Religamento de equipamento pela Usiminas demonstra confiança da empresa no futuro da economia | Crédito: Pedro Gontijo / Imprensa MG

de Ipatinga*

Após permanecer por quatro meses abafado, o alto-forno 1 da planta de Ipatinga, no Vale do Aço, da Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas) foi religado e as atividades da aciaria 1 retomadas. As medidas acontecem no momento em que a produtora de aços planos e o setor siderúrgico nacional como um todo observa a retomada, ainda que lenta, da demanda no Brasil e no exterior. Por outro lado, o equipamento 2 segue desligado, sem previsão de ser reativado.

O presidente da companhia, Sergio Leite, destacou a importância da indústria do aço para o desenvolvimento nacional e garantiu que a Usiminas está preparada para a retomada econômica do País.

“Somos um conglomerado de cinco empresas que, juntas, geram mais de 20 mil empregos. Todas as subsidiárias produzem produtos que são transformados em itens essenciais para nossa vida, como casas, cidades, automóveis, aeroporto, ferrovias e portos. Aço e desenvolvimento caminham juntos. Por isso, o Vale do Aço é uma das regiões mais desenvolvidas do Estado”, disse em seu discurso.

Leite também enfatizou que a retomada do equipamento marca a confiança da Usiminas no futuro e reforça o compromisso com a perenidade da companhia e com o desenvolvimento do País. “O ponto mais agudo da crise, vivido em abril, ficou para trás e diversos indicadores sinalizam para uma retomada gradual da economia ao longo do segundo semestre e do próximo ano”, completou.

A solenidade que marcou a retomada das operações do equipamento contou com a presença do presidente Jair Bolsonaro, do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e outras autoridades nacionais, estaduais e locais, como o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, o presidente do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, entre outros.

O presidente Bolsonaro, por sua vez, ressaltou que a empresa é “um orgulho nacional” e lembrou que a retomada do alto-forno faz parte do processo de recuperação econômica do Brasil, afetada pela pandemia de Covid-19. Ele afirmou que assumiu o País em uma situação complicada, em 2019, e que, desde então, seu governo conseguiu aprovar vários projetos.

“Estávamos indo relativamente, bem. Mas, infelizmente, aconteceu um imprevisto, o tal do vírus, que veio para cá. O governo federal buscou fazer sua parte e fez. Ontem renovamos o auxílio para micro e pequenas empresas e discutimos a possível proposta do Renda Brasil, mas ela não será enviada ao parlamento do jeito que está. Não posso tirar de pobre para dar ao paupérrimo. Ou o Brasil começa a produzir, ou estamos fadados ao insucesso”, disse em seu pronunciamento.

Ainda no palco, o presidente fez menção à sobretaxa do aço, alegando que, quando saiu a notícia de que o presidente americano sobretaxaria o produto brasileiro, ele segurou por quase 30 dias, mas que conversou com Donald Trump e o aço não foi sobretaxado. “Sabemos que há muito interesse de outras ações em nosso querido Brasil. Tudo indica que essa nova negociação, que seria redução na cota de exportação nossa, está resolvida, não como queríamos, mas chegamos há um bom termo, isso faz parte do bom relacionamento que nosso governo tem”, defendeu.

Após a solenidade, Bolsonaro caminhou pelas instalações da Usiminas e cumprimentou funcionários. Em seguida, parou para responder perguntas da imprensa. Os jornalistas questionaram o presidente, por mais de uma vez, sobre o suposto pagamento de R$ 89 mil feito por Fabrício Queiroz à primeira-dama. Primeiramente, ele disse que aquele não era local para falar sobre o assunto. Depois, bastante irritado, voltou a insultar os jornalistas e se retirou do local.

Parceria – Romeu Zema, por sua vez, lembrou que o presidente Bolsonaro esteve em Minas Gerais em momentos difíceis, como o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (RMBH), no ano passado, e no início deste ano, quando fortes chuvas atingiram o Estado. “Chega de tragédia. Agora ele veio para a reinauguração do alto-forno e estamos em um momento de otimismo. É cedo para comemorar, mas temos sinais claros de que os números da pandemia em relação a casos positivos e óbitos estão em declínio em Minas Gerais”, afirmou.

O governador também enalteceu a parceria com a iniciativa privada, e disse que sua gestão tem se dedicado a abrir espaços para investidores. “O Brasil não pode criminalizar as atividades produtivas. Falar que uma empresa é criminosa porque produz riqueza, não! Precisamos mudar esta cultura”, defendeu.

Cerimônia contou com a presença de empresários e autoridades, como o presidente Bolsonaro e o governador Romeu Zema | Crédito: Marcos Corrêa/PR

Equipamentos foram paralisados em abril

O alto-forno 1 e a aciaria 1 foram paralisados em abril, em razão da queda abrupta da demanda causada pela pandemia do novo coronavírus. Além dos dois equipamentos retomados, a Usina de Ipatinga tem outros dois altos-fornos e mais uma aciaria. O alto-forno 1  tem capacidade de produção de 600 mil toneladas de ferro gusa por ano, assim como o 2. O alto-forno 3, que tem capacidade para produzir 2,4 milhões de toneladas por ano, manteve a produção inalterada.

Em 2018, a empresa reformou o equipamento que acabou de ser religado sob investimentos de R$ 80 milhões. O montante aportado desta vez não foi revelado.

Na época, a retomada das operações havia levado a empresa à fabricação em plena carga. Antes, porém, a estrutura havia ficado parada por 34 meses, em virtude da crise vivida pelo setor no mercado internacional a partir de 2015 e o cenário recessivo brasileiro, quando tanto a siderurgia brasileira quanto a Usiminas viveram os maiores desafios de suas histórias, devido à queda na demanda por aços planos.

No final do mesmo ano, a companhia realizou uma parada programada no alto-forno 3 para manutenção e substituição de staves. Este procedimento é adotado de tempos em tempos para realizar reparos no interior do equipamento para manutenção da segurança operacional e dos níveis de produção.

Ainda naquele exercício, uma fonte da área siderúrgica alertou para a necessidade de uma intervenção maior na estrutura, como a troca dos refratários do equipamento, pois as últimas manutenções ocorreram em 1999.

No ano passado, a companhia divulgou o programa de aportes para a reforma do alto-forno 3, o de maior capacidade produtiva da planta  de Ipatinga, prevista para ocorrer entre 2021 e 2022. O investimento previsto é da ordem de R$ 1 bilhão. A companhia já iniciou algumas etapas do processo de manutenção, que inclui compra dos equipamentos que serão substituídos e placas para substituir o gusa e o aço na produção, enquanto o alto-forno estiver desativado.  

* A repórter viajou a convite da Usiminas