Vendas de combustíveis sobem 1,21% em Minas Gerais

Crescimento no acumulado até julho foi puxado pela gasolina, mas ficou abaixo da média nacional
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Vendas de combustíveis sobem 1,21% em Minas Gerais
Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

As vendas de combustíveis em Minas Gerais subiram no acumulado do ano até julho. Nos sete primeiros meses do ano, foram comercializados 10,38 milhões de metros cúbicos (m³), alta de 1,21% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O desempenho no Estado ficou abaixo da média nacional, que registrou crescimento próximo de 2,2%.

O resultado em Minas Gerais foi influenciado, principalmente, pela alta nas vendas de gasolina, que aumentou 8,3% no período. O diesel também apresentou alta, porém, mais modesta, 0,47%. Já o etanol e o Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) apresentaram queda. As vendas totais caíram 8% e 0,1%, respectivamente este ano na comparação com o ano passado.

Para o economista e professor dos cursos de Gestão e Negócios do UniBH, Fernando Sette Junior, o crescimento de 1,21% de vendas de combustíveis no Estado não deve ser interpretado como um resultado ruim. “É uma expansão pequena, que aponta mais para uma estabilidade com leve crescimento do consumo. Como a demanda por combustíveis acompanha deslocamentos das famílias, transporte de mercadorias, serviços e parte da atividade produtiva, o resultado sugere que não houve uma retração generalizada da movimentação econômica no Estado”, explica.

O ponto mais importante, na visão de Sette Junior, porém, é que esse crescimento esconde movimentos bastante diferentes entre os combustíveis. “Mais importante do que olhar apenas para o crescimento total é perceber que está ocorrendo uma mudança na composição do consumo de combustíveis em Minas, especialmente entre gasolina e etanol. Os números indicam uma forte substituição do etanol pela gasolina”, afirmou.

Na visão do professor do UniBH, a queda do etanol e a alta da gasolina em taxas semelhantes mostra um comportamento esperado dos proprietários de veículos flex. “Gasolina e etanol são produtos substitutos e, quando a relação entre preço e rendimento se torna mais favorável à gasolina, o consumidor pode simplesmente mudar o combustível utilizado sem necessariamente reduzir seus deslocamentos”, afirma.

Visão semelhante tem o coordenador do Curso de Ciências Econômicas do Centro Universitário Ibmec BH, Ari Francisco de Araujo Junior. Ele explica que o clima teve influência sobre a safra de cana-de-açúcar, mas pondera que a retração do etanol no Estado está mais associada à migração do consumo para a gasolina. “Os dados mostram queda do etanol e forte crescimento da gasolina, indicando que a decisão do consumidor foi determinante”, diz.

No entanto, o professor do UniBH diz ser importante observar que os percentuais semelhantes não significam uma troca de um para um. Em volume, o etanol perdeu aproximadamente 105 mil m³, enquanto a gasolina ganhou cerca de 236 mil m³.

“Há outros componentes de crescimento da demanda além da substituição. Também é preciso lembrar que a gasolina vendida no Brasil contém etanol anidro, de modo que a migração do consumidor do etanol hidratado para a gasolina não representa uma eliminação completa do consumo de etanol. O principal sinal dos dados é, portanto, uma preferência relativa maior pela gasolina em 2026”, diz Sette Junior.

Com relação ao diesel, Sette Junior diz ser um combustível que merece atenção maior. “Ele está diretamente associado ao transporte rodoviário de cargas e a diversas atividades produtivas. O crescimento mineiro de apenas 0,47%, abaixo do nacional que foi de 1,37%, pode indicar uma dinâmica mais moderada dessas atividades, embora seja necessário cruzar esse resultado com produção industrial, comércio, agropecuária e transporte para chegar a uma conclusão mais firme”, avalia.

Ainda assim, Sette Junior pontua que um único mês não permite afirmar que a economia mineira entrou em trajetória de aceleração, porque existem fatores sazonais, calendário agrícola, férias, número de dias úteis e outros elementos que influenciam o consumo de combustíveis. “Se essa expansão generalizada continuar nos próximos meses, especialmente no diesel, teremos um sinal bem mais consistente de fortalecimento da atividade econômica em Minas Gerais”, conclui.

Sobre o autor

Juliana Sodré

Repórter do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela PUC Minas, com especialização em Imagens e Culturas Midiáticas pela UFMG.

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