos continuam apresentando desempenho mais fraco, comprometendo a mobilidade turística e a retomada do turismo de negócios. “Os setores de transporte e de serviços profissionais e administrativos continuam apresentando desempenho mais fraco, o que afeta a mobilidade turística e o turismo de negócios, e reduz a capacidade de expansão do setor como um todo. A recuperação existe, mas ocorre de maneira seletiva, concentrada em atividades mais ligadas ao consumo das famílias”, observa.

A análise da Fecomércio MG aponta que justamente a persistente retração dessas atividades explica a dificuldade de o Estado acompanhar a recuperação observada em outras regiões do País. O levantamento mostra que Minas Gerais ocupa a última colocação no ranking nacional do acumulado de 12 meses, enquanto estados como Rio Grande do Sul (9,1%), Rio de Janeiro (6,7%) e Amazonas (6,3%) lideram o crescimento do turismo no período.

Para a economista, a consolidação da recuperação dependerá da melhora do ambiente econômico e da ampliação dos investimentos em infraestrutura e serviços turísticos. “Minas Gerais reúne um dos maiores potenciais turísticos do País, com forte diversidade cultural, gastronômica e natural. A consolidação desse potencial passa pelo fortalecimento da infraestrutura, pela ampliação da oferta de serviços e pela recuperação dos segmentos que ainda permanecem retraídos. À medida que o ambiente econômico se torna mais favorável, o turismo tende a ganhar tração e ampliar sua contribuição para a economia mineira”, avalia.

Sobre o autor

Ana Luisa Sales

Repórter do Diário do Comércio desde 2025, graduada em jornalismo pela UFMG, pós-graduanda em ESG e sustentabilidade corporativa pela FGV.

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas